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A Globo quer evitar alguns problemas que foram registrados no debate da Band

A TV Globo definiu novas regras para o debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), marcado para esta sexta-feira, 23 de outubro, dois dias antes do segundo turno das eleições presidenciais. Diferentemente do encontro realizado pela Band, os candidatos não terão autorização para circular livremente pelo estúdio durante todas as etapas do programa. A mudança ocorre depois da repercussão da estratégia adotada por Flávio no debate anterior, quando o senador se posicionou atrás de Lula enquanto o presidente fazia suas considerações e outras intervenções.

Nos três primeiros blocos do debate da Globo, o candidato que estiver com a palavra poderá se movimentar livremente pelo cenário, enquanto o adversário deverá permanecer em seu púlpito até chegar o momento de falar. No quarto bloco, que terá tema livre, cada candidato poderá circular livremente pelo próprio lado do cenário, mantendo uma área delimitada para sua participação. As regras foram divulgadas pela emissora nesta quinta-feira, 22, e estabelecem uma dinâmica diferente daquela observada no confronto realizado pela Band.

O debate será realizado nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, a partir das 21h20, logo após o Jornal Nacional, com mediação do jornalista César Tralli. O encontro será dividido em quatro blocos de perguntas e respostas, além das considerações finais dos candidatos, e terá três etapas com temas determinados e uma fase dedicada à discussão livre. A transmissão será feita simultaneamente pela TV Globo, pela GloboNews e pelo g1, enquanto o Terra informou que fará acompanhamento em tempo real e checagem das informações apresentadas pelos presidenciáveis.

Como funcionará a circulação dos candidatos

A restrição à movimentação foi estabelecida depois de uma situação ocorrida no debate da Band, realizado no último domingo, 18. Na ocasião, Flávio Bolsonaro se posicionou atrás de Lula em diferentes momentos enquanto o presidente falava, comportamento que provocou reclamações da equipe petista e levou a mediadora Adriana Araújo a pedir que o senador deixasse Lula concluir suas considerações finais. A movimentação também gerou discussões entre integrantes das campanhas e membros da organização do programa.

Na Globo, o candidato que estiver falando poderá utilizar o espaço do cenário, mas o adversário terá de permanecer no púlpito durante os três primeiros blocos. A medida busca estabelecer uma separação física mais clara entre os dois participantes enquanto eles apresentam perguntas, respostas, réplicas e tréplicas. Dessa maneira, a emissora pretende evitar que um candidato se aproxime do outro enquanto ele estiver com a palavra, mantendo a dinâmica dentro dos limites previamente estabelecidos.

No quarto bloco, porém, haverá uma diferença em relação às etapas anteriores, já que os dois candidatos terão liberdade para se movimentar dentro de seus respectivos lados do cenário. Essa parte será dedicada ao tema livre e permitirá intervenções sem limite, segundo as regras divulgadas pela emissora. Cada candidato terá oito minutos de fala nessa etapa, o que dará mais espaço para confrontos diretos e para a escolha dos assuntos considerados prioritários pelas próprias campanhas.

Regras dividem o debate em quatro blocos

O primeiro bloco terá seis rodadas com assuntos relacionados às diferentes regiões do Brasil e a um tema prioritário de alcance nacional. A ordem das perguntas será definida por sorteios realizados ao vivo pelo mediador, e os candidatos terão três minutos por rodada para administrar os tempos destinados a perguntas, respostas, réplicas e tréplicas. A dinâmica pretende distribuir os temas entre os dois participantes e estabelecer uma sequência previamente organizada para o confronto.

No segundo e no terceiro blocos, os candidatos poderão escolher entre temas apresentados em um telão para formular suas perguntas. A dinâmica de tempo será semelhante à utilizada na primeira parte, com os participantes precisando dividir os minutos disponíveis entre as diferentes etapas de cada rodada. A escolha dos assuntos permitirá que Lula e Flávio direcionem parte do debate para temas que considerem relevantes dentro de suas estratégias eleitorais, sem que a discussão fique limitada a uma pauta única definida previamente pela emissora.

O quarto bloco terá uma dinâmica mais aberta, com oito minutos de fala para cada candidato e sem limite de intervenções. Depois dessa etapa, serão realizadas as considerações finais, encerrando o último debate entre os dois candidatos antes da votação do segundo turno. A definição do formato ocorre após um primeiro confronto marcado por acusações e discussões pessoais, aumentando a importância das regras para determinar como Lula e Flávio poderão ocupar o espaço do estúdio.

Debate acontece dois dias antes do segundo turno

O encontro da Globo será o último debate presidencial antes da votação marcada para domingo, 25 de outubro. A proximidade entre o programa e o segundo turno faz com que o confronto seja realizado em uma etapa final da campanha, quando os candidatos concentram suas aparições públicas na apresentação de propostas, críticas ao adversário e tentativa de dialogar com diferentes segmentos do eleitorado. O formato definido pela emissora também estabelece condições distintas das observadas no debate da Band, principalmente em relação à circulação física dos participantes.

Além das regras de movimentação, o programa terá transmissão simultânea pelos principais canais da Globo e acompanhamento em tempo real de veículos de comunicação. A expectativa é que as declarações feitas durante as quatro etapas sejam analisadas e repercutidas imediatamente, especialmente diante das controvérsias registradas no primeiro debate do segundo turno. Com a participação confirmada de Lula e Flávio Bolsonaro, o encontro de sexta-feira será a última oportunidade televisiva de confronto direto entre os dois candidatos antes da abertura das urnas no domingo.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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