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Nikolas Ferreira disse que tem uma negociação que visa ‘livrar a pele’ de Alexandre de Moraes

O deputado federal reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou ter ouvido que estaria em andamento uma negociação para “livrar a pele” do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi feita na quarta-feira, 7 de outubro de 2026, em Brasília, antes de um evento do PL com congressistas eleitos. Nikolas, porém, não apresentou detalhes sobre a suposta articulação e também não identificou quem estaria envolvido.

Segundo o parlamentar, ele teria tomado conhecimento de uma conversa sobre uma possível negociação envolvendo o ministro, mas não explicou como teria recebido essa informação. Nikolas afirmou ainda que não deveria haver anistia para Moraes e defendeu que eventuais acusações contra o ministro fossem analisadas em um processo com direito à ampla defesa. A fala colocou novamente no centro do debate político a possibilidade de medidas contra integrantes do Supremo.

Nikolas também declarou que, em sua avaliação, Moraes deveria responder a um processo de impeachment e ser levado a julgamento. Sem apresentar provas na ocasião, o deputado acusou o ministro de ter cometido crimes contra a humanidade e violações de direitos humanos. A declaração foi acompanhada de uma defesa explícita da abertura de um processo contra o integrante do STF.

Nikolas afirma que não deve haver acordo

Ao comentar a suposta negociação, Nikolas reforçou que não aceita a possibilidade de um acordo que impeça uma eventual responsabilização de Moraes. Em outra declaração dada no mesmo período, o deputado afirmou que não adiantaria o ministro fazer acenos ao grupo político ligado ao bolsonarismo. Para Nikolas, um eventual processo de impeachment deveria permanecer entre as prioridades do novo Senado.

O parlamentar também relacionou suas declarações às decisões tomadas por Moraes em processos envolvendo investigados e condenados pelos atos de 8 de Janeiro. Ele criticou especialmente as medidas aplicadas pelo ministro e afirmou que não haveria espaço para uma negociação política em torno de sua eventual responsabilização. A posição foi apresentada por Nikolas como uma questão que deveria ser tratada pelo Congresso.

A discussão ocorre após uma série de decisões recentes de Moraes em processos relacionados aos atos de 8 de Janeiro. Na terça-feira, 6 de outubro, o ministro arquivou um inquérito contra Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio após manifestação da Procuradoria-Geral da República. Poucos dias antes, em 2 de outubro, Moraes havia autorizado o cumprimento de regime semiaberto por Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como “Débora do Batom”, além de reconhecer dias de remição de pena.

Impeachment de Moraes volta ao debate político

A possibilidade de um processo de impeachment contra Moraes ganhou espaço no discurso de parlamentares ligados ao PL após a eleição de 4 de outubro. O partido ampliou sua presença no Senado e, segundo levantamento citado pelo Metrópoles, alcançou 28 senadores na nova composição da Casa. A abertura de um processo contra ministros do Supremo, entretanto, depende das regras do Senado e da decisão de seu presidente.

Atualmente, a presidência do Senado é ocupada por Davi Alcolumbre (União-AP), que já se posicionou contra a abertura de um processo de impeachment contra Moraes. Com a nova composição parlamentar, o tema deverá continuar sendo discutido entre integrantes do Congresso e aliados do presidente eleito ou em campanha. Nikolas, por sua vez, afirmou que não considera negociável a possibilidade de responsabilização do ministro.

O assunto também passou a ser associado ao cenário do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. Em outra declaração, Nikolas afirmou que, caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito, não haveria acordo com Moraes e voltou a criticar as decisões do ministro relacionadas aos processos do 8 de Janeiro. O deputado disse ainda que não bastaria uma eventual mudança de postura de Moraes para afastar a possibilidade de punições.

Suposta negociação não teve detalhes apresentados

Apesar de afirmar que ouviu sobre uma negociação para “livrar a pele” de Moraes, Nikolas não apresentou nomes, documentos ou outros elementos que comprovassem a existência da suposta articulação. A declaração, portanto, foi apresentada pelo próprio deputado como uma informação que teria chegado a ele, sem que os detalhes tenham sido esclarecidos publicamente. O Poder360 registrou que os envolvidos na suposta negociação não foram identificados.

O debate ganhou novos desdobramentos porque o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL-RN), negou que o partido esteja negociando uma saída para preservar Moraes de eventual impeachment. Segundo Marinho, a informação seria “fake news”, enquanto Nikolas manteve a afirmação de que havia ouvido falar sobre uma negociação e defendeu que o impeachment do ministro fosse tratado pelo Senado.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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