Edinho Silva, presidente nacional do PT, criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes

O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, avaliou que o pedido de apreensão dos passaportes do senador Flávio Bolsonaro foi inoportuno por ter ocorrido poucos minutos depois da divulgação do resultado da eleição presidencial. A declaração foi feita em entrevista ao Poder360, publicada nesta terça-feira, 3 de novembro de 2026, na qual o dirigente petista também esclareceu que sua manifestação se limitava ao aspecto político da medida. Edinho ressaltou que não pretendia contestar juridicamente a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), porque não conhece os elementos que fundamentaram a determinação.
O episódio ocorreu em 25 de outubro, dia em que Luiz Inácio Lula da Silva foi declarado vencedor da disputa presidencial contra Flávio Bolsonaro. O resultado foi divulgado às 21h09, enquanto a representação da Polícia Federal para solicitar a apreensão dos documentos do senador foi assinada às 21h16, apenas sete minutos depois. A proximidade entre os dois acontecimentos foi justamente o ponto destacado por Edinho ao comentar a oportunidade política da iniciativa, sem afirmar que a medida fosse ilegal ou que não existissem fundamentos para sua adoção.
A manifestação do presidente do PT chamou atenção porque partiu de um integrante da direção nacional do partido que venceu a eleição e que, portanto, integra o campo político adversário de Flávio Bolsonaro. Ao fazer a ressalva sobre o momento escolhido para a medida, Edinho separou a avaliação política da análise jurídica e reconheceu que não dispõe de informações suficientes para questionar a necessidade da decisão judicial. A declaração acrescenta um elemento ao debate sobre a atuação das instituições depois da eleição, especialmente diante das controvérsias envolvendo o senador e as determinações do Supremo.
Edinho Silva explica por que considerou a medida inoportuna
Ao comentar a apreensão dos passaportes, Edinho afirmou: “Considero que talvez a decisão tenha sido inoportuna naquele momento”. Na sequência, explicou qual teria sido, em sua avaliação, uma alternativa mais adequada para conduzir a questão, levando em consideração o ambiente político imediatamente posterior à divulgação do resultado eleitoral. “Penso que poderia ter sido mais adequado aguardar a consolidação do resultado eleitoral e, posteriormente, caso houvesse necessidade, adotar as medidas cabíveis”, declarou o presidente nacional do PT.
O dirigente fez questão de esclarecer que sua crítica não representava uma contestação à legalidade da determinação de Alexandre de Moraes. “Quero deixar muito clara essa distinção: estou fazendo uma avaliação política, não jurídica”, afirmou, ao explicar que não teve acesso aos elementos utilizados pelas autoridades para fundamentar o pedido. A observação é importante porque Edinho não declarou que o ministro agiu ilegalmente, mas avaliou que o momento da iniciativa poderia ter sido diferente do ponto de vista político.
Na mesma entrevista, o presidente do PT acrescentou que não tinha condições de questionar a necessidade legal da medida sem conhecer os fundamentos apresentados no procedimento. “Não conheço os elementos que fundamentaram a decisão [de Alexandre de Moraes] e, portanto, não tenho condições de questionar sua necessidade do ponto de vista legal”, disse. Ele também afirmou que o passar do tempo poderá ajudar a esclarecer a escolha daquele momento, ao declarar: “Talvez o tempo permita compreender melhor por que a medida precisou ser tomada exatamente daquela maneira e naquele momento”.
Pedido da Polícia Federal ocorreu minutos depois do resultado eleitoral
A sequência de acontecimentos ajuda a compreender o contexto da declaração de Edinho Silva e a razão pela qual o horário da representação ganhou destaque na entrevista. O resultado da eleição presidencial foi divulgado às 21h09 de 25 de outubro, confirmando a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno. Sete minutos depois, às 21h16, a representação da Polícia Federal solicitando a apreensão dos passaportes do senador foi assinada, dando início à medida que posteriormente seria determinada pelo Supremo Tribunal Federal.
No dia seguinte, 26 de outubro, Flávio foi intimado a entregar os documentos, depois de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília. O senador, entretanto, não entregou os passaportes e deixou o Brasil com a família em 27 de outubro, seguindo para os Estados Unidos. A situação passou a envolver também o cumprimento das determinações judiciais e a apuração das circunstâncias relacionadas à saída do parlamentar do território brasileiro.
A Polícia Federal informou posteriormente que havia solicitado ao STF medidas cautelares depois de identificar risco de saída do país pelo senador, investigado no âmbito de um procedimento que tramita na Corte. Entre as providências solicitadas estavam a apreensão de passaportes, a proibição de deixar o Brasil e restrições de contato com outros investigados, conforme nota divulgada pela corporação. A instituição também informou que os documentos brasileiros de viagem foram cancelados e que foi inserido um alerta migratório, enquanto as autoridades passaram a apurar o descumprimento das determinações judiciais.
Declaração de Edinho separa avaliação política de questionamento jurídico
A fala de Edinho Silva estabelece uma distinção entre o debate sobre a oportunidade política de uma decisão e a análise de sua legalidade, que depende dos fundamentos apresentados no procedimento judicial. O presidente do PT considerou que a apreensão poderia ter ocorrido depois da consolidação do resultado eleitoral, mas não afirmou que Alexandre de Moraes deveria deixar de adotar as providências solicitadas pela Polícia Federal. Essa diferença é central para compreender o alcance da manifestação e evitar que a declaração seja interpretada como uma acusação de ilegalidade contra o ministro.
O episódio também evidencia como decisões judiciais relacionadas a figuras políticas podem produzir repercussões que ultrapassam o próprio processo, especialmente quando acontecem em momentos de forte tensão eleitoral. Ao comentar o caso, Edinho reconheceu que não conhecia os elementos jurídicos que sustentaram a medida e limitou sua manifestação à avaliação sobre o momento escolhido. Assim, a declaração do dirigente petista não representa uma revisão da decisão do Supremo, mas uma crítica política à oportunidade da iniciativa, enquanto os procedimentos e as determinações das autoridades continuam sujeitos aos trâmites legais.





