Candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, disse que indicará cinco ministros ao STF

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro afirmou, durante um ato realizado na Avenida Paulista em 7 de setembro, que pretende indicar cinco ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF) caso seja eleito. A declaração foi vinculada pelo candidato à possibilidade de saída de Alexandre de Moraes da Corte, que vem sendo alvo de críticas de setores da oposição em meio à atual crise institucional envolvendo o tribunal. Flávio disse que pretende utilizar as indicações para promover uma mudança na composição do Supremo, caso tenha a oportunidade de exercer a Presidência da República.
Durante o discurso, Flávio Bolsonaro também apresentou critérios que, segundo ele, deveriam orientar suas escolhas para o STF. O candidato afirmou que indicaria homens e mulheres contrários ao aborto, às drogas e à chamada ideologia de gênero nas escolas, além de defender nomes que respeitem a Constituição e não persigam adversários políticos. Segundo Flávio, seu objetivo seria trabalhar para recuperar a credibilidade do Judiciário e proteger o Supremo de uma concentração de poder atribuída por ele a Alexandre de Moraes.
A fala ocorreu em um momento de forte tensão entre ministros do STF, especialmente depois dos acontecimentos relacionados ao caso Banco Master e da troca de acusações entre Moraes e André Mendonça. A crise ganhou novo capítulo nesta terça-feira (8), quando Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada, decisão que passou a ser analisada no âmbito do Supremo. O cenário colocou novamente a relação entre Judiciário, Executivo e órgãos de investigação no centro do debate político nacional.
Flávio Bolsonaro relaciona indicações ao futuro de Alexandre de Moraes
Ao anunciar as cinco indicações, Flávio Bolsonaro declarou que Moraes “vai cair”, apresentando a eventual saída do ministro como uma das razões para o número de vagas que pretende preencher. O senador também chamou Moraes de “laranja podre” e afirmou que o Supremo não poderia ser identificado exclusivamente com a atuação de um de seus integrantes. As declarações foram feitas diante de apoiadores que participavam do ato de 7 de Setembro na capital paulista.
Flávio também associou a atuação de Moraes ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que pretende romper o que classificou como um “consórcio” entre os dois. Em seu discurso, o candidato disse que Lula teria indicado ministros para o Supremo com o objetivo de perseguir Jair Bolsonaro e seus aliados, acusação que foi apresentada por ele sem que isso representasse uma conclusão institucional do tribunal. A relação entre Lula, Moraes e o campo político bolsonarista tornou-se um dos principais temas dos atos de oposição realizados durante o feriado da Independência.
A promessa de cinco indicações também está relacionada à situação atual e às possíveis mudanças futuras na composição do STF. Existe uma vaga decorrente da saída de Luís Roberto Barroso, enquanto outras aposentadorias estão previstas para os próximos anos, e a eventual saída de Moraes acrescentaria outra cadeira ao conjunto de vagas a serem preenchidas. Entretanto, uma indicação presidencial para o Supremo não ocorre de maneira unilateral, pois a Constituição determina que os ministros sejam nomeados pelo presidente da República somente depois da aprovação da escolha pelo Senado Federal.
Crise no STF amplia debate sobre novas indicações
A discussão sobre a composição do Supremo ganhou intensidade justamente quando o tribunal enfrenta uma crise interna envolvendo Moraes e Mendonça. O conflito se agravou após a divulgação de informações relacionadas às mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-banqueiro ligado ao Banco Master, e depois que Mendonça determinou medidas contra integrantes da Polícia Federal. Moraes, por sua vez, reagiu pedindo investigação contra Mendonça por suposto abuso de autoridade, ampliando a disputa entre os dois ministros.
Nesse ambiente, a possibilidade de mudanças na composição do STF passou a ocupar espaço relevante no discurso eleitoral de Flávio Bolsonaro e de seus aliados. O candidato transformou a eventual saída de Moraes em argumento para defender que o próximo presidente tenha participação decisiva na escolha de novos integrantes da Corte. A proposta, contudo, depende de uma série de condições jurídicas e políticas, incluindo a existência efetiva das vagas e a aprovação dos indicados pelo Senado, conforme estabelece a Constituição.
O discurso realizado na Paulista também mostrou como a crise do Supremo passou a ser incorporada à campanha presidencial de 2026. Enquanto Flávio Bolsonaro apresentou uma agenda de mudanças na Corte e fez críticas diretas a Moraes, outros candidatos e grupos políticos adotaram posições diferentes diante do conflito entre os ministros. Dessa forma, o debate sobre o STF passou a ocupar uma posição central nas manifestações públicas realizadas durante o 7 de Setembro, em meio à proximidade do primeiro turno das eleições.
O que pode acontecer com as vagas no STF
A promessa de Flávio Bolsonaro precisa ser compreendida dentro das regras constitucionais que disciplinam a composição do Supremo Tribunal Federal. Mesmo que um presidente queira realizar novas indicações, cada vaga precisa surgir de uma situação prevista legalmente, como aposentadoria, renúncia ou outra hipótese de vacância, e o escolhido ainda precisa passar pela análise do Senado. Portanto, a possibilidade de cinco nomeações dependeria da combinação entre vagas efetivamente abertas e a eventual saída de ministros durante o período de um futuro governo.
Por enquanto, a declaração feita na Avenida Paulista representa uma promessa de campanha vinculada por Flávio Bolsonaro à sua visão sobre o futuro do STF e à possível saída de Alexandre de Moraes. A permanência ou eventual afastamento de Moraes, contudo, depende de procedimentos institucionais que não são definidos pelo candidato e seguem as regras aplicáveis ao Supremo e aos demais Poderes. O episódio demonstra, de todo modo, que a composição da Corte e a crise envolvendo seus ministros deverão continuar presentes no debate eleitoral brasileiro ao longo das próximas semanas.





