A Polícia Federal quer agendar uma reunião com Fachin a respeito das investigações sobre fraudes no Master

A Polícia Federal solicitou ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, uma reunião para discutir os próximos passos das investigações relacionadas às fraudes envolvendo o Banco Master. O encontro deverá ocorrer na próxima semana e terá como principal tema as citações a ministros do STF encontradas nas conversas de WhatsApp do banqueiro Daniel Vorcaro. A iniciativa ocorre em meio ao avanço das apurações e à discussão sobre como a corporação deve proceder quando informações envolvendo integrantes da própria Corte aparecem no material investigativo.
O pedido foi feito pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que deverá apresentar a Fachin as informações reunidas pelos investigadores e buscar orientação institucional sobre o encaminhamento dos dados. As mensagens analisadas pela corporação mencionam encontros ou contatos de Vorcaro com ministros como André Mendonça, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além de referências aos filhos de Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. A simples menção a autoridades nas mensagens, contudo, não significa por si só que os ministros tenham cometido irregularidades.
A reunião ocorre em um momento de crescente discussão dentro do Supremo sobre a forma como as diferentes citações devem ser analisadas. Segundo o UOL, há atualmente procedimentos com pedidos de investigação envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça, enquanto outras referências a integrantes da Corte também passaram a ser consideradas no debate. Fachin deverá avaliar como organizar esses diferentes elementos e quais procedimentos deverão seguir adiante.
PF pede orientação a Fachin sobre citações no caso Master
As conversas extraídas do celular de Daniel Vorcaro formam uma das principais bases para a atual etapa das investigações. O material trouxe referências a diferentes integrantes do STF e também a pessoas próximas aos ministros, fazendo com que a PF tivesse de avaliar como tratar informações que podem envolver autoridades submetidas a regras específicas de investigação. Por isso, a corporação decidiu levar a questão diretamente ao presidente da Corte.
Entre os casos que já provocaram maior repercussão está o de Alexandre de Moraes, citado em conversas mantidas com Vorcaro antes da prisão do banqueiro. Também existem registros envolvendo André Mendonça, que confirmou ter se encontrado com Vorcaro em março de 2025, afirmando que a conversa tratou de precatórios relacionados ao Banco Master. No caso de Dias Toffoli, a PF já havia encaminhado anteriormente a Fachin um relatório com informações extraídas do celular de Vorcaro.
A intenção da Polícia Federal é, portanto, definir com o STF um procedimento para as diferentes informações encontradas durante a investigação. A preocupação institucional envolve tanto a preservação das apurações quanto a necessidade de estabelecer quem deverá analisar eventuais elementos relacionados aos ministros. A reunião deverá servir para que Fachin receba diretamente da cúpula da PF os dados e a avaliação dos investigadores sobre os próximos passos.
Caso Master amplia discussão dentro do Supremo
A discussão ganhou força depois que integrantes do próprio Supremo passaram a defender que as referências aos ministros sejam examinadas de maneira conjunta. Gilmar Mendes apresentou nesta semana uma questão de ordem pedindo que todas as citações sejam reunidas em uma mesma sessão de julgamento, com definição prévia do rito e de quais ministros poderão participar das decisões. Em setembro, Flávio Dino e Gilmar já haviam sugerido uma análise conjunta dos procedimentos envolvendo Moraes e Mendonça, mas a discussão acabou interrompida por um pedido de vista.
No caso envolvendo Moraes, o plenário do STF já havia sido chamado a analisar um relatório da Polícia Federal sobre suas interações com Vorcaro. A PGR questionou aspectos formais da apuração, enquanto Fachin determinou medidas relacionadas à organização dos procedimentos e à apresentação de informações pelos envolvidos. O presidente do Supremo também determinou anteriormente que eventuais procedimentos destinados a investigar integrantes da Corte fossem submetidos a ele antes de qualquer avanço.
As relações de Vorcaro com integrantes do Judiciário passaram a ser examinadas a partir de mensagens, documentos e outros elementos apreendidos durante as investigações sobre o Banco Master. Reportagens apontaram contatos com diferentes ministros e pessoas de seus círculos profissionais ou familiares, mas os contextos são distintos e as menções precisam ser analisadas individualmente pelas autoridades. O caso também já provocou mudanças na condução de procedimentos dentro do STF, como a saída de Dias Toffoli da relatoria.
PF e Fachin devem discutir próximos passos do caso Master
A reunião entre Andrei Rodrigues e Edson Fachin deverá ocorrer na segunda semana de outubro, segundo informações divulgadas nesta sexta-feira. A expectativa é que a direção da Polícia Federal apresente uma avaliação sobre as citações encontradas no material e peça orientação sobre como proceder em relação aos ministros mencionados. O encontro poderá ajudar a definir se as diferentes referências serão tratadas separadamente ou dentro de uma estrutura conjunta de análise.
A movimentação ocorre enquanto o caso Master continua produzindo novos desdobramentos no STF e na investigação policial. Além das suspeitas relacionadas às operações financeiras do banco, passaram a ser analisadas as relações mantidas por Vorcaro com autoridades, advogados, empresários e pessoas próximas a integrantes dos Poderes. Por isso, a reunião solicitada pela PF coloca novamente no centro da discussão os limites e os procedimentos para investigar informações que envolvam ministros do Supremo.
O encontro entre a PF e Fachin deverá ocorrer em um momento no qual o Supremo também discute se as diferentes citações a seus ministros devem ser analisadas de forma unificada. A decisão sobre o encaminhamento dessas informações caberá às autoridades responsáveis pelos procedimentos, enquanto as investigações continuam em andamento. Até que novas conclusões sejam apresentadas, as mensagens e referências encontradas no celular de Vorcaro permanecem como elementos de apuração, e não como comprovação definitiva de irregularidades por parte dos ministros citados.





