A polícia no Ceará tem escoltado as entregas de água mineral após os comerciantes sofrerem ameaças

Garrafões de água mineral estão sendo transportados para Banabuiú, no Sertão Central do Ceará, sob escolta policial, depois que ameaças atribuídas a uma facção criminosa provocaram a suspensão das vendas por comerciantes locais. A medida foi organizada pelo governo estadual em parceria com a prefeitura para evitar que a população ficasse sem acesso ao produto, considerado essencial para o consumo diário das famílias. O primeiro carregamento chegou ao município no sábado, 31 de outubro, com aproximadamente mil garrafões, transportados em caminhões disponibilizados pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece).
A operação foi necessária porque distribuidores de água mineral passaram a receber ameaças e exigências de pagamento para continuar trabalhando na cidade. As mensagens foram atribuídas ao Comando Vermelho (CV) e estabeleciam cobranças semanais para permitir a comercialização dos garrafões, além de ameaçar os comerciantes que não aceitassem as condições impostas. Com medo de represálias, os empresários interromperam temporariamente as atividades, provocando dificuldades para os moradores que dependem dos estabelecimentos locais para comprar água.
A solução encontrada pelas autoridades foi transferir temporariamente a responsabilidade logística do transporte dos garrafões para a Cagece, com acompanhamento das forças de segurança durante todo o procedimento. A companhia busca os produtos diretamente nos fornecedores da região e leva os carregamentos até Banabuiú, onde são comercializados com presença policial. A iniciativa pretende manter o abastecimento enquanto os distribuidores não se sentirem seguros para retomar normalmente as vendas, diante das investigações e das ameaças registradas no município.
Primeiro carregamento levou cerca de mil garrafões ao município
O primeiro transporte organizado pela operação chegou a Banabuiú no sábado, 31 de outubro, levando aproximadamente mil garrafões de água mineral. Caminhões disponibilizados pela Cagece foram acompanhados por viaturas da Polícia Militar durante o deslocamento e na chegada ao município, como parte do esquema de segurança. A presença policial também foi mantida durante a comercialização, permitindo que os moradores comprassem o produto sem depender da reabertura imediata das distribuidoras ameaçadas.
O prefeito Marcílio Coelho (PSB) explicou que a medida foi definida depois de reuniões entre representantes da administração municipal, órgãos de segurança e comerciantes afetados pelas intimidações. Segundo o gestor, os fornecedores ainda demonstravam receio de transportar e vender água na cidade, mesmo com o reforço do policiamento e a atuação dos investigadores. Em entrevista ao g1 Ceará, ele afirmou: “Os fornecedores não querem, com uma certa razão, se expor”, acrescentando que os trabalhadores não se sentiam suficientemente seguros para voltar às atividades.
O prefeito também informou que o transporte dos garrafões deverá ser retomado na terça-feira, 3 de novembro, com entregas diárias até sábado, dia 7. A programação foi estabelecida para manter o fornecimento durante os próximos dias, enquanto as autoridades acompanham a situação e buscam condições para normalizar o comércio. Marcílio Coelho classificou a iniciativa como uma solução temporária e afirmou: “Essa medida paliativa que começou hoje ficará enquanto for necessário”.
Cagece empresta caminhões e não comercializa a água
A participação da Cagece na operação está concentrada no transporte dos garrafões, sem envolvimento direto da companhia na venda do produto aos consumidores. A empresa disponibiliza dois caminhões para buscar a água mineral nos fornecedores e levá-la até Banabuiú, onde os moradores podem realizar a compra com acompanhamento das forças policiais. O prefeito esclareceu que a companhia está “só, na verdade, emprestando dois caminhões”, destacando que a comercialização continua sendo realizada pelos responsáveis pelo fornecimento.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará informou que a logística foi montada para permitir que os distribuidores mantenham o comércio de maneira segura para a população. A operação envolve a coleta dos garrafões nos fornecedores, o transporte até o município e a presença policial durante a distribuição, reduzindo a exposição dos comerciantes às ameaças. O esquema foi iniciado em 30 de outubro e passou a atender os moradores no dia seguinte, depois que a suspensão das vendas provocou filas e dificuldades para conseguir água mineral.
A dimensão do problema ficou evidente nas imagens divulgadas nas redes sociais, que mostraram moradores aguardando para comprar os garrafões e tentando garantir quantidade suficiente para suas famílias. Alguns consumidores apareceram carregando até cinco unidades, numa tentativa de manter uma reserva doméstica diante da incerteza sobre a normalização das vendas. A situação também teve reflexos em serviços públicos, já que uma escola municipal precisou suspender as aulas em outubro por causa da falta de água para atender os estudantes.
Três suspeitos foram presos e mandante das ameaças foi identificado
As investigações sobre as cobranças ilegais e as intimidações contra comerciantes resultaram na prisão de três suspeitos de integrar o grupo criminoso. As capturas foram realizadas em uma ação conjunta da Polícia Civil e da Polícia Militar do Ceará, com informações reunidas pelo Departamento de Inteligência da Polícia Civil. Durante as diligências, os agentes apreenderam seis aparelhos celulares, um revólver calibre 38, munições, um notebook e uma quantia em dinheiro.
A Secretaria da Segurança Pública informou ainda que o homem apontado como mandante das ameaças foi identificado e estaria no estado do Rio de Janeiro. As autoridades cearenses mantêm contato com a Polícia Civil fluminense para avançar nas investigações e trabalhar na localização do suspeito. Enquanto esse trabalho continua, o policiamento em Banabuiú foi reforçado com equipes da Força Tática, motopatrulhamento, Batalhão Especializado de Policiamento do Interior, CPRaio e outras unidades, além do apoio de uma aeronave da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas.
A operação de transporte dos garrafões deverá permanecer em funcionamento enquanto as distribuidoras locais não retomarem suas atividades em condições de segurança. A prefeitura e o governo estadual procuram garantir que a população consiga comprar água mineral durante o período de instabilidade, sem deixar os comerciantes sujeitos às exigências criminosas. Com o primeiro carregamento de aproximadamente mil unidades já entregue e novas viagens programadas, o abastecimento emergencial segue acompanhado pelas forças policiais.





