Em entrevista ao Fantástico, Janones contou que durante a campanha de Lula preferia viajar de carro

Durante a campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, o deputado federal André Janones decidiu evitar viagens de avião, pois ficou com medo de perder o acesso à internet. A necessidade de permanecer conectado fez com que ele percorresse cerca de 2 mil quilômetros por semana de carro, segundo relato apresentado em entrevista ao Fantástico. A rotina foi revelada pelo parlamentar ao explicar como manteve o funcionamento de uma estratégia de mobilização digital que ganhou dimensão nacional nas semanas decisivas da disputa.
A informação foi divulgada pelo G1 nesta terça-feira, 3 de novembro de 2026, com base na reportagem exibida pelo Fantástico no domingo, dia 1º. Janones contou que administrava diretamente pelo celular o canal conhecido como “Exército do Lula”, utilizado para distribuir vídeos, mensagens e orientações aos apoiadores do então candidato à reeleição. O deputado afirmou que preferia enfrentar longos deslocamentos terrestres a ficar temporariamente sem conexão durante os voos.
O canal chegou a reunir mais de 10 milhões de participantes nas três semanas anteriores ao segundo turno das eleições presidenciais. A estrutura permitia que Janones publicasse conteúdos e incentivasse os integrantes a compartilhá-los em outras redes e conversas, ampliando a circulação das mensagens da campanha. A entrevista também mostrou aspectos da rotina pessoal do parlamentar e o tempo elevado que ele permanecia diante do telefone, indicando a intensidade do trabalho digital realizado naquele período.
Por que Janones preferia viajar de carro durante a campanha
Janones explicou que a decisão de não utilizar aviões estava diretamente relacionada à necessidade de manter contato permanente com o público que acompanhava o canal. Em sua declaração, afirmou: “Eu tava rodando 2 mil quilômetros por semana de carro, porque eu não tava pegando avião pra não ficar sem internet”. A frase resume a dimensão logística que a estratégia digital assumiu durante a campanha e mostra como a conexão passou a influenciar até mesmo a escolha dos meios de transporte.
Em viagens aéreas, o parlamentar poderia ficar sem acesso à internet durante parte do trajeto, o que dificultaria a administração do canal e a publicação de novos conteúdos. Ao optar pelo carro, ele conseguia manter o aparelho conectado em boa parte dos deslocamentos e continuar acompanhando as atividades digitais. O percurso semanal de aproximadamente 2 mil quilômetros revela que a mobilização não se limitava à gravação de vídeos, pois exigia acompanhamento frequente e disponibilidade para responder às demandas da campanha.
O trabalho também envolvia a produção de vídeos curtos, que eram gravados uma única vez, sem repetição de tomadas, conforme Janones relatou à equipe de televisão. O deputado utilizava o próprio celular para administrar o canal e distribuir as mensagens aos participantes. Esse modelo concentrava nele uma parte importante da operação, já que a publicação dos conteúdos e o incentivo ao compartilhamento dependiam de uma presença constante no ambiente digital.
Exército do Lula reuniu mais de 10 milhões de participantes
O chamado Exército do Lula foi criado por Janones como um canal em um aplicativo de mensagens para organizar a circulação de conteúdos favoráveis à campanha presidencial. Nas três semanas que antecederam o segundo turno, o espaço ultrapassou a marca de 10 milhões de participantes, tornando-se um dos principais instrumentos de mobilização digital ligados à candidatura petista. Os integrantes recebiam vídeos e mensagens e eram incentivados a compartilhar o material com outras pessoas.
A dimensão alcançada pelo canal também colocou a estratégia de Janones no centro de discussões sobre comunicação política e atuação de apoiadores nas plataformas digitais. A mobilização chamou a atenção de veículos de imprensa estrangeiros, e o deputado concedeu entrevistas ao jornal francês Le Monde e ao britânico The Guardian depois da vitória eleitoral de Lula. Janones afirmou que a repercussão internacional não estava entre os resultados que imaginava quando começou a organizar o trabalho.
A atuação digital, contudo, exigia uma dedicação que continuou mesmo depois do encerramento da campanha. Durante a entrevista, o parlamentar mostrou que passava em média 11 horas e 2 minutos por dia utilizando o celular, dado que surgiu quando foi questionado se conseguiria ficar longe do aparelho. Ao ouvir a pergunta sobre a possibilidade de ter o telefone escondido, respondeu que não conseguiria ficar sem ele, evidenciando o espaço que o dispositivo ocupava em sua rotina.
Rotina intensa continuou após a vitória eleitoral
A reportagem também acompanhou compromissos de Janones nos dias posteriores à eleição, quando ele conciliava viagens, entrevistas e atividades políticas. O período foi marcado por uma agenda intensa, com pouco tempo para descanso, mesmo depois da definição do resultado presidencial. O parlamentar relatou que pretendia reduzir o ritmo e recuperar as horas de repouso acumuladas durante a campanha, que havia exigido dedicação diária à mobilização dos apoiadores.
Em uma tentativa de descansar no Rio de Janeiro, Janones conseguiu ir à praia apenas no fim da tarde, quando o local estava praticamente vazio, mas continuou com o celular nas mãos. Ele afirmou que aquela era a primeira oportunidade de parar para descansar desde agosto, período em que a campanha passou a ocupar grande parte de sua rotina. O relato mostra como a atividade digital ultrapassou os compromissos eleitorais e permaneceu presente mesmo nos momentos reservados ao descanso.





