Presidente Donald Trump informou que os Estados Unidos permitiram a entrada de Flávio Bolsonaro no país

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que o governo norte-americano autorizou a entrada do senador Flávio Bolsonaro (PL) no país, mas afirmou que não pretende se envolver na crise política brasileira após a derrota do parlamentar nas eleições presidenciais de 2026. A declaração foi feita na quarta-feira, 28 de outubro, quando Trump foi questionado por jornalistas sobre a chegada de Flávio aos Estados Unidos e a carta em que o senador contestou o resultado eleitoral. Embora tenha confirmado a autorização de entrada, o presidente norte-americano evitou assumir publicamente um compromisso com a estratégia política do brasileiro.
“Não vou fazer comentários sobre isso, mas sei que demos a ele autorização para entrar no país; veremos o que acontece”, declarou Trump ao falar com repórteres antes de partir para Ohio. Na sequência, o presidente reforçou que não pretendia se envolver e voltou a classificar a eleição brasileira como “muito estranha”. As declarações indicaram que, apesar de o governo norte-americano ter permitido a entrada de Flávio e de seus familiares, Trump procurou estabelecer limites quanto à sua participação na controvérsia política.
O posicionamento ganhou relevância porque Flávio havia agradecido publicamente a Trump pelo apoio recebido para chegar aos Estados Unidos e anunciado a intenção de liderar a oposição brasileira a partir do exterior. O senador também divulgou uma carta na qual inicialmente se apresentou como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, embora tenha alterado o texto posteriormente. Ao afirmar que não vai se envolver, Trump evitou endossar diretamente essa reivindicação, mesmo voltando a questionar o processo eleitoral brasileiro sem apresentar provas de fraude.
Trump confirma autorização para entrada de Flávio Bolsonaro nos EUA
Ao confirmar que os Estados Unidos permitiram a entrada de Flávio Bolsonaro, Trump reconheceu a participação de seu governo na autorização concedida ao senador. A medida também alcançou os familiares do parlamentar, que viajaram com ele após sua saída do Brasil. Informações divulgadas anteriormente indicavam que autoridades norte-americanas estavam cientes da situação envolvendo os documentos de Flávio e haviam sinalizado que sua entrada seria permitida.
A autorização migratória, entretanto, não significa necessariamente apoio formal à iniciativa política anunciada pelo senador. Trump declarou que não pretende se envolver na situação brasileira e evitou comentar diretamente o conteúdo da carta divulgada por Flávio. Dessa forma, a permissão para entrar e permanecer nos Estados Unidos deve ser diferenciada de um eventual compromisso diplomático com a contestação do resultado eleitoral ou com a formação de uma oposição brasileira no exterior.
Durante a conversa com jornalistas, Trump também afirmou acreditar que Flávio e sua família foram tratados de maneira injusta. O presidente norte-americano disse conhecer Lula, ter algum conhecimento sobre Flávio e conhecer bem o ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do senador. Apesar dessas declarações favoráveis à família Bolsonaro, ele reiterou que não tomou partido na eleição brasileira e que não pretende se envolver diretamente na disputa política do país.
Trump volta a questionar eleições brasileiras sem apresentar provas
A declaração do presidente norte-americano ocorreu depois de outras manifestações em que ele colocou em dúvida a eleição presidencial brasileira. Trump afirmou que o processo foi “muito estranho” e já havia criticado a forma como o resultado foi alcançado, mas não apresentou evidências que comprovassem fraude ou irregularidades capazes de alterar a votação. As declarações foram feitas após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno realizado em 25 de outubro.
A contestação também apareceu na carta divulgada pelo senador depois de sua chegada aos Estados Unidos. Na primeira versão do documento, Flávio se declarou o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e agradeceu aos governos dos Estados Unidos e da Argentina pelo apoio recebido. Posteriormente, o texto foi alterado, e a expressão foi substituída por uma referência ao parlamentar como “líder do Brasil”, mudança que ocorreu após a repercussão da publicação.
A Justiça Eleitoral brasileira declarou o resultado da votação, e questionamentos sobre o processo precisam seguir os mecanismos legais previstos no país. Até o momento das declarações de Trump, não havia apresentação pública de provas que demonstrassem fraude eleitoral capaz de modificar o resultado presidencial. Ao voltar a criticar a eleição, o presidente norte-americano ampliou a repercussão internacional do caso, mas sua afirmação de que não pretende se envolver indicou que não anunciaria uma intervenção direta na disputa.
Flávio Bolsonaro pretende liderar oposição a partir dos Estados Unidos
Após deixar o Brasil, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende organizar a oposição ao governo Lula a partir dos Estados Unidos. A viagem ocorreu em meio a questionamentos sobre sua situação jurídica e à repercussão de investigações que envolvem suspeitas de irregularidades, acusações que o senador nega. Sua chegada a Miami e a divulgação da carta provocaram reações entre integrantes da oposição brasileira, incluindo aliados que demonstraram preocupação com a estratégia adotada.
A postura de Trump acrescentou uma incerteza à iniciativa de Flávio, porque o presidente norte-americano confirmou a autorização de entrada, mas não assumiu publicamente o compromisso de apoiar a contestação eleitoral. A declaração também separou a decisão migratória do governo dos Estados Unidos de um eventual envolvimento diplomático na política brasileira. Assim, embora Flávio esteja em território norte-americano e tenha anunciado planos para atuar politicamente do exterior, as palavras de Trump não representam um endosso oficial à reivindicação de que o senador seria o presidente eleito.





