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Polícia Federal descobriu conversas de Roberto Justus cobrando Vorcaro por um negócio milionário

Roberto Justus cobrou Daniel Vorcaro durante meses para resolver um investimento relacionado à SteelCorp, empresa da qual o empresário é sócio e CEO, segundo mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-controlador do Banco Master. As conversas, divulgadas pelo iG e pelo Poder360, mostram que o acordo envolvia valores que chegaram a R$ 130 milhões e que a demora para transformar o investimento em participação societária gerou preocupação com a situação financeira da companhia. O impasse foi acompanhado por sucessivas cobranças de Justus e por tentativas de Vorcaro de encontrar uma solução para a operação.

A negociação havia sido estruturada por meio de uma dívida que poderia ser convertida em participação na SteelCorp, mas a conversão não foi concluída. Além disso, Justus passou a defender o encerramento da relação empresarial e chegou a mencionar a possibilidade de recuperação judicial caso a dívida continuasse registrada no balanço da empresa. Apesar da gravidade da mensagem, as conversas analisadas não indicam ilegalidade na operação nem significam que um pedido de recuperação judicial tenha sido efetivamente apresentado.

O episódio ganhou relevância porque as mensagens mostram, com detalhes, como se desenvolveu a relação empresarial entre dois nomes conhecidos do mercado brasileiro. Em dezembro de 2024, Justus já reclamava da dificuldade de obter respostas de Vorcaro, enquanto, nos meses seguintes, novas cobranças foram feitas para que o investimento fosse regularizado. Posteriormente, uma proposta para encerrar o negócio foi apresentada por Justus, envolvendo o pagamento de R$ 130 milhões em prazo de até cinco anos.

Roberto Justus cobra Vorcaro e tenta resolver o investimento

As cobranças de Roberto Justus começaram antes do episódio de setembro de 2025 que colocou a recuperação judicial nas conversas. Em dezembro de 2024, o empresário afirmou que um contrato havia sido assinado meses antes, mas que o investimento ainda não havia sido efetivamente solucionado, demonstrando insatisfação com a demora e com a dificuldade de contato com Vorcaro. Já em janeiro de 2025, a preocupação passou a envolver também o caixa da SteelCorp, diante de uma dívida de curto prazo que Justus precisava administrar.

Em abril, a situação voltou a ser discutida de maneira mais incisiva, com Justus afirmando que havia assumido compromissos financeiros acreditando na concretização do acordo. O empresário também mencionou uma dívida relacionada aos primeiros R$ 80 milhões e afirmou que o impacto financeiro estava sendo elevado para a companhia. Assim, a conversão do investimento em participação societária passou a ser tratada como uma questão necessária para reorganizar a estrutura financeira da SteelCorp.

As mensagens mostram que a dificuldade de comunicação continuou nos meses seguintes. Em julho e agosto de 2025, Justus voltou a reclamar que não conseguia falar com Vorcaro e cobrou novamente a capitalização que havia sido discutida anteriormente. Dessa forma, quando a conversa de setembro ocorreu, já existia um histórico de meses de negociações e cobranças envolvendo o investimento.

Negócio de R$ 130 milhões vira ponto central

Em 1º de setembro de 2025, Justus procurou Vorcaro para tratar diretamente da situação e demonstrou preocupação com a permanência da dívida no balanço da SteelCorp. Na conversa, ele mencionou a possibilidade de pedir recuperação judicial caso a pendência continuasse sem solução, argumentando que a medida poderia prejudicar tanto a empresa quanto o próprio investimento feito por Vorcaro. A possibilidade foi apresentada no contexto de uma tentativa de pressionar pela resolução do impasse, e não como confirmação de que a companhia entraria em recuperação judicial.

Vorcaro respondeu dizendo que os aportes combinados haviam sido realizados e que a conversão da dívida em participação societária enfrentava obstáculos técnicos e jurídicos. O então banqueiro afirmou que tentaria tratar do problema com a gestora responsável pela operação e indicou que também tinha interesse em concluir a conversão. Portanto, os registros mostram que as duas partes reconheciam a existência do problema, embora apresentassem perspectivas diferentes sobre as razões para a demora.

Poucos dias depois, as conversas avançaram para uma alternativa de saída. Justus apresentou uma proposta pela qual pagaria R$ 130 milhões pela participação em prazo máximo de cinco anos, com pagamentos vinculados a determinadas condições financeiras da empresa e correção pelo IPCA. Também foi discutida a conversão de notas comerciais em uma participação de 30% e, simultaneamente, a recompra dessa participação pelo valor negociado.

Roberto Justus e Vorcaro discutiram saída da SteelCorp

Em 11 de setembro, Justus voltou a falar sobre a situação financeira da SteelCorp e afirmou que a empresa enfrentava dificuldades para honrar compromissos anteriores e obter novos financiamentos. Segundo a mensagem, o empresário considerava necessário preservar a companhia e evitar um aumento do endividamento, ao mesmo tempo em que precisava estruturar recursos para manter as operações. Vorcaro, por sua vez, afirmou que havia entrado no negócio por acreditar em Justus e indicou disposição para deixar a operação sem exigir um prêmio adicional.

A assessoria de Roberto Justus posteriormente esclareceu que a conversão do investimento em participação societária não foi realizada e que Daniel Vorcaro não chegou a se tornar sócio da SteelCorp. Segundo a manifestação enviada ao Poder360, a menção à recuperação judicial foi utilizada como estratégia para tentar solucionar o impasse, e não como anúncio de que a empresa apresentaria um pedido à Justiça. A equipe também afirmou que o objetivo das negociações era encerrar a relação empresarial e preservar a SteelCorp.

As mensagens, portanto, mostram uma negociação empresarial que se prolongou por meses e passou por diferentes alternativas antes de ser encerrada. Embora os valores e as condições tenham sido discutidos detalhadamente, os registros divulgados não são suficientes, isoladamente, para afirmar que todas as etapas da recompra de R$ 130 milhões tenham sido efetivamente concluídas nos termos propostos. Além disso, o conteúdo analisado pelo Poder360 não apontou ilegalidade na operação ou na possibilidade de recuperação judicial mencionada por Justus.

O caso ganhou novo interesse porque as conversas foram encontradas no celular de Daniel Vorcaro durante as investigações relacionadas ao Banco Master. Assim, um negócio privado envolvendo Justus e a SteelCorp passou a integrar o conjunto de informações extraídas do aparelho e posteriormente divulgado pela imprensa. O episódio também evidencia como as mensagens reveladas pela investigação vêm trazendo detalhes sobre diferentes relações empresariais mantidas pelo ex-banqueiro antes da crise do Banco Master.

A história entre Roberto Justus e Daniel Vorcaro, portanto, envolveu um investimento que deveria ser convertido em participação na SteelCorp, mas acabou transformado em uma negociação para encerrar a relação empresarial. Justus cobrou repetidamente a solução, chegou a mencionar a recuperação judicial diante da permanência da dívida no balanço e depois apresentou uma proposta de recompra de R$ 130 milhões. Segundo sua assessoria, o problema foi resolvido antes da liquidação do Banco Master e da prisão de Vorcaro, enquanto as mensagens divulgadas ajudam a reconstruir as etapas desse impasse financeiro.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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