Jornal argentino diz que os EUA ajudaram a organizar a fuga de Flávio Bolsonaro

A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil rumo aos Estados Unidos teria envolvido uma operação logística com seis carros utilizados para despistar possíveis perseguidores e pelo menos três jatos particulares preparados para diferentes alternativas de deslocamento. Os detalhes foram publicados pelo jornal argentino Clarín e apontam que a viagem do senador e de sua família, depois da derrota na eleição presidencial, teria contado com uma articulação internacional envolvendo representantes dos Estados Unidos e pessoas ligadas ao governo argentino. O relato descreve uma sequência de deslocamentos terrestres e aéreos planejados para dificultar a identificação do trajeto verdadeiro e evitar que a operação fosse interrompida.
Segundo a publicação, seis veículos partiram da residência de Flávio, em Brasília, em uma estratégia de dissimulação para confundir quem eventualmente acompanhasse a movimentação da família. O grupo teria percorrido aproximadamente 1.600 quilômetros por estrada até Puerto Iguazú, na Argentina, depois que o plano inicial de viajar de avião a partir da capital brasileira foi prejudicado. O proprietário da aeronave inicialmente contratada teria desistido de realizar o transporte após a divulgação da determinação judicial que impedia o senador de deixar o país.
A reportagem também descreveu a mobilização de pelo menos três jatos particulares, com a possibilidade de que quatro aeronaves tenham sido utilizadas ou mantidas como alternativas durante a operação. Os aviões teriam sido posicionados em diferentes localidades, incluindo a região de Misiones e o Paraguai, para permitir mudanças de rota caso surgissem dificuldades. A estrutura aérea teria sido organizada para dificultar a identificação da aeronave que efetivamente transportaria Flávio, sua mulher e as duas filhas até os Estados Unidos.
Seis veículos foram utilizados no deslocamento até a Argentina
De acordo com as informações atribuídas pelo Clarín a fontes ouvidas pelo jornal, os seis carros saíram da casa de Flávio em Brasília em sequência, funcionando como veículos de despiste. A estratégia teria sido separar o deslocamento real da movimentação que poderia ser observada por autoridades ou por pessoas interessadas em acompanhar a viagem. A reportagem não identificou publicamente todos os ocupantes dos veículos nem apresentou uma descrição completa de cada trajeto percorrido durante o deslocamento.
O percurso terrestre até a fronteira argentina teria sido adotado depois que o proprietário de um avião fretado inicialmente se recusou a cumprir o contrato. A aeronave deveria levar Flávio de Brasília até a região de Foz do Iguaçu, mas a repercussão da ordem judicial que restringia a saída do senador teria levado à desistência do piloto ou responsável pelo transporte. Com a mudança de planos, a família teria seguido por estrada durante mais de vinte horas até alcançar a região da fronteira entre Brasil e Argentina.
O relato também apresenta uma versão diferente daquela que ganhou destaque nas primeiras imagens divulgadas pelas emissoras de televisão. Na noite de terça-feira, 27 de outubro, uma caminhonete branca com vidros escurecidos foi filmada chegando ao aeroporto de Puerto Iguazú, levando observadores a acreditar que Flávio e seus familiares estavam naquele veículo. Segundo o Clarín, porém, a família já teria chegado anteriormente por outro acesso, utilizado para alcançar diretamente a área próxima à pista de pouso e decolagem.
Jatos particulares foram preparados como alternativas de saída
A operação aérea teria contado com pelo menos três jatos particulares, embora a reportagem argentina também mencione a possibilidade de quatro aeronaves envolvidas no planejamento. Um dos aviões identificados foi um Gulfstream IV, de matrícula LV-JQW, que realizou o transporte da família a partir de Puerto Iguazú com destino a Miami. Outro jato, um Learjet 45, também apareceu nos registros de movimentação da região, enquanto aeronaves com matrículas norte-americanas foram relacionadas a trajetos entre os Estados Unidos e localidades próximas à fronteira.
Segundo o jornal, uma das alternativas envolvia o Paraguai, onde uma aeronave poderia aguardar caso o plano principal não fosse executado. A movimentação de diferentes aviões teria sido organizada para criar dúvidas sobre qual deles seria utilizado pelos passageiros e qual seria apenas uma opção de reserva. O Clarín também afirmou que alguns registros de voo indicavam trajetos que poderiam ter sido apresentados de maneira enganosa, embora não tenha sido possível confirmar publicamente todos os detalhes da operação aérea.
A publicação atribuiu aos representantes dos Estados Unidos uma participação na organização do deslocamento e nos procedimentos realizados no aeroporto argentino. O relato afirma que funcionários da segurança aeroportuária, da imigração e da alfândega teriam sido afastados de determinadas etapas, permitindo que a família embarcasse sem os procedimentos habituais. O presidente argentino Javier Milei também teria enviado seu principal assessor, Santiago Caputo, à província de Misiones para acompanhar a operação, conforme as informações divulgadas pelo jornal.
Participação internacional e questionamentos sobre a saída do Brasil
A atuação de representantes norte-americanos na viagem já havia sido mencionada em outras reportagens, e Jason Miller, assessor de comunicação ligado à Casa Branca, confirmou ao Metrópoles que providenciou o jato utilizado por Flávio e seus familiares. O senador entrou nos Estados Unidos por meio do mecanismo conhecido como parole, uma autorização de permanência temporária concedida pelo governo norte-americano. Apesar dos relatos sobre a participação de integrantes da administração Trump, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, negou em declaração divulgada em 31 de outubro que o país tivesse colaborado com a operação de fuga.
A viagem também passou a ser questionada por autoridades brasileiras porque ocorreu depois de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que havia proibido Flávio de deixar o território nacional e determinado a entrega de seus passaportes. A Polícia Federal investiga as circunstâncias da saída e a possibilidade de descumprimento das medidas judiciais, enquanto os detalhes divulgados pelo Clarín acrescentam informações sobre a logística terrestre e aérea. Parlamentares democratas dos Estados Unidos também encaminharam questionamentos ao secretário Marco Rubio sobre a eventual participação de agentes norte-americanos em território brasileiro, argentino e equatoriano, com prazo para resposta até 13 de novembro.





