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O presidente postou um áudio no canal Exército do Lula pedindo o apoio dos inscritos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou apoiadores a acompanhar a discussão sobre as apostas esportivas no Supremo Tribunal Federal (STF) por meio de um áudio divulgado no canal Exército de Lula, no WhatsApp. Na gravação, publicada nesta terça-feira, 3 de novembro de 2026, o chefe do Executivo pediu que a sociedade civil participasse do debate sobre o futuro das plataformas de apostas no país. A mensagem ganhou destaque porque foi distribuída diretamente em um canal de mobilização política criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que reúne apoiadores do presidente.

Durante o áudio, Lula declarou: “Precisamos que a sociedade civil decida o que a gente tem que fazer com as bets nesse país”. Em seguida, reforçou sua posição contrária ao funcionamento das empresas e defendeu que elas sejam fechadas, classificando a atividade como prejudicial ao país. O presidente também apontou que clubes de futebol e empresários estão entre os setores favoráveis à continuidade das apostas, por obterem ganhos financeiros com o mercado.

A divulgação ocorreu no mesmo dia em que o STF realizou uma audiência pública para debater a medida provisória editada pelo governo federal para proibir as apostas esportivas. O encontro foi convocado pelo ministro Luiz Fux, relator de uma ação que questiona a validade da norma, e reuniu representantes de diferentes setores interessados no assunto. Ao pedir que os apoiadores acompanhassem a discussão, Lula procurou ampliar a participação pública em um debate que poderá influenciar o futuro da regulamentação das bets no Brasil.

Áudio de Lula foi divulgado no canal Exército de Lula

O canal Exército de Lula foi criado por André Janones no WhatsApp e passou a funcionar como uma ferramenta de comunicação direta com apoiadores do presidente. A publicação da gravação permitiu que a mensagem chegasse aos integrantes do grupo sem depender exclusivamente da repercussão em entrevistas, pronunciamentos oficiais ou perfis abertos nas redes sociais. O conteúdo teve como foco a audiência do Supremo e a defesa da posição do governo contra a continuidade das plataformas de apostas.

No áudio, Lula procurou destacar que a discussão não deveria ficar restrita aos representantes de empresas, clubes e entidades econômicas que têm interesse no funcionamento das bets. Ao mencionar esses setores, o presidente sustentou que a sociedade civil também deveria participar da avaliação sobre os efeitos das apostas e sobre a decisão que será tomada pelas instituições. A fala foi apresentada como um chamado à mobilização dos apoiadores, em um momento no qual a medida provisória está sendo contestada judicialmente.

A gravação foi divulgada em um contexto de pressão política e de manifestações públicas sobre a composição da audiência. O presidente demonstrou preocupação com a presença de representantes favoráveis à continuidade das apostas e defendeu que pessoas contrárias às plataformas também fossem ouvidas. A mensagem no WhatsApp, portanto, reforçou uma convocação que ultrapassou os canais institucionais do governo e alcançou uma rede organizada de militantes e apoiadores.

Janones pede mobilização com a hashtag Bets Nunca Mais

Depois da divulgação da mensagem presidencial, André Janones também convocou seus seguidores a participar da mobilização nas redes sociais. O deputado pediu que os apoiadores utilizassem a hashtag #BetsNuncaMais e publicou críticas à organização da audiência conduzida por Luiz Fux. A iniciativa ampliou a repercussão do áudio e associou a manifestação de Lula a uma campanha digital contra a continuidade das empresas de apostas.

Janones questionou a escolha dos participantes convidados para a audiência e afirmou que, inicialmente, a lista reunia principalmente representantes de clubes de futebol, casas de apostas, empresas do setor e da Confederação Brasileira de Futebol. O parlamentar disse que o governo federal não havia sido convidado até a sexta-feira anterior e que, depois de pressão, foram chamados os ministros da Saúde e da Justiça. Em sua publicação, também perguntou por que a sociedade civil não teria sido incluída desde o começo da organização do encontro.

O deputado afirmou ainda que o país deveria ter uma comunicação digital mais ativa, conectada à mobilização nas ruas, e declarou que decisões não deveriam ser tomadas sem participação popular. A fala foi apresentada no contexto da disputa sobre a medida provisória e também como um recado ao Congresso Nacional, responsável por analisar a continuidade da norma. A movimentação nas redes passou a reunir a mensagem de Lula, a convocação de Janones e a hashtag contrária às bets.

Medida provisória ainda depende do Congresso Nacional

A medida provisória que prevê a proibição das apostas esportivas tem validade até 23 de novembro de 2026 e pode ser prorrogada por mais 120 dias, conforme as regras aplicáveis. Para que a restrição se torne definitiva, o texto precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado antes do fim de sua vigência. Assim, além da discussão no Supremo, o futuro da medida também depende da tramitação no Legislativo e da posição dos parlamentares sobre a proposta do governo.

A controvérsia chegou ao STF por meio de uma ação apresentada pela Associação Nacional pela Segurança Jurídica dos Jogos e Apostas (Anseja), que pede a suspensão integral da medida provisória. A entidade argumenta que não havia urgência que justificasse o uso desse instrumento e questiona a possibilidade de tratar o tema por meio de uma medida provisória, além de apontar ausência de estimativa de impacto orçamentário e financeiro. O governo, por sua vez, defende a restrição com o argumento de que as apostas podem causar dependência e comprometer o orçamento das famílias, especialmente as de menor renda.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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