O ex-prefeito Eduardo Paes postou um vídeo pedindo segundo turno no Rio de Janeiro

O ex-prefeito do Rio de Janeiro e ex-candidato ao governo estadual, Eduardo Paes (PSD), voltou a se manifestar sobre o resultado das eleições de 2026 e defendeu a realização de um segundo turno para definir o próximo governador fluminense. Em vídeo publicado nas redes sociais na terça-feira, 3 de novembro, o político afirmou que a população do estado tem o direito de retornar às urnas, argumentando que nenhum candidato teria alcançado a maioria absoluta dos votos na votação original. A declaração ocorreu depois que Paes havia reconhecido sua derrota na disputa, mas indicou que a discussão jurídica sobre o resultado eleitoral ainda não foi encerrada.
Durante a manifestação, Paes explicou que decidiu permanecer em silêncio sobre a controvérsia eleitoral para evitar que o questionamento sobre a eleição estadual interferisse na disputa presidencial. Segundo ele, o país precisava realizar a votação para presidente com tranquilidade, sem que a discussão envolvendo o governo do Rio de Janeiro provocasse novos conflitos políticos naquele momento. Entretanto, depois do encerramento da eleição presidencial, o ex-prefeito afirmou que considerava necessário retomar publicamente o assunto e explicar por que seu partido continua questionando a decisão da Justiça Eleitoral.
A controvérsia envolve a anulação dos votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos), que também disputou o governo fluminense e terminou a votação em terceiro lugar. A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retirou 274.411 votos da contagem considerada válida, alterando o percentual dos demais candidatos e permitindo que Douglas Ruas (PL) fosse declarado vencedor ainda no primeiro turno. Entretanto, o PSD sustenta que os votos recebidos por Garotinho deveriam ser considerados na análise da necessidade de uma segunda votação, argumento que agora está sendo apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Após reconhecer derrota, Eduardo Paes retoma pedido de segundo turno
No vídeo divulgado nas redes sociais, Eduardo Paes afirmou que a população fluminense não escolheu necessariamente um governador no primeiro turno, mas manifestou nas urnas a necessidade de uma segunda votação. Para sustentar sua posição, o ex-prefeito mencionou a regra constitucional que determina a realização de segundo turno quando nenhum candidato alcança mais da metade dos votos válidos nas eleições para governador em estados com mais de 200 mil eleitores. Na avaliação apresentada por ele, a exclusão posterior dos votos de Garotinho modificou o resultado da disputa e impediu que os eleitores participassem de uma nova etapa eleitoral.
Paes também declarou que sua campanha havia alertado anteriormente sobre a situação jurídica de Anthony Garotinho, argumentando que o ex-governador estava com os direitos políticos suspensos e não poderia participar normalmente da eleição. Apesar das críticas à situação que permitiu a candidatura, o político afirmou que não responsabiliza diretamente a Justiça Eleitoral, pois considera que a legislação permite esse tipo de situação durante o processo eleitoral. Dessa forma, sua manifestação procurou concentrar a discussão na validade dos critérios utilizados para definir o resultado e na possibilidade de uma nova votação.
Os números da eleição ajudam a compreender o motivo da contestação apresentada pelo PSD, já que Douglas Ruas recebeu 4.271.199 votos, correspondentes a 49,27% dos votos válidos na contagem original, enquanto Eduardo Paes obteve 3.706.984 votos, ou 42,76%. Anthony Garotinho, por sua vez, recebeu 274.411 votos, equivalentes a aproximadamente 3,17% da votação, antes de seus votos serem anulados pelo TSE. Com a retirada desses números da base de cálculo, o percentual de Ruas foi elevado para aproximadamente 50,9%, permitindo que ele fosse considerado eleito no primeiro turno, sem a necessidade de uma disputa adicional.
Disputa no STF pode definir futuro da eleição no Rio de Janeiro
A discussão chegou ao Supremo Tribunal Federal por meio de uma ação apresentada pelo PSD, partido de Eduardo Paes, que questiona os efeitos da decisão do TSE sobre o resultado eleitoral. A legenda argumenta que a exclusão dos votos de Anthony Garotinho viola princípios constitucionais relacionados à soberania popular, ao sufrágio universal e à democracia, uma vez que a população compareceu às urnas e registrou suas escolhas. O processo está sob a relatoria do ministro Cristiano Zanin, que solicitou informações e manifestações de órgãos envolvidos antes de avançar na análise do pedido.
Entretanto, um posicionamento apresentado pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, acrescentou uma dificuldade importante para a realização de uma nova votação no estado. Em manifestação encaminhada ao Supremo, ele afirmou que não seria mais tecnicamente possível organizar um segundo turno dentro do prazo disponível, considerando os procedimentos necessários para preparar e fiscalizar os equipamentos eleitorais. Entre essas etapas estão a geração de novas mídias, a preparação das urnas eletrônicas, a realização de novas cargas e a lacração dos equipamentos, atividades que precisam seguir procedimentos públicos de auditoria e fiscalização.
A posição do TSE representa um obstáculo para a proposta defendida por Paes, embora a discussão sobre a validade dos argumentos apresentados pelo PSD dependa da análise do Supremo Tribunal Federal. O partido pretende demonstrar que a decisão de retirar os votos de Garotinho do cálculo da maioria absoluta produziu consequências que, na interpretação da legenda, não deveriam impedir a realização do segundo turno. Portanto, o julgamento poderá ter importância não apenas para a disputa política fluminense, mas também para a discussão jurídica sobre os efeitos da anulação de votos em eleições majoritárias.
Douglas Ruas é declarado vencedor após anulação dos votos de Garotinho
A origem do impasse está na decisão tomada pelo plenário do Tribunal Superior Eleitoral em 8 de outubro, quando os ministros rejeitaram, por cinco votos a dois, a possibilidade de validar a candidatura de Anthony Garotinho. A maioria entendeu que a situação jurídica do ex-governador impedia o reconhecimento de sua participação regular na disputa, uma vez que ele havia sido condenado por improbidade administrativa e estava inelegível. Posteriormente, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro realizou a retotalização dos votos, procedimento que modificou os percentuais da eleição e resultou na declaração de Douglas Ruas como vencedor no primeiro turno.
Depois da retotalização, Eduardo Paes chegou a reconhecer publicamente que respeitaria a decisão judicial, embora tenha afirmado que discordava do entendimento adotado pela Justiça Eleitoral. Agora, com a retomada das manifestações públicas e a continuidade da ação apresentada pelo PSD, o ex-prefeito tenta manter a discussão sobre a possibilidade de uma segunda votação no centro do debate político. Enquanto isso, Douglas Ruas já foi declarado eleito e iniciou a preparação de sua equipe de governo, mas o questionamento apresentado ao Supremo mantém em discussão os desdobramentos jurídicos da eleição para o governo do Rio de Janeiro.





