Várias pessoas estão enfrentando longas filas no Ceará para comprar água mineral

Moradores de Banabuiú, município localizado no Sertão Central do Ceará, estão enfrentando filas para conseguir comprar garrafões de água mineral depois que comerciantes suspenderam temporariamente as vendas por medo de ameaças atribuídas a uma facção criminosa. A situação provocou preocupação entre as famílias, que dependem dos distribuidores locais para adquirir água destinada ao consumo diário e precisaram buscar alternativas para garantir o abastecimento. Com a interrupção das atividades comerciais, a distribuição passou a contar com uma operação especial organizada pelo poder público, envolvendo a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) e as forças policiais.
As intimidações começaram a circular em outubro, quando mensagens atribuídas ao Comando Vermelho (CV) passaram a exigir que comerciantes obtivessem autorização da organização criminosa para vender e distribuir água mineral no município. Os comunicados, identificados como “Edital Banabuiú”, estabeleciam cobranças semanais e ameaçavam os trabalhadores que não aceitassem as condições impostas pelo grupo. Diante do risco de represálias, estabelecimentos interromperam a comercialização dos garrafões, provocando uma redução na oferta e obrigando os moradores a enfrentar dificuldades para conseguir o produto.
A crise no comércio de água levou as autoridades estaduais a organizar um esquema emergencial para evitar que a população ficasse sem acesso à água mineral. A operação começou a ser estruturada na sexta-feira, 30 de outubro, e permitiu que os primeiros moradores utilizassem o novo sistema de compra no sábado, dia 31. A Cagece ficou responsável por buscar os garrafões cheios nos fornecedores e transportá-los até Banabuiú, enquanto equipes policiais passaram a acompanhar o deslocamento e a comercialização para oferecer segurança aos envolvidos.
Ameaças de facção interromperam a venda de água mineral
As mensagens que circularam em Banabuiú condicionavam a comercialização de água mineral ao pagamento de valores exigidos por integrantes da organização criminosa. As cobranças relatadas variavam de R$ 200 a R$ 750 por semana, dependendo das exigências feitas aos comerciantes, e os responsáveis pelos estabelecimentos que se recusassem a pagar eram ameaçados. Os comunicados também indicavam que os vendedores poderiam sofrer consequências caso continuassem trabalhando sem a autorização exigida pelo grupo, o que aumentou o temor entre os trabalhadores do setor.
A circulação das mensagens provocou uma mudança na rotina de quem dependia dos distribuidores locais para comprar garrafões de água. Com receio de sofrer violência ou ter os estabelecimentos atacados, comerciantes preferiram suspender as atividades, mesmo diante da demanda dos moradores. A interrupção das vendas atingiu diretamente o abastecimento doméstico e também provocou consequências para serviços públicos, já que uma escola municipal chegou a suspender as aulas em outubro devido à falta de água.
A situação demonstrou que as ameaças não ficaram restritas aos proprietários dos estabelecimentos comerciais, pois acabaram afetando diferentes setores da cidade. Sem a distribuição regular, famílias precisaram procurar alternativas para conseguir água mineral, enquanto a administração municipal e os órgãos estaduais buscavam uma solução para manter o fornecimento. A necessidade de reorganizar o transporte dos garrafões também exigiu uma operação de segurança, uma vez que os comerciantes ainda demonstravam receio de retomar normalmente suas atividades.
Cagece transporta garrafões com acompanhamento policial
Para reduzir os efeitos da suspensão das vendas, a Cagece passou a recolher garrafões cheios diretamente nos fornecedores e levá-los até Banabuiú. A operação conta com o acompanhamento das forças de segurança durante o deslocamento e no momento da comercialização, permitindo que os moradores tenham acesso ao produto enquanto persistem as dificuldades enfrentadas pelos distribuidores locais. A medida foi organizada para garantir a continuidade do abastecimento sem deixar os comerciantes expostos às ameaças atribuídas à organização criminosa.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará informou que a iniciativa busca permitir que os distribuidores de água mineral mantenham suas atividades de maneira segura. A pasta explicou que a Cagece realiza a coleta dos garrafões nos fornecedores e o transporte até o município, enquanto as forças policiais oferecem suporte à operação. O esquema não representa uma distribuição gratuita de água, mas uma alternativa logística para que o produto continue sendo comercializado à população durante o período de instabilidade.
A segurança também foi reforçada com a presença de diferentes equipes policiais no município. Segundo a secretaria, Banabuiú recebeu policiamento ostensivo, Força Tática e motopatrulhamento, além de reforços do Batalhão Especializado em Policiamento do Interior (BEPI), do CPRaio e do Comando da Polícia Militar para Prevenção e Apoio às Comunidades (Copac). As ações contam ainda com o apoio de uma aeronave da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer), utilizada no trabalho de segurança desenvolvido na região.
Três suspeitos foram presos durante investigação
As investigações sobre as ameaças e cobranças ilegais resultaram na prisão de três pessoas suspeitas de participação no esquema de extorsão contra comerciantes de Banabuiú. Durante as operações, os policiais apreenderam seis aparelhos celulares, um revólver calibre 38, munições, um notebook e uma quantia em dinheiro. O material recolhido deverá contribuir para o aprofundamento das apurações sobre a atuação do grupo e a participação dos investigados nas intimidações contra os trabalhadores.
A Secretaria da Segurança Pública também informou que identificou o homem apontado como mandante das ameaças, que estaria no estado do Rio de Janeiro. As autoridades cearenses trabalham em conjunto com a Polícia Civil fluminense para dar continuidade às investigações e avançar na localização do suspeito. Enquanto as apurações prosseguem, o reforço policial e o transporte acompanhado dos garrafões procuram manter o abastecimento de água mineral em Banabuiú, onde os moradores ainda enfrentam filas para comprar o produto.





