Ministro Gilmar Mendes recebeu Alfredo Gaspar em sua residência e a conversa teria sido em tom amistoso

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu em sua residência, antes do primeiro turno das eleições de 2026, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL). A informação foi divulgada pelo colunista Caio Junqueira, da CNN Brasil, nesta quinta-feira, 8 de outubro. Segundo o relato publicado pelo jornalista, o encontro ocorreu em tom ameno e amistoso.
De acordo com Caio Junqueira, Alfredo Gaspar procurou pessoalmente Gilmar Mendes para apresentar sua defesa em uma investigação que apurava uma denúncia de estupro feita contra ele pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (PSD-MS). Gaspar também teria pedido o arquivamento do procedimento durante a conversa com o ministro. O caso acabou sendo arquivado por Gilmar na terça-feira, 6 de outubro, dois dias depois do primeiro turno.
O arquivamento ocorreu depois que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou, na segunda-feira, 5 de outubro, um parecer favorável ao encerramento da investigação. Conforme a informação publicada pela CNN Brasil, Gilmar disse a interlocutores que decidiu pelo arquivamento após receber a manifestação da PGR e que seguiu o rito normal do processo. O ministro também teria afirmado que a decisão não teve relação com o resultado eleitoral.
Encontro ocorreu antes da decisão sobre a investigação
A reunião entre Gilmar Mendes e Alfredo Gaspar aconteceu antes do primeiro turno, quando o deputado ainda estava em campanha como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro. O encontro, segundo a coluna de Caio Junqueira, ocorreu na residência do ministro e teve como objetivo principal a apresentação da defesa de Gaspar. A informação foi atribuída pela CNN Brasil a fontes que relataram os detalhes da conversa.
A investigação mencionada no encontro envolvia uma denúncia de estupro apresentada contra Alfredo Gaspar por Lindbergh Farias e Soraya Thronicke. Gaspar buscava o arquivamento do procedimento e, segundo a publicação, levou pessoalmente seus argumentos ao ministro do Supremo. Posteriormente, a manifestação da PGR pelo encerramento do caso foi recebida por Gilmar, que tomou a decisão de arquivá-lo.
O momento do arquivamento passou a ser observado politicamente porque ocorreu dois dias depois da votação do primeiro turno. Bolsonaristas interpretaram a decisão como um possível gesto de aproximação de Gilmar com o grupo político, segundo a CNN Brasil. O ministro, entretanto, contesta essa interpretação nos bastidores e afirma manter diálogo com diferentes setores políticos.
Gilmar diz dialogar com diferentes grupos políticos
Segundo o colunista Caio Junqueira, Gilmar Mendes tem afirmado a interlocutores que sempre manteve conversas com diferentes espectros políticos, inclusive com integrantes do bolsonarismo. O ministro teria usado como exemplo encontros anteriores com Michelle Bolsonaro (PL), que o procurou em duas ocasiões para tratar da situação jurídica de Jair Bolsonaro (PL). A informação foi publicada no blog de Caio Junqueira, da CNN Brasil, que acompanha os bastidores da política e dos Três Poderes.
A relação de Gilmar com diferentes grupos políticos já havia sido registrada em outras situações envolvendo integrantes do governo e da oposição. Em setembro, por exemplo, o ministro recebeu consultas sobre a crise envolvendo o STF e seus possíveis impactos na campanha presidencial. Nesse contexto, o ministro tem mantido contatos com diferentes atores políticos, sem que esses encontros representem, necessariamente, apoio eleitoral ou alinhamento partidário.
No caso de Alfredo Gaspar, a conversa ocorreu em circunstâncias específicas relacionadas à investigação contra o candidato a vice de Flávio. A decisão posterior pelo arquivamento foi tomada após o recebimento do parecer da PGR, conforme a explicação atribuída a Gilmar Mendes. O ministro e Gaspar foram procurados pela CNN Brasil para comentar o encontro, mas não se manifestaram.
Arquivamento ocorreu após parecer da PGR
A sequência dos acontecimentos foi, portanto, marcada pelo encontro entre Gilmar e Gaspar antes do primeiro turno, seguido pelo parecer da PGR e, posteriormente, pelo arquivamento da investigação. A decisão foi assinada na terça-feira, 6 de outubro, dois dias depois da votação que definiu os candidatos que avançaram para a segunda etapa da eleição presidencial. A CNN Brasil informou que Gilmar atribuiu o momento da decisão ao recebimento do parecer da Procuradoria.
A publicação de Caio Junqueira também destaca que a situação passou a ser acompanhada nos bastidores devido à posição de Alfredo Gaspar na chapa de Flávio Bolsonaro e à proximidade temporal entre o primeiro turno e o arquivamento. Ainda assim, a informação divulgada pelo portal registra que Gilmar Mendes nega que a decisão tenha sido motivada pelo cenário eleitoral. O ministro sustenta que apenas cumpriu o procedimento após a manifestação da PGR.





