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Equipe de Flávio Bolsonaro se reúne nesta segunda-feira (5), para acertar os detalhes da nova estratégia

O plano de Flávio Bolsonaro para o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 deverá ter o antipetismo como um dos principais eixos da campanha. A estratégia foi discutida pela equipe do candidato do PL depois de ele terminar o primeiro turno à frente de Lula, consolidando sua passagem para a etapa decisiva da disputa. Segundo a colunista Letícia Casado, do UOL, o objetivo é aproveitar a votação obtida e ampliar a vantagem por meio da atração de eleitores que escolheram outros candidatos na primeira rodada.

A campanha de Flávio avalia que existe espaço para conquistar parte dos votos destinados a Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, candidatos que não avançaram para o segundo turno. Somados, esses três nomes receberam aproximadamente 9 milhões de votos, formando uma parcela relevante do eleitorado que agora poderá ser disputada pelas duas campanhas. Além disso, também estão no radar os brasileiros que votaram em branco ou nulo e aqueles que não compareceram às urnas, grupo que chegou a cerca de 40 milhões de eleitores.

A mensagem de que o Brasil deseja mudança também deverá ser mantida por Flávio durante a nova etapa da campanha. O candidato tem associado essa mudança à possibilidade de retirar o PT do comando do governo federal, utilizando o antipetismo como elemento de aproximação com eleitores de diferentes setores da direita e da centro-direita. Dessa maneira, o discurso eleitoral deverá continuar concentrado na polarização com Lula, agora em uma disputa na qual apenas dois projetos presidenciais permanecem oficialmente na corrida.

Plano de Flávio Bolsonaro mira votos de outros candidatos

A estratégia para o segundo turno parte de uma realidade diferente daquela encontrada na primeira fase da eleição, quando Flávio precisava dividir o eleitorado de direita com outros candidatos. Com a eliminação de Caiado, Zema e Cury, a campanha do PL passou a enxergar uma oportunidade de concentrar parte desse eleitorado em torno de sua candidatura. Entretanto, a transferência automática desses votos não pode ser considerada garantida, já que cada eleitor terá de decidir novamente entre as duas opções que permaneceram na disputa.

A coordenação da campanha está sob responsabilidade do senador Rogério Marinho, do PL do Rio Grande do Norte, que deverá conduzir as discussões sobre as ações para a reta final. Conforme relatado pelo UOL, a equipe considera que o desempenho obtido no primeiro turno criou uma base eleitoral ampla para a segunda etapa. Por isso, a prioridade passou a ser a ampliação desse apoio, principalmente entre eleitores que já demonstraram rejeição ao PT, mas haviam escolhido outras candidaturas.

Ao mesmo tempo, a campanha deverá explorar o resultado obtido por aliados de Flávio nas eleições estaduais. Tarcísio de Freitas foi eleito em São Paulo, Cleitinho Azevedo venceu em Minas Gerais e Douglas Ruas aparece em posição de vitória no Rio de Janeiro, embora a situação deste último dependa da confirmação relacionada à votação de Anthony Garotinho. Com aliados eleitos nos três maiores colégios eleitorais do país, a estrutura política do grupo bolsonarista passou a contar com novos espaços para mobilização durante o segundo turno.

Antipetismo ganha espaço na campanha de Flávio

Outro dado considerado pela campanha é a composição do próximo Senado, onde o PL conquistou 19 cadeiras, enquanto o PT ficou com seis. O resultado ampliou a representação do partido de Flávio na Casa e passou a ser apresentado como parte de um cenário político mais amplo produzido pelas urnas no primeiro turno. Assim, a disputa presidencial ocorrerá paralelamente a uma mudança na composição do Congresso Nacional, que deverá influenciar as articulações políticas a partir de 2027.

A aposta no antipetismo, contudo, não surgiu apenas depois da votação de 4 de outubro. Durante a primeira fase da campanha, Flávio já havia buscado atrair eleitores de direita e centro-direita que rejeitavam o PT, mas ainda consideravam alternativas como Caiado, Zema, Cury e outros candidatos. A estratégia acabou sendo reforçada depois que esses concorrentes não conseguiram avançar para a segunda etapa, deixando Flávio como principal representante desse campo político na disputa presidencial.

Do outro lado, a campanha de Lula também deverá alterar sua estratégia para enfrentar o novo cenário eleitoral. Segundo a Folha, petistas avaliam aumentar a rejeição a Flávio e rever a comunicação da campanha, depois que o presidente terminou o primeiro turno atrás do candidato do PL. Além disso, a busca por apoios de partidos de centro deverá ser intensificada, enquanto os estrategistas petistas avaliam novas formas de atuação nos estados mais importantes eleitoralmente.

Segundo turno coloca estratégias de Flávio e Lula frente a frente

Com apenas Flávio Bolsonaro e Lula na disputa, a campanha presidencial entra em uma fase na qual os dois candidatos terão de disputar diretamente os eleitores que escolheram outras opções no primeiro turno. Flávio pretende transformar o antipetismo em uma das principais ferramentas para ampliar sua votação, enquanto Lula deverá tentar aumentar a rejeição ao adversário e apresentar uma comparação entre os dois projetos políticos. As estratégias, portanto, serão construídas em torno de grupos de eleitores que ainda podem mudar sua escolha até 25 de outubro.

O segundo turno também deverá ser marcado por negociações políticas, mobilização nos estados e tentativa de conquistar os eleitores que não participaram da primeira votação. Para Flávio, a liderança obtida no primeiro turno e o apoio de aliados eleitos em estados importantes formam parte da estrutura que será utilizada na nova etapa. Para Lula, o desafio será reorganizar a campanha, ampliar alianças e buscar votos suficientes entre os eleitores que ficaram fora de sua base no primeiro turno, em uma disputa que agora será definida exclusivamente entre os dois candidatos.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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