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A advogada Maria Cláudia Bucchianeri afirmou que Janones apagou fake news postadas no canal que criou

A advogada Maria Claudia Bucchianeri, que representa a campanha de Flávio Bolsonaro (PL), afirmou que a equipe técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não identificou conteúdos falsos no canal Exército do Lula porque mensagens teriam sido apagadas por André Janones (Rede-MG). A declaração foi divulgada pelo blog de Andreia Sadi, do G1, em reportagem publicada nesta quarta-feira, 14 de outubro de 2026, em meio à disputa judicial envolvendo o canal de WhatsApp utilizado para mobilizar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A defesa de Flávio sustenta que a exclusão de publicações teria dificultado a verificação das acusações apresentadas à Justiça Eleitoral.

O canal, administrado por Janones, chegou a reunir milhões de seguidores e se tornou um instrumento de mobilização digital na campanha de Lula durante o segundo turno presidencial. A campanha de Flávio questionou a divulgação de mensagens que, segundo seus representantes, continham informações falsas ou já haviam sido objeto de decisões anteriores da Justiça Eleitoral. A controvérsia ganhou força depois que o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão temporária da ferramenta, medida que foi posteriormente revertida pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.

A equipe técnica do tribunal analisou mensagens de texto e vídeos publicados no canal entre 2 e 11 de outubro, mas não encontrou reproduções das afirmações específicas investigadas no processo. O relatório, entretanto, registrou ressalvas sobre a possibilidade de conteúdos terem sido apagados, o que limitava a capacidade de reconstruir todo o histórico das publicações. A advogada de Flávio utilizou essa circunstância para defender a tese de que a ausência de mensagens identificadas pela equipe técnica não significava, necessariamente, que os conteúdos questionados nunca tivessem circulado no canal.

Defesa de Flávio aponta exclusão de mensagens e dificuldades de fiscalização

Segundo a advogada, a campanha de Flávio havia alertado a Justiça Eleitoral sobre uma suposta estratégia de exclusão sistemática de mensagens e comandos publicados no Exército do Lula. A representação sustentava que essa prática poderia dificultar o trabalho de fiscalização do tribunal e impedir que as autoridades tivessem acesso a todo o material divulgado aos seguidores. A defesa também afirmou que havia realizado um espelhamento do canal para preservar registros das publicações e que pretendia encaminhar esse material à Justiça Eleitoral.

Maria Claudia Bucchianeri argumentou que o grande volume de mensagens dificultava a apresentação individualizada de todos os conteúdos na ação inicial. Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo sobre o caso, a advogada declarou que o espelhamento em tempo real poderia contribuir para a análise das publicações, embora também tenha reconhecido que conteúdos apagados rapidamente talvez não tivessem sido preservados. A campanha de Flávio afirmou ainda que a retirada de mensagens e do histórico do canal teria comprometido a possibilidade de comprovar as acusações com base nos registros disponíveis ao tribunal.

A defesa do candidato do PL também questionou a forma como o material foi analisado pela equipe técnica do TSE, argumentando que a investigação dependia dos dados que permaneceram acessíveis. A campanha sustentou que a ausência de publicações identificadas no período examinado deveria ser considerada à luz da alegada exclusão de conteúdos anteriores. Essas afirmações fazem parte da argumentação dos representantes de Flávio e não constituem, por si só, uma conclusão judicial de que Janones apagou mensagens para impedir a fiscalização ou de que as publicações apontadas efetivamente circularam no canal.

O que o relatório técnico do TSE identificou

O relatório da Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do TSE informou que não foram localizadas, entre as publicações examinadas de 2 a 11 de outubro, reproduções idênticas ou substancialmente equivalentes às afirmações questionadas no processo. A análise envolveu mensagens de texto e vídeos disponíveis no canal Exército do Lula, criado para divulgar conteúdos favoráveis ao presidente e incentivar a participação de seus apoiadores na campanha. A equipe técnica também registrou que a ausência das mensagens investigadas no material acessível não eliminava a possibilidade de conteúdos terem sido apagados anteriormente.

Além da análise sobre as alegações específicas de desinformação, o relatório apontou o emprego recorrente de linguagem polarizadora e a existência de atuação coordenada para disseminar conteúdos. Essas observações foram apresentadas como aspectos da dinâmica de funcionamento do canal, mas não equivalem à confirmação de que as fake news apontadas pela campanha de Flávio tenham sido encontradas durante a investigação. A distinção é importante porque a análise técnica examinou o material disponível no período delimitado, enquanto a defesa do candidato argumentou que a exclusão de mensagens poderia ter deixado lacunas no histórico.

A controvérsia também envolveu decisões diferentes dentro do próprio TSE sobre a suspensão da ferramenta. Kassio Nunes Marques determinou inicialmente a retirada temporária do canal, mas Ricardo Villas Bôas Cueva reverteu a medida e permitiu sua continuidade, com restrições relacionadas à republicação de conteúdos previamente barrados. A sequência de decisões aumentou a discussão sobre os critérios utilizados para restringir canais políticos e sobre a necessidade de preservar provas digitais antes de determinar medidas que afetem a comunicação eleitoral.

Disputa judicial envolve Janones, Lula e a campanha do PL

A campanha de Flávio apresentou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral contra Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e Janones, alegando possíveis irregularidades na divulgação coordenada de conteúdos políticos. Entre os pedidos estavam medidas contra o canal de WhatsApp e publicações associadas à mobilização digital, além da preservação de dados que pudessem contribuir para a investigação. O corregedor-geral eleitoral solicitou informações complementares e arquivos digitais organizados para permitir a análise das acusações e assegurar o direito de defesa dos envolvidos.

Janones, por sua vez, contestou as medidas contra o canal e questionou os fundamentos utilizados para justificar a suspensão. O deputado sustentou que a ferramenta servia para organizar apoiadores de Lula e divulgar materiais de campanha, enquanto a defesa de Flávio afirma que o conteúdo e o funcionamento do grupo precisam ser examinados à luz das regras eleitorais. Até a divulgação das informações sobre o relatório técnico, não havia uma conclusão definitiva que confirmasse a acusação de que mensagens teriam sido apagadas deliberadamente para ocultar notícias falsas.

O caso evidencia o desafio de investigar conteúdos digitais que podem ser publicados, compartilhados e removidos em curtos intervalos, especialmente durante uma campanha presidencial. Enquanto a defesa de Flávio sustenta que mensagens apagadas explicariam o resultado da análise técnica, o relatório do TSE registra que os conteúdos específicos investigados não foram encontrados no material examinado. O desfecho dependerá da avaliação das provas apresentadas, da preservação dos registros digitais e das decisões da Justiça Eleitoral sobre as responsabilidades atribuídas aos envolvidos.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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