A campanha de Lula acredita que os campões de voto da esquerda ajudarão o presidente neste segundo turno

A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva decidiu ampliar a atuação nas redes sociais durante o segundo turno das eleições de 2026 e convocou políticos da esquerda com votações expressivas para uma reunião em Brasília. O encontro está previsto para a manhã de quinta-feira, 8 de outubro, e deverá discutir uma estratégia conjunta para a atuação digital nas próximas semanas. A iniciativa ocorre depois de Lula terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro e anunciar uma nova fase da campanha com maior atenção aos canais digitais.
A mobilização foi descrita como uma espécie de “guerra nas redes”, com a participação de parlamentares que conseguiram construir grandes públicos durante as eleições. Entre os nomes que aparecem na articulação estão Erika Hilton, do PSOL de São Paulo, e Ana Elisa Santos Silva, do PT de Minas Gerais, ambas eleitas para a Câmara dos Deputados. A intenção é aproveitar o alcance desses políticos para ampliar a circulação de conteúdos e estabelecer uma atuação coordenada no ambiente virtual.
A escolha dos chamados puxadores de voto está relacionada também ao desempenho obtido por esses parlamentares nas urnas e à capacidade de comunicação construída na internet. Erika Hilton recebeu mais de 1,5 milhão de votos e tornou-se a mulher mais votada da história da Câmara, enquanto Ana Elisa recebeu 524 mil votos em Minas Gerais. A deputada mineira, de 21 anos, também passou a ter mais de 2,4 milhões de seguidores após a eleição, segundo o UOL.
Guerra nas redes ganha espaço na campanha
Erika Hilton possui mais de 1 milhão de seguidores no X e deverá participar da articulação voltada à comunicação digital. A parlamentar passou a ser considerada pela campanha como um dos nomes com capacidade de alcançar um público amplo por meio das plataformas digitais. Com isso, a estratégia pretende integrar políticos com grande presença na internet em torno das mensagens que serão divulgadas durante o segundo turno.
Ana Elisa também ganhou espaço nessa discussão depois de realizar uma campanha fortemente baseada na internet. Em uma publicação feita após o primeiro turno, ela afirmou que não existe mais separação entre as redes sociais e as ruas e defendeu que a esquerda compreenda a importância da comunicação digital. A declaração ganhou repercussão dentro do próprio campo político e passou a ser considerada no debate sobre os caminhos da campanha no segundo turno.
Durante a campanha eleitoral, Ana Elisa também atuou ao lado de Guilherme Cortez, do PSOL, que foi eleito deputado federal por São Paulo com 275 mil votos. A atuação dos dois esteve concentrada em estratégias de comunicação pela internet, acompanhando uma tendência observada em diferentes campanhas para a Câmara. O resultado eleitoral de Ana Elisa reforçou a atenção sobre o uso das redes sociais para alcançar eleitores durante uma disputa nacional.
Campanha busca ampliar mobilização eleitoral
Outro nome que deverá participar da mobilização é Sâmia Bomfim, do PSOL de São Paulo, que recebeu 583 mil votos em 2026, contra 226 mil em 2022. Depois do resultado, a deputada colocou-se à disposição para participar da campanha pela reeleição de Lula. Segundo declaração reproduzida pelo UOL, Sâmia defendeu esforços para combater o desânimo, buscar votos e reduzir o número de eleitores que não comparecerão às urnas.
A abstenção do primeiro turno chegou a aproximadamente 33,4 milhões de eleitores, correspondente a 21,08% do eleitorado, conforme os dados citados na reportagem. Por isso, convencer parte dessas pessoas a comparecer às urnas em 25 de outubro tornou-se uma das frentes da campanha petista. A atuação nas redes deverá ser utilizada também para divulgar mensagens destinadas a esse público e estimular a participação no segundo turno.
A estratégia digital será desenvolvida paralelamente à propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, que será retomada na sexta-feira, 9 de outubro. Flávio Bolsonaro terá 12 minutos e 30 segundos, seguido por Lula com o mesmo tempo, conforme o plano de mídia aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Dessa forma, a disputa do segundo turno terá simultaneamente a presença das campanhas nas plataformas digitais, na televisão e no rádio.
Redes sociais terão papel central no segundo turno
A campanha de Lula também começou a divulgar conteúdos sobre possíveis mudanças em programas e medidas sociais caso Flávio Bolsonaro seja eleito. Publicações compartilhadas por integrantes da campanha passaram a relacionar a eleição com temas como saúde pública e programas sociais mantidos durante os governos de Lula. Essas mensagens fazem parte da estratégia de comunicação adotada pelo PT para o segundo turno e estão sendo direcionadas especialmente aos eleitores que podem ser mobilizados nas redes.
Paralelamente, o deputado André Janones ampliou a estrutura digital do chamado Exército do Lula, canal criado no WhatsApp para reunir apoiadores e distribuir conteúdos. Segundo a Folha, o grupo passou de cerca de 50 mil integrantes antes do primeiro turno para mais de 1 milhão de membros até 6 de outubro. A movimentação ocorre no mesmo momento em que a campanha oficial procura reunir parlamentares e influenciadores para ampliar a presença de Lula nas redes sociais durante a segunda etapa da eleição.





