Últimas Notícias

Com Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos, já começaram a analisar quem ocupará a vaga dele no Senado

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está nos Estados Unidos desde 28 de outubro de 2026, quando desembarcou em Miami acompanhado da esposa e das duas filhas, depois de deixar o Brasil na madrugada do dia anterior. A saída do senador ocorreu três dias depois da derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais e provocou repercussões no cenário político nacional, especialmente por causa das investigações e das medidas judiciais relacionadas ao parlamentar. Diante desse episódio, uma questão passou a despertar a atenção de políticos e eleitores: quem poderá ocupar sua cadeira no Senado Federal caso ele perca o mandato?

O primeiro nome na linha de sucessão é o empresário Paulo Marinho, de 74 anos, que foi eleito primeiro suplente na chapa de Flávio Bolsonaro em 2018, pelo Rio de Janeiro. A trajetória do empresário chama atenção porque ele já foi um dos aliados de Jair Bolsonaro, chegou a oferecer sua própria residência para servir como base da campanha presidencial daquele ano e, posteriormente, rompeu com a família. Em 2022, Marinho declarou apoio a Lula, tornando sua eventual chegada ao Senado um acontecimento com repercussões políticas que ultrapassam a simples substituição de um parlamentar.

Entretanto, a permanência de Flávio nos Estados Unidos não significa que sua cadeira será automaticamente entregue ao suplente, pois a legislação estabelece condições específicas para essa substituição. O senador continua sendo o titular do mandato, cujo encerramento está previsto para o início de 2027, enquanto nenhuma das hipóteses legais de afastamento definitivo ou temporário prolongado for concretizada. Por isso, além de conhecer a história de Paulo Marinho, é importante entender quais são as regras do Senado e o que efetivamente poderá acontecer com a vaga ocupada por Flávio Bolsonaro.

Quem é Paulo Marinho, o primeiro suplente de Flávio Bolsonaro?

Paulo Roberto Franco Marinho nasceu no Rio de Janeiro e construiu uma carreira empresarial em diferentes setores, incluindo o mercado financeiro, a indústria naval e a comunicação. Começou a trabalhar aos 14 anos na Excelsior Seguros e, posteriormente, ocupou posições importantes em empresas brasileiras, chegando a dirigir o estaleiro Verolme, localizado em Angra dos Reis, no litoral fluminense. Também trabalhou no Jornal do Brasil e na Gazeta Mercantil, publicação na qual alcançou o cargo de vice-presidente executivo, acumulando experiência em diferentes áreas da atividade empresarial.

Sua aproximação com Jair Bolsonaro ganhou força durante a campanha presidencial de 2018, quando disponibilizou sua residência no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio de Janeiro, para funcionar como base das atividades eleitorais. No imóvel, o então candidato gravava vídeos, recebia aliados e realizava reuniões relacionadas à disputa presidencial, transformando a propriedade em um dos espaços utilizados pelo grupo político. A indicação de Marinho para a primeira suplência de Flávio Bolsonaro ocorreu nesse contexto de proximidade, e seu nome passou a integrar oficialmente a chapa que venceu a eleição para o Senado naquele ano.

A relação entre o empresário e a família Bolsonaro, entretanto, sofreu um rompimento público em maio de 2020, quando Marinho concedeu uma entrevista à Folha de S.Paulo e fez declarações envolvendo uma suposta informação antecipada sobre uma operação da Polícia Federal. Segundo o empresário, Flávio teria sido avisado por um delegado sobre a Operação Furna da Onça, que investigava movimentações financeiras relacionadas a Fabrício Queiroz, ex-assessor do então senador na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Flávio negou a acusação, classificou as declarações como uma invenção e afirmou que Marinho pretendia ocupar sua cadeira no Senado, enquanto a denúncia de vazamento não foi comprovada.

Por que o suplente de Flávio Bolsonaro apoiou Lula?

O rompimento político ganhou uma dimensão ainda maior durante as eleições presidenciais de 2022, quando Paulo Marinho declarou apoio a Luiz Inácio Lula da Silva, adversário de Jair Bolsonaro naquela disputa. Na ocasião, o empresário afirmou que quem conhecia Bolsonaro deveria votar no candidato petista, fazendo referência à experiência que havia acumulado durante sua convivência com o grupo político. Marinho também declarou que precisava pagar uma espécie de penitência pela participação na campanha de 2018, quando ajudou a construir a estrutura que levou o ex-presidente ao Palácio do Planalto.

A mudança de posicionamento não significou, contudo, um afastamento definitivo entre o empresário e a família Bolsonaro, pois os dois lados voltaram a estabelecer contato posteriormente. Paulo Marinho presidiu o PSDB no Rio de Janeiro e ingressou no Republicanos em 2023, mantendo sua participação no ambiente político fluminense, enquanto a reaproximação com Flávio ocorreu em 2024. Segundo informações divulgadas pelo filho do empresário, André Marinho, o senador procurou seu pai naquele período, contribuindo para a retomada do relacionamento que havia sido interrompido quatro anos antes.

Outro aspecto da trajetória familiar do empresário envolve a cantora Giulia Be, sua filha, que se casou com Conor Kennedy em outubro de 2026. O marido da artista pertence à família Kennedy dos Estados Unidos, sendo filho de Robert F. Kennedy Jr., secretário de Saúde do governo norte-americano, e sobrinho-neto do ex-presidente John F. Kennedy. Embora essa ligação não tenha influência direta sobre a sucessão parlamentar, ela também contribuiu para ampliar a exposição pública de Paulo Marinho, que voltou ao noticiário nacional em razão da situação de Flávio Bolsonaro.

Quando Paulo Marinho poderá assumir o mandato no Senado?

A Constituição Federal determina que um suplente seja convocado quando ocorre a vacância do cargo, como nos casos de renúncia ou perda definitiva do mandato, além de situações de afastamento temporário por licença superior a 120 dias. Dessa forma, a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil não representa, isoladamente, motivo suficiente para que Paulo Marinho assuma a cadeira, mesmo que o senador permaneça nos Estados Unidos por tempo prolongado. Enquanto não houver uma das condições previstas na legislação, o parlamentar continuará sendo considerado titular do mandato para o qual foi eleito em 2018.

Uma das possibilidades discutidas envolve a perda do mandato por excesso de faltas, situação prevista no artigo 55 da Constituição Federal, que estabelece a ausência em um terço das sessões ordinárias da respectiva Casa legislativa como motivo para a perda do cargo, salvo justificativas e exceções legais. Entretanto, a contagem precisa considerar as sessões efetivamente realizadas, as ausências justificadas e as regras específicas aplicáveis ao período em que Flávio disputou a Presidência da República. Com o recesso parlamentar previsto para 22 de dezembro e o encerramento do mandato em janeiro de 2027, o calendário também interfere nas possibilidades de uma eventual substituição ainda nesta legislatura.

Caso Flávio Bolsonaro renuncie, perca definitivamente o mandato ou se afaste por período superior a 120 dias nas condições previstas, Paulo Marinho será o primeiro convocado para ocupar a cadeira, desde que esteja apto a exercer a função. O segundo suplente é o empresário Leonardo Rodrigues, que poderá ser chamado caso o primeiro não possa assumir, respeitando a ordem estabelecida na chapa eleita pelo Rio de Janeiro. Assim, enquanto Flávio permanece nos Estados Unidos e continua oficialmente como senador, Paulo Marinho aguarda uma eventual convocação, em uma situação que reúne disputas políticas, regras constitucionais e uma antiga relação de proximidade e conflito com a família Bolsonaro.

Mostrar mais

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *