Geral

Lula diz que bets viraram “um monstro” no governo Bolsonaro

A campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) veiculou nesta segunda-feira, 21, seu décimo primeiro programa eleitoral, inteiramente dedicado ao tema das apostas online. Com o mote “Brasil contra as bets”, a peça relaciona a expansão do setor ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e questiona a posição do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário na corrida ao Planalto. O conteúdo traz depoimentos de pessoas afetadas e apresenta as iniciativas que o governo pretende ampliar para proteger as famílias.

A propaganda estabelece uma linha temporal clara sobre a regulamentação das plataformas. “Foi no governo Bolsonaro que elas viraram um fenômeno de grandes proporções”, afirma o texto, ao lembrar que, ao longo de quatro anos, não houve regras definidas para o funcionamento do ramo. O programa chama a atenção para o impacto direto no orçamento doméstico: “Tem gente deixando de comprar alimento para a família para apostar. Ninguém deveria gastar o que não tem. Nosso compromisso é lutar para que sobre mais dinheiro para cuidar de quem você ama”, declarou Lula em trecho do programa.

O presidente relatou ainda o encontro que manteve com pessoas afetadas pelo vício, entre elas um jovem que realizou milhares de transações em poucos meses. “Isso é um problema de saúde pública. Não podemos ficar alheios enquanto famílias passam por dificuldades”, observou. Anunciou que o Sistema Único de Saúde passará a contar com programas específicos de atendimento e orientação para quem enfrenta dificuldades relacionadas ao jogo. “Muita gente tem vergonha de pedir ajuda. Precisamos criar caminhos para que ninguém se sinta sozinho”, acrescentou.

O cantor Emicida também participa da peça eleitoral, respondendo ao argumento de que restringir as apostas prejudicaria o futebol. O artista já havia debatido o tema em reunião realizada no Palácio do Planalto em setembro. O governo apresentou, ainda em abril, um projeto de lei visando à proibição das plataformas em todo o território nacional. Em julho, determinou que toda publicidade do ramo traça alertas claros sobre os riscos de endividamento e dependência, como forma de informar o público de maneira transparente.

Dados econômicos reforçam a dimensão do problema. Em 2025, as famílias brasileiras desembolsaram cerca de R$ 62,5 bilhões em apostas esportivas, conforme levantamento do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda e do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento. As plataformas movimentaram, no mesmo período, mais de R$ 350 bilhões por meio de transferências instantâneas. O endividamento geral da população atinge hoje 82% das famílias, índice que se mantém no patamar mais elevado desde 2015, segundo a Confederação Nacional do Comércio.

Além das medidas voltadas às apostas, o governo prepara um novo programa de renegociação de dívidas, que deve ser apresentado em breve. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou que a iniciativa tem por objetivo permitir que cidadãos com compromissos antigos possam regularizar sua situação e voltar a ter acesso a crédito. O conjunto das ações responde a uma demanda registrada em pesquisas de opinião, que mostram apoio amplo a regras mais rigorosas, especialmente entre mulheres e públicos de orientação religiosa. A população acompanha os desdobramentos na expectativa de que as medidas sejam efetivas e cheguem a quem realmente precisa.

Mostrar mais

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *