Geral

Alcolumbre busca acordo para perdoar Bolsonaro e atrair votos no Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem conduzido conversas com diferentes atores políticos em busca de um clima institucional mais sereno no pós-eleitoral. As tratativas, que envolvem parlamentares, representantes do governo e ministros do Supremo Tribunal Federal, giram em torno do que ele tem chamado de “pacificação nacional”. Entre os temas em pauta está a possibilidade de algum tipo de medida que beneficie o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), embora não exista nenhuma proposta fechada ou acordo firmado até o momento.

Objetivo também inclui a disputa pela presidência do Senado

A articulação ocorre em paralelo à movimentação para a eleição da presidência da Casa, marcada para fevereiro de 2027. Alcolumbre busca ampliar sua base de apoio e reduzir a pressão de setores que defendem iniciativas como pedidos de abertura de processo contra ministros do STF. A aproximação com o Partido Liberal é vista como um caminho possível para atrair votos da direita, ao mesmo tempo que sinaliza disposição em dialogar com opositores. O senador Rogério Marinho (PL-RN) é cotado para ser o candidato da oposição à presidência da Casa. O PL decidirá sobre sua participação na corrida em reunião marcada para a próxima quarta-feira, 4 de novembro.

Prazo é um desafio para a negociação

Embora a iniciativa seja bem recebida por lideranças do PL, senadores da leganda ressaltam que qualquer medida concreta precisaria ser apresentada ainda neste ano para ter impacto na eleição de fevereiro. Uma promessa de que algo seria feito depois da disputa não seria suficiente para convencê-los, segundo relatos reservados. A negociação ainda está em fase exploratória, sem definição sobre qual instrumento jurídico seria adotado, se é que haverá um.

Indulto: o que é e quais são os limites legais

Uma das alternativas consideradas é a concessão de indulto pelo presidente da República. Trata-se de um perdão de pena que pode ser concedido sem necessidade de aprovação do Congresso Nacional. Existem duas modalidades: a individual, destinada a uma pessoa específica, e a coletiva, que estabelece regras gerais aplicáveis a todos que se enquadrem nos critérios definidos em decreto. Em ambos os casos, porém, a decisão pode ser avaliada pelo Supremo Tribunal Federal, que pode anulá-la se entender que contraria a Constituição.

Entendimento do STF representa obstáculo relevante

O Supremo já deixou claro em decisão anterior que o indulto não pode ser usado para beneficiar aliados políticos sem demonstração de interesse público. Em 2023, a Corte anulou o indulto individual concedido por Jair Bolsonaro ao então deputado Daniel Silveira. Na ocasião, o ministro Luiz Fux defendeu que crimes contra o Estado Democrático de Direito não poderiam ser objeto de perdão por meio de indulto ou anistia. Se esse entendimento for mantido, ele representa um obstáculo significativo, especialmente porque Jair Bolsonaro foi condenado por envolvimento em tentativa de golpe de Estado.

Anistia exigiria tramitação no Congresso e amplo consenso

A outra via seria a anistia, que precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, seguindo depois para sanção ou veto do presidente da República. Caso Lula vete o texto, o Congresso poderia tentar derrubar a decisão, mas isso exigiria maioria qualificada dos parlamentares. Essa rota é mais complexa e demanda consenso amplo entre diferentes legendas, além de diálogo com o Judiciário sobre a constitucionalidade da proposta. Sem esse apoio transversal, a iniciativa dificilmente avançaria.

Cenário político ainda está em formação

Atualmente, Alcolumbre conta com o apoio declarado de MDB, PSD, PT, União Brasil e PP. Juntas, essas bancadas somam 33 senadores, ainda abaixo dos 41 votos necessários para garantir sua recondução. O PL, por sua vez, terá a maior bancada da próxima legislatura, com 29 assentos. Enquanto isso, setores da oposição avaliam uma possível união entre nomes como Rogério Marinho e a senadora Tereza Cristina (PP-MS) para evitar a divisão dos votos contrários à atual administração da Casa. Que os próximos passos sejam dados com clareza, dentro da lei e sempre em respeito à Constituição e às instituições democráticas.

Mostrar mais

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *