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Com o Exército do Lula no WhatsApp, André Janones conquistou milhões de seguidores e apoiadores de Lula

A atuação do canal “Exército do Lula”, comandado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), ganhou importância durante a campanha do segundo turno da eleição presidencial de 2026 e foi apontada como uma das principais peças da mudança na comunicação digital da esquerda. A estratégia utilizou o WhatsApp para ampliar a circulação de mensagens políticas e alcançar pessoas que não acompanhavam o debate eleitoral de maneira frequente. Na avaliação de especialistas em comunicação digital, a iniciativa pode ter contribuído para influenciar eleitores indecisos e ampliar a mobilização em torno da candidatura de Lula.

O canal funcionou como uma estrutura de distribuição de conteúdos, na qual os participantes recebiam materiais preparados para compartilhar com seus próprios contatos. A proposta era fazer com que cada integrante atuasse como um multiplicador das mensagens, levando o conteúdo para grupos e conversas que não seriam alcançados diretamente pelas páginas oficiais da campanha. Com essa dinâmica, a comunicação deixou de depender apenas do público que já acompanhava políticos e perfis de esquerda nas redes sociais.

O resultado foi considerado relevante porque, pela primeira vez, a esquerda conseguiu superar a direita na mobilização nas plataformas digitais durante uma campanha eleitoral. O desempenho chamou a atenção por representar uma mudança em relação à capacidade de organização demonstrada pelos grupos conservadores em disputas anteriores. A atuação de Janones e do “Exército do Lula” passou, assim, a ser vista como um dos elementos importantes da estratégia de comunicação adotada no segundo turno.

WhatsApp ampliou o alcance das mensagens da campanha

O cofundador da consultoria Palver, Luis Fakhouri, destacou que uma das decisões mais importantes de Janones foi investir em conteúdos que pudessem ser distribuídos pelos próprios integrantes do canal. Em vez de concentrar a divulgação em publicações destinadas a gerar engajamento dentro de uma rede social, a estratégia estimulava cada participante a encaminhar as mensagens para pessoas de seu círculo de convivência. Os destinatários também eram incentivados a compartilhar o material, criando uma sequência de repasses capaz de ampliar progressivamente o alcance das informações.

A mudança de estratégia ganhou importância porque o Instagram e o WhatsApp apresentam dinâmicas diferentes de circulação de conteúdo. Quando as missões destinadas aos militantes estavam mais concentradas no Instagram, a tendência era que as mensagens alcançassem principalmente pessoas que já acompanhavam páginas políticas ou demonstravam interesse pelo assunto. Ao direcionar os esforços para o aplicativo de mensagens, o grupo passou a ter mais possibilidades de chegar a usuários que não estavam inseridos diretamente nas comunidades digitais da esquerda.

Na avaliação de Fakhouri, esse alcance adicional poderia ser especialmente importante para conversar com eleitores que ainda não haviam definido seu voto. O executivo explicou que muitas dessas pessoas não acompanhavam a política de maneira intensa e, por isso, poderiam não receber determinadas mensagens por meio das redes sociais tradicionais. A distribuição entre contatos pessoais permitia que o conteúdo chegasse a esses eleitores por intermédio de conhecidos, ampliando as oportunidades de exposição às mensagens da campanha.

Resposta de Lula a Flávio Bolsonaro ganhou força na mobilização

Um dos episódios destacados por Fakhouri ocorreu durante o debate da TV Globo, quando Flávio Bolsonaro se referiu a Lula de maneira pejorativa como “nove dedos”. O candidato petista respondeu afirmando que o adversário havia falado “uma grande asneira” e direcionou sua reação à defesa dos trabalhadores submetidos a jornadas exaustivas. Lula também relacionou o episódio à própria história, lembrando o acidente que provocou a amputação do dedo mínimo de sua mão esquerda.

A resposta teve repercussão porque deslocou o foco da provocação para a experiência pessoal de Lula e para a situação de pessoas que convivem com alguma deficiência. O episódio também foi considerado prejudicial à imagem de Flávio, que, em outros momentos da campanha, havia sido acusado de etarismo por fazer comentários sobre a voz do adversário. Lula disputou a eleição aos 80 anos e completou 81 em 27 de outubro, dois dias depois da votação do segundo turno.

Para Fakhouri, conteúdos desse tipo poderiam despertar identificação e emoção em diferentes segmentos da população, especialmente entre pessoas com deficiência ou familiares que convivem com essa realidade. A circulação das mensagens pelo WhatsApp ampliava a possibilidade de que o episódio fosse apresentado a pessoas que não haviam assistido ao debate ou acompanhado sua repercussão. Dessa maneira, a estratégia de compartilhamento poderia transformar uma cena da disputa eleitoral em um argumento capaz de influenciar a percepção de parte do eleitorado.

Conteúdos emocionais poderiam influenciar eleitores indecisos

Fakhouri avaliou que mensagens capazes de provocar compaixão ou indignação tinham potencial para ultrapassar a simples divulgação de informações políticas. Segundo ele, quando uma pessoa recebe um conteúdo que desperta identificação com uma situação de fragilidade, pode desenvolver uma percepção diferente sobre os candidatos envolvidos. No caso do episódio do debate, a interpretação poderia favorecer Lula, apresentado como alvo de um ataque relacionado à sua deficiência, enquanto Flávio aparecia como autor da provocação.

O executivo ressaltou que a repercussão de uma mensagem não significava necessariamente uma mudança automática de voto, mas poderia influenciar decisões de pessoas que ainda estavam indecisas ou pouco mobilizadas para comparecer às urnas. A distribuição em cadeia permitia que esse tipo de conteúdo circulasse para além dos grupos políticos já organizados, alcançando contatos pessoais e ampliando a exposição da mensagem. Na avaliação apresentada, a combinação entre alcance pelo WhatsApp e conteúdos com forte apelo emocional pode ter sido decisiva para fortalecer a mobilização da campanha de Lula no segundo turno.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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