Rogério Marinho comentou sobre a ida de Flávio Bolsonaro para os EUA e ficou emocionado

O senador Rogério Marinho (PL-RN) se emocionou publicamente ao comentar a decisão de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de deixar o Brasil e permanecer nos Estados Unidos depois da derrota na eleição presidencial de 2026. Durante o lançamento de sua candidatura à Presidência do Senado Federal, realizado na quarta-feira (4), em Brasília, o parlamentar demonstrou voz embargada ao mencionar a situação familiar do aliado e justificar sua decisão de viver fora do país. “Não é fácil fazer o que ele fez, cortar os laços e buscar uma vida diferente”, afirmou Marinho, em uma declaração que rapidamente ganhou repercussão no meio político.
Rogério Marinho foi coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e acompanhou diretamente a estratégia eleitoral do senador durante a disputa contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao justificar a saída do aliado, o parlamentar mencionou a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio, que cumpre prisão domiciliar, além da permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. “Olha para o pai preso, com o irmão exilado”, declarou, demonstrando solidariedade ao grupo familiar e questionando as condições políticas e judiciais enfrentadas pelos integrantes da família Bolsonaro.
A manifestação aconteceu em um momento de mudanças importantes para a oposição brasileira, que precisa reorganizar sua atuação depois do resultado das urnas. Enquanto Flávio permanece nos Estados Unidos, Marinho tenta conquistar apoio suficiente para assumir o comando do Senado em fevereiro de 2027, enfrentando a articulação pela reeleição do atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). Assim, o discurso sobre a situação do senador também ocorreu em um evento de natureza eleitoral e partidária, no qual o PL procurou demonstrar unidade e fortalecer sua influência sobre as decisões do Congresso Nacional.
Rogério Marinho defende Flávio Bolsonaro após saída do Brasil
A decisão de Flávio Bolsonaro de viajar para os Estados Unidos aconteceu em 27 de outubro, dois dias depois do segundo turno da eleição presidencial, no qual foi derrotado por Lula. O senador deixou o território brasileiro acompanhado de familiares e passou a permanecer na região de Miami, na Flórida, onde também está seu irmão Eduardo Bolsonaro, que vive no país há mais de um ano. A viagem ganhou repercussão porque ocorreu em meio a determinações judiciais relacionadas à entrega dos passaportes de Flávio, no contexto de investigações conduzidas pelas autoridades brasileiras.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado que Flávio entregasse seus documentos de viagem à Polícia Federal, atendendo a um pedido apresentado no âmbito de uma investigação. Mesmo diante dessa decisão, o senador deixou o Brasil, situação que provocou questionamentos sobre o cumprimento das determinações judiciais e passou a ser explorada por integrantes do governo e da oposição. Rogério Marinho, por sua vez, classificou como inadequada a condução do processo e afirmou que compreendia a decisão do aliado, embora tenha reconhecido anteriormente que não havia sido informado oficialmente sobre a viagem.
Durante o discurso de lançamento de sua candidatura ao Senado, Marinho voltou a questionar o tratamento judicial dispensado ao senador e demonstrou preocupação com a situação enfrentada pela família Bolsonaro. Na avaliação do parlamentar do PL, Flávio decidiu deixar o país porque não considerava que teria garantias de tratamento isonômico perante a Justiça brasileira, interpretação que também foi utilizada por outros integrantes da oposição. Entretanto, essas declarações representam a posição política de Marinho e de seus aliados, enquanto as decisões judiciais e as investigações continuam submetidas aos procedimentos legais e à análise das autoridades competentes.
Candidatura de Rogério Marinho ao comando do Senado ganha força
A manifestação de solidariedade a Flávio Bolsonaro aconteceu justamente quando Rogério Marinho oficializou sua intenção de disputar a Presidência do Senado Federal. O parlamentar do Rio Grande do Norte foi escolhido pelo PL para representar o partido na disputa prevista para fevereiro de 2027, quando os senadores deverão escolher quem comandará a Casa pelos próximos dois anos. Durante o lançamento, a legenda demonstrou apoio à candidatura e informou que pelo menos 33 senadores participaram do encontro que marcou a apresentação do nome de Marinho.
A disputa, entretanto, não será simples, porque Davi Alcolumbre trabalha para permanecer na Presidência do Senado e conta com articulações envolvendo diferentes partidos. O atual presidente da Casa possui interlocução com integrantes do governo Lula, além de buscar apoio de legendas como União Brasil, MDB, PT, PSD e PSB, conforme as movimentações políticas divulgadas. Nesse cenário, a candidatura de Marinho representa uma tentativa do PL de ampliar sua influência sobre o Legislativo e conquistar espaço em decisões importantes para a oposição.
Entre as prioridades defendidas pelo senador está a mudança na condução política do Congresso e a possibilidade de avançar com propostas relacionadas à anistia de condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. O tema interessa diretamente ao grupo bolsonarista porque uma eventual medida poderia beneficiar pessoas condenadas pelos ataques às sedes dos Três Poderes, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, dependendo do alcance do texto aprovado. Marinho também defendeu mudanças nos procedimentos de votação para a escolha do presidente do Senado, argumentando que os parlamentares deveriam assumir publicamente suas posições diante dos eleitores.
Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos amplia tensão entre oposição e STF
A permanência de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos continua provocando repercussões políticas, especialmente porque o senador foi candidato à Presidência da República e recebeu milhões de votos no segundo turno. Sua ausência do cenário político brasileiro presencialmente abre espaço para questionamentos sobre a maneira como pretende exercer a liderança da oposição e manter contato com seus aliados no Congresso Nacional. Ao mesmo tempo, sua aproximação com representantes da direita americana e com integrantes do grupo político de Donald Trump indica que pretende preservar sua atuação no ambiente conservador internacional.
A defesa pública feita por Rogério Marinho também evidencia que a situação de Flávio permanece como um assunto importante para o PL, mesmo depois do encerramento da disputa presidencial. Enquanto o senador busca consolidar sua permanência nos Estados Unidos, seus aliados tentam reorganizar a oposição no Brasil e disputar posições estratégicas no Legislativo, especialmente a Presidência do Senado. O resultado dessa articulação poderá influenciar os próximos embates entre Congresso, governo federal e Supremo Tribunal Federal, enquanto as questões judiciais envolvendo integrantes da família Bolsonaro continuam em discussão.





