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A defesa de Flávio Bolsonaro decidiu entrar com uma ação no TSE contra a campanha de Lula

A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após acusar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de organizar uma mobilização digital para aumentar artificialmente as buscas pela frase “Bolsonaro mandou matar Lula”. A iniciativa teria sido coordenada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), administrador do canal de WhatsApp Exército do Lula, que reúne milhões de apoiadores do petista. Na ação, os advogados de Flávio questionaram a utilização de pesquisas no Google e de hashtags nas redes sociais para ampliar a visibilidade de conteúdos negativos associados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

A representação foi apresentada em 20 de outubro, depois de uma mobilização que, segundo a defesa do senador, buscava influenciar os algoritmos das plataformas digitais às vésperas do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro. Os advogados afirmaram que participantes do canal receberam orientações para pesquisar termos específicos e divulgar publicações relacionadas ao assunto no X, antigo Twitter. A acusação se baseia em mensagens e áudios atribuídos a Janones, além de dados que indicariam um crescimento expressivo do interesse pela frase nos mecanismos de busca.

Segundo reportagem do UOL publicada em 21 de outubro, a expressão alcançou aproximadamente 500 mil pesquisas em um período de 24 horas, com aumento estimado em 1.000%, conforme dados do Google Trends citados na matéria. A campanha de Flávio interpretou essa elevação como indício de uma estratégia organizada para fazer o tema aparecer entre os assuntos de maior destaque nas plataformas. A acusação, porém, representa a versão apresentada pelos advogados do candidato e depende da análise das autoridades eleitorais, não equivalendo a uma decisão judicial que tenha comprovado irregularidade.

Flávio questiona mobilização organizada por André Janones

A ação apresentada ao TSE aponta que Janones teria orientado os integrantes do Exército do Lula a pesquisar a frase sobre Bolsonaro e a publicar hashtags relacionadas ao assunto em horários determinados. Conforme a petição, a mobilização ocorreu na tarde de 20 de outubro e teria como objetivo elevar a relevância do termo nos sistemas de busca e nos rankings de assuntos comentados. Os advogados também afirmaram que o deputado pretendia propor novas expressões para pesquisas a cada 24 horas até a votação do segundo turno.

A defesa de Flávio citou ainda a atuação de outras páginas e grupos que teriam divulgado links direcionados para facilitar a realização das buscas. Entre os nomes mencionados na representação estão a página Lulaverso Oficial e um grupo identificado como Lulaverso, apontados pelos advogados como participantes da circulação do conteúdo. Na avaliação da campanha, a combinação de pesquisas coordenadas e publicações em redes sociais poderia fazer uma mobilização organizada parecer um aumento espontâneo do interesse dos usuários.

O caso também trouxe novamente à discussão mensagens atribuídas a Janones sobre o funcionamento das tendências no X. Em um áudio divulgado anteriormente no canal, o deputado explicou que hashtags com palavras em comum poderiam ser agrupadas pela plataforma, permitindo que uma expressão com maior volume de publicações ganhasse destaque em relação a outra. A campanha de Flávio utilizou esse tipo de orientação para sustentar sua acusação de manipulação de tendências, enquanto a eventual caracterização jurídica da conduta depende da avaliação dos elementos apresentados à Justiça Eleitoral.

O que a campanha de Lula e as plataformas informaram

O UOL informou que procurou a campanha de Lula para comentar as acusações, mas a reportagem publicada em 21 de outubro registrava que ainda não havia recebido uma manifestação até aquele momento. Por isso, não é possível apresentar a versão da equipe petista como se houvesse uma resposta oficial incluída na matéria original. A ausência de manifestação registrada naquela publicação também não significa, por si só, que as acusações tenham sido comprovadas ou que a campanha tenha reconhecido qualquer irregularidade.

A representação questionou ainda a avaliação da Meta, empresa responsável pelo WhatsApp, segundo a qual não teriam sido identificados sinais de comportamento coordenado no canal Exército do Lula. Os advogados de Flávio pediram esclarecimentos sobre os critérios utilizados pela companhia e sobre as medidas adotadas diante das mensagens citadas no processo. A disputa envolve, assim, tanto a conduta atribuída aos participantes do grupo quanto a responsabilidade das plataformas em identificar possíveis tentativas de manipular artificialmente a circulação de conteúdos.

O episódio faz parte de uma sequência de controvérsias envolvendo o Exército do Lula e decisões do TSE sobre o funcionamento do canal. Em outubro, medidas judiciais divergentes determinaram a suspensão e, posteriormente, o restabelecimento da ferramenta, enquanto a Corte discutia as regras aplicáveis a canais de mensagens vinculados a campanhas eleitorais. O tribunal também debateu a diferença entre apoio espontâneo de usuários e uma atuação que possa caracterizar vínculo formal ou coordenação com uma candidatura.

Frase pesquisada remete a investigação sobre plano contra autoridades

A expressão que ganhou destaque nas buscas está relacionada ao plano conhecido como Punhal Verde e Amarelo, identificado pela Polícia Federal durante as investigações sobre a tentativa de golpe após as eleições de 2022. O planejamento previa ações contra o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. A Procuradoria-Geral da República sustentou que Bolsonaro tinha conhecimento do plano e havia concordado com ele, enquanto a defesa do ex-presidente negou participação nas ações descritas pela investigação.

É importante distinguir as acusações e os elementos reunidos nas investigações de uma condenação específica por ordenar o assassinato de Lula. A frase impulsionada nas buscas apresenta uma conclusão categórica, mas a reportagem também registra que a ferramenta de inteligência artificial do Google esclarecia não haver condenação judicial que comprovasse uma ordem direta de Bolsonaro para matar o presidente. A disputa levada ao TSE por Flávio Bolsonaro concentra-se na alegada mobilização coordenada para ampliar a circulação dessa expressão, em um momento de forte disputa política antes da votação de 25 de outubro.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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