O governo Lula enviará convites formais a vários presidentes para comparecerem à posse do petista

Lula decide convidar Donald Trump e Javier Milei para a cerimônia de posse de seu próximo mandato, marcada para 5 de janeiro de 2027, em Brasília. A iniciativa prevê que os presidentes dos Estados Unidos e da Argentina recebam convites oficiais para participar da solenidade, mesmo diante das divergências políticas registradas durante a campanha eleitoral brasileira. A decisão segue a tradição diplomática de estender o convite aos chefes de Estado dos países com os quais o Brasil mantém relações diplomáticas.
A inclusão de Trump e Milei na lista de convidados ocorre em um momento de tensão entre o governo brasileiro e os dois países. Os presidentes norte-americano e argentino ainda não haviam reconhecido oficialmente a vitória de Lula nas eleições de outubro, segundo as informações divulgadas sobre o assunto. Durante a campanha, Trump questionou o processo eleitoral brasileiro, enquanto Milei fez declarações críticas ao presidente brasileiro.
De acordo com informações publicadas pelo Estado de Minas e por outros veículos, auxiliares do governo indicaram que o convite será encaminhado aos dois governantes como parte do procedimento diplomático. A iniciativa também foi descrita pela CNN Brasil como um gesto político destinado a demonstrar disposição para superar diferenças entre os países. A organização da cerimônia deverá considerar a participação de representantes estrangeiros, seguindo o protocolo adotado em posses presidenciais anteriores.
Lula decide convidar Trump e Milei apesar das divergências diplomáticas
A decisão de Lula de convidar Donald Trump e Javier Milei chama atenção porque os dois presidentes mantiveram posições críticas em relação ao petista durante o período eleitoral. Trump levantou questionamentos sobre a condução das eleições brasileiras, enquanto Milei fez manifestações públicas contrárias ao presidente reeleito. Mesmo diante desse histórico, a orientação informada por auxiliares do governo é manter o procedimento diplomático e incluir Estados Unidos e Argentina entre os países convidados.
No caso norte-americano, as relações entre Brasília e Washington também foram afetadas por divergências envolvendo medidas adotadas pelo governo Trump e declarações de integrantes da administração republicana. A situação ganhou novos desdobramentos depois que Flávio Bolsonaro deixou o Brasil e chegou a Miami, nos Estados Unidos, após a eleição presidencial. A Reuters informou que pessoas ligadas ao governo norte-americano participaram de articulações relacionadas à viagem do senador, embora a administração Trump não tenha indicado intenção de apoiar sua reivindicação de liderança política no Brasil.
A relação com a Argentina também apresenta um histórico recente de declarações públicas divergentes entre os dois presidentes. Javier Milei fez críticas a Lula durante a campanha, e as diferenças políticas entre os governos já haviam sido observadas em outras ocasiões. Apesar desse cenário, a inclusão do presidente argentino no convite para a posse mantém o tratamento institucional previsto para países que possuem relações diplomáticas com o Brasil.
Posse de Lula será realizada em 5 de janeiro de 2027
A cerimônia de posse de Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin está marcada para 5 de janeiro de 2027, em Brasília. A mudança da data em relação ao calendário tradicional foi estabelecida pela Emenda Constitucional 111, promulgada em setembro de 2021, que alterou o início dos mandatos presidenciais para o dia 5 de janeiro. A alteração também modificou o calendário de posse dos governadores, que passam a assumir os cargos no dia seguinte.
A mudança permite que governadores e outras autoridades participem da solenidade presidencial sem a coincidência de datas que existia anteriormente. A cerimônia deverá reunir representantes dos poderes da República e autoridades estrangeiras, conforme a tradição das transmissões de mandato no país. O envio dos convites internacionais integra a preparação protocolar do evento e não significa, por si só, que os presidentes convidados tenham confirmado presença.
Em 2023, quando iniciou seu terceiro mandato, Lula recebeu 21 chefes de Estado e de governo em Brasília, em uma cerimônia que contou com representantes de diferentes regiões do mundo. Na posse de Jair Bolsonaro, em janeiro de 2019, estiveram presentes dez líderes estrangeiros, entre eles o então primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Donald Trump, que ocupava a Presidência dos Estados Unidos naquele período, não compareceu e enviou o secretário de Estado Mike Pompeo como representante.
Convites não significam confirmação de presença de Trump e Milei
A decisão de Lula de convidar Donald Trump e Javier Milei não representa uma confirmação de que os dois estarão em Brasília no dia 5 de janeiro. A participação dependerá da resposta dos governos convidados e das respectivas agendas presidenciais, que ainda poderão ser definidas nos próximos meses. Até que haja manifestações oficiais, os dois nomes devem ser tratados como convidados previstos no planejamento diplomático da cerimônia.
O convite também não elimina as divergências que marcaram a relação política entre Lula, Trump e Milei durante a campanha eleitoral. A iniciativa representa a manutenção dos procedimentos diplomáticos brasileiros, mesmo quando existem diferenças públicas entre os governantes. Com a preparação da posse de 2027, o governo brasileiro deverá avançar na organização da lista de autoridades estrangeiras, enquanto aguarda as respostas dos países convidados.





