Flávio Bolsonaro disse que disputaria a presidência novamente, caso o pai continue inelegível

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) comentou a possibilidade de disputar a Presidência da República com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), nas eleições de 2030. Em entrevista concedida à Folha de S.Paulo, em Miami, nos Estados Unidos, o senador afirmou que não descarta apresentar seu nome para a próxima corrida presidencial caso seu pai, Jair Bolsonaro, continue impedido de concorrer. A declaração ocorre em um momento de reorganização da direita brasileira depois da derrota eleitoral de 2026 para Luiz Inácio Lula da Silva.
O parlamentar deixou claro que considera legítima uma eventual candidatura de Tarcísio, mas também pretende disputar o comando do Palácio do Planalto se tiver interesse e receber o apoio necessário do Partido Liberal. Ao comentar as possibilidades eleitorais, afirmou que todos têm o direito de apresentar seus nomes, indicando que não pretende abrir mão de uma eventual participação na disputa por causa da presença de outras lideranças conservadoras. Flávio também revelou que já conversou com o governador paulista sobre suas próprias intenções políticas para os próximos anos.
Apesar de admitir a possibilidade de concorrer contra Tarcísio, o senador ressaltou que Jair Bolsonaro continua sendo sua primeira escolha para representar o grupo político nas eleições presidenciais. Segundo ele, caso o ex-presidente consiga recuperar a elegibilidade, não haverá motivo para apresentar uma candidatura própria, pois pretende apoiar o pai. A declaração demonstra que Flávio tenta manter a referência política familiar enquanto deixa aberta a possibilidade de assumir o protagonismo da direita em um cenário no qual Jair permaneça fora das disputas eleitorais.
Flávio Bolsonaro admite possibilidade de disputar com Tarcísio
Ao abordar diretamente uma eventual candidatura de Tarcísio de Freitas, Flávio Bolsonaro afirmou que não considera a presença do governador nas eleições de 2030 um impedimento para seus próprios planos. O senador explicou que conversou com o chefe do Executivo paulista depois do resultado eleitoral e comunicou que pretende concorrer caso as condições políticas permitam. “Todos podem se candidatar. Se houver eleição antes, tenho esse direito; em 2030, também, se eu quiser e o partido concordar”, declarou durante a entrevista.
A manifestação também evidencia que ainda não existe uma definição sobre quem será o principal representante da direita na próxima eleição presidencial, especialmente diante das diferentes forças políticas que tentam ocupar esse espaço. Tarcísio foi apontado como uma das alternativas do campo conservador depois da derrota de Flávio para Lula, enquanto o senador procura preservar sua influência entre os apoiadores do bolsonarismo. A possibilidade de uma disputa entre os dois, portanto, poderá se tornar um dos assuntos centrais das articulações políticas nos próximos anos.
Flávio também comentou a postura de Tarcísio diante do resultado das eleições de 2026, uma vez que o governador reconheceu a vitória de Lula no segundo turno. O senador afirmou que discorda dessa posição, mas procurou demonstrar que as divergências não significam necessariamente um rompimento político com o chefe do Executivo paulista. “Eu não concordo, não sou obrigado a concordar com tudo que ele fala”, declarou, deixando evidente que existem diferenças de avaliação entre os dois sobre o cenário político nacional.
Jair Bolsonaro continua sendo a primeira opção do senador
Mesmo ao admitir que poderá disputar a Presidência em 2030, Flávio fez questão de reafirmar que seu pai continua sendo o nome preferido para representar o grupo político. O senador afirmou que não pretende concorrer caso Jair Bolsonaro consiga recuperar seus direitos políticos e esteja autorizado a participar da próxima eleição presidencial. “É o meu candidato”, declarou ao falar sobre o ex-presidente, reforçando que uma eventual candidatura própria dependerá diretamente da situação jurídica e eleitoral do pai.
Jair Bolsonaro permanece inelegível e foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado. Nesse contexto, Flávio considera a possibilidade de assumir a representação eleitoral do bolsonarismo, embora ainda dependa de uma decisão partidária e das articulações com outras lideranças conservadoras. A situação também coloca Tarcísio de Freitas entre os nomes que poderão disputar o apoio dos partidos e dos eleitores identificados com a oposição ao governo federal.
Durante a entrevista, o senador também falou sobre sua permanência nos Estados Unidos, para onde viajou com a esposa e as filhas em 28 de outubro de 2026. Questionado sobre quem organizou e financiou o deslocamento, afirmou que não pretende comentar o assunto, mas garantiu que continuará exercendo suas atividades parlamentares. Flávio declarou que poderá participar virtualmente das sessões do Senado sempre que houver essa possibilidade, descartando, portanto, a intenção de renunciar ao mandato.
Senador critica retorno do pai ao Brasil e fala sobre eleições
Outro assunto abordado por Flávio foi a decisão de Jair Bolsonaro de retornar ao Brasil em março de 2023, depois de passar aproximadamente três meses nos Estados Unidos após a derrota eleitoral de 2022. Na avaliação do senador, o pai cometeu um erro ao voltar ao país naquele momento, principalmente diante dos acontecimentos posteriores envolvendo o ex-presidente. “Eu aprendo com os erros e os acertos do presidente Bolsonaro, e não vou cometer o mesmo erro”, afirmou ao explicar sua decisão de permanecer nos Estados Unidos.
O parlamentar também voltou a questionar o processo eleitoral de 2026, mas admitiu que não possui provas para sustentar as suspeitas de fraude que havia mencionado anteriormente. “Não tenho provas e nem terei, porque é proibido investigar esse assunto”, declarou, atribuindo a ausência de evidências à impossibilidade de realizar uma investigação sobre as alegações. As declarações reunidas na entrevista mostram que Flávio pretende continuar atuando politicamente mesmo no exterior, enquanto mantém aberta a possibilidade de disputar a Presidência em 2030.





