Mais de 49 milhões de norte-americanos decidiram votar antecipadamente nestas eleições

As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para terça-feira, 3 de novembro, serão realizadas em um cenário de vantagem dos democratas nas pesquisas nacionais sobre a disputa pela Câmara dos Representantes. Os levantamentos divulgados nos últimos dias também mostram uma diferença menor nas expectativas sobre o controle do Senado, enquanto a avaliação do governo de Donald Trump e a participação antecipada dos eleitores aumentam a atenção sobre o resultado. A três dias da votação, mais de 49 milhões de americanos já haviam depositado seus votos, número que superou o recorde registrado na eleição legislativa de 2022.
A média nacional mais recente do RealClearPolling indica que os democratas têm 51,4% da preferência dos eleitores para a Câmara, contra 43,2% dos republicanos. O levantamento da Economist/YouGov também mostra uma expectativa favorável ao partido de oposição, já que 44% dos entrevistados acreditam que os democratas conquistarão a maioria da Casa, enquanto 31% esperam uma vitória republicana. No Senado, entretanto, a diferença é menor, com 39% dos participantes apostando no controle democrata e 36% acreditando na manutenção da maioria republicana.
Os números são acompanhados de perto porque o resultado das eleições poderá modificar a relação de forças entre o Congresso e a Casa Branca nos dois últimos anos do mandato de Trump. Atualmente, os republicanos controlam as duas Casas legislativas, condição que facilitou a aprovação de propostas defendidas pelo presidente desde seu retorno ao poder, em janeiro de 2025. Uma mudança na composição parlamentar poderá alterar o andamento de projetos, a fiscalização do Executivo e as condições políticas para a continuidade da agenda republicana.
Pesquisas mostram vantagem democrata na disputa pela Câmara
A média nacional do RealClearPolling reúne diferentes levantamentos sobre a preferência partidária dos eleitores para a Câmara dos Representantes e apresenta uma vantagem de 8,2 pontos percentuais para os democratas. O resultado de 51,4% contra 43,2% indica uma diferença expressiva na intenção de voto nacional, embora não represente uma projeção direta da quantidade de cadeiras que cada partido conquistará. Isso ocorre porque os integrantes da Câmara são eleitos em distritos específicos, e a distribuição das vagas depende dos resultados individuais em cada região.
A pesquisa Economist/YouGov também perguntou aos entrevistados qual partido acreditavam que conseguiria controlar a Câmara depois da votação. Nesse levantamento, 44% apontaram os democratas como possíveis vencedores, enquanto 31% mencionaram os republicanos, e os demais participantes não indicaram uma preferência entre as duas legendas. A diferença entre intenção de voto e expectativa sobre o resultado é importante porque uma pessoa pode acreditar que determinado partido vencerá sem necessariamente declarar que pretende votar nele.
No Senado, o cenário apresentado pela Economist/YouGov é mais equilibrado, com 39% dos entrevistados esperando uma maioria democrata e 36% apostando na continuidade do controle republicano. A disputa envolve 35 das 100 cadeiras da Casa, incluindo 33 vagas previstas no calendário regular e duas eleições especiais para preencher posições abertas. Como cada estado possui dois senadores e as campanhas são realizadas separadamente em cada território, a preferência nacional não determina diretamente qual partido alcançará a maioria.
Campanha de Donald Trump divide eleitores sobre impacto nas eleições
A participação de Donald Trump na campanha também aparece entre os fatores avaliados pelos levantamentos divulgados antes da votação. Segundo os dados apresentados pelo UOL, 31% dos eleitores consideram que os comícios do presidente ajudam um pouco ou muito os candidatos republicanos que recebem seu apoio, enquanto 33% avaliam que essas aparições prejudicam os concorrentes. Outros 18% afirmam que a presença de Trump nos eventos não provoca diferença significativa, enquanto os demais entrevistados não demonstraram uma posição definida.
O presidente intensificou sua participação em atividades eleitorais durante o último mês, visitando estados considerados importantes para as disputas legislativas. Dois compromissos que haviam sido cancelados na quinta-feira, 29 de outubro, foram confirmados novamente para domingo, 1º de novembro, no Kansas e em Iowa. A equipe política de Trump considera que as aparições podem mobilizar eleitores republicanos, principalmente em estados onde o partido enfrenta disputas competitivas por vagas no Senado.
A avaliação do governo também representa um elemento relevante na reta final da campanha, já que a aprovação de Trump foi registrada em 32% na pesquisa Reuters/Ipsos concluída em 26 de outubro. Entre os eleitores registrados, a preferência genérica pelo Partido Democrata alcançou 47%, contra 36% dos republicanos, enquanto a diferença ficou em nove pontos quando foram consideradas as inclinações dos indecisos. O levantamento ouviu 1.679 adultos nos Estados Unidos, incluindo 1.280 eleitores registrados, e apresentou margem de erro de três pontos percentuais para esse último grupo.
Mais de 49 milhões de americanos votaram antecipadamente
A participação antecipada nas eleições de meio de mandato atingiu um recorde, com 49.564.545 votos registrados até as 22h39 de sexta-feira, 30 de outubro, no horário de Brasília, segundo o Laboratório Eleitoral da Universidade da Flórida. O número superou os aproximadamente 45,9 milhões de votos antecipados contabilizados antes das eleições legislativas de 2022, indicando uma mobilização maior nessa modalidade de votação. Os dados incluem eleitores que compareceram antecipadamente aos locais de votação e aqueles que enviaram suas cédulas pelo correio.
O aumento da participação foi observado especialmente em estados com disputas importantes para o Senado, entre eles o Texas, onde mais de seis milhões de pessoas já haviam votado antecipadamente até quarta-feira, 28 de outubro. A presença de eleitores antes do dia oficial do pleito, entretanto, não permite identificar automaticamente qual partido será beneficiado, pois os registros não revelam em quem cada pessoa votou. Além disso, milhões de americanos ainda poderiam comparecer às urnas na terça-feira, e os republicanos costumam registrar participação expressiva no próprio dia da eleição.
Entre os eleitores que participaram antecipadamente está o papa Leão XIV, que nasceu nos Estados Unidos e possui cidadania americana, conforme informado pelo UOL. A votação de 3 de novembro definirá todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado, além de envolver eleições para governos estaduais e outros cargos locais. O resultado estabelecerá a composição do Congresso para os dois últimos anos do mandato de Donald Trump e poderá modificar as condições de negociação e aprovação de medidas defendidas pelo presidente.





