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Advogada de Flávio Bolsonaro quer ter certeza que o material entregue por Lula é satisfatório

A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro (PL) decidiu analisar os documentos apresentados pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antes de entregar, de forma definitiva, os dados relacionados à quebra de sigilos do candidato do PL. A estratégia foi confirmada nesta quinta-feira, 22 de outubro, após representantes das duas campanhas comparecerem ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tratar do acordo que envolve a abertura das informações. Segundo a CNN Brasil, a equipe de Flávio pretende verificar se Lula realmente entregou toda a documentação que havia se comprometido a apresentar.

A análise será feita pelos advogados Maria Cláudia Bucchianeri e Tracy Reinaldet, além do senador eleito e ex-procurador da República Deltan Dallagnol, que foi escalado para avaliar a documentação. O ex-juiz federal e senador Sergio Moro também é cotado para participar dos trabalhos à distância, segundo a campanha. A equipe ainda não havia definido se conseguiria examinar toda a papelada dentro do próprio TSE nem quanto tempo seria necessário para concluir a verificação.

Apesar da cautela, a campanha de Flávio afirmou que já levou à Corte os documentos solicitados por Lula e que poderá apresentá-los imediatamente caso considere satisfatório o material entregue pelo petista. A advogada Maria Cláudia Bucchianeri declarou que a documentação apresentada por Lula precisa corresponder ao que foi combinado entre os candidatos. O compromisso anunciado pela equipe é realizar a entrega rapidamente se for constatado que todas as exigências foram atendidas.

Deltan Dallagnol será responsável pela análise dos documentos

Deltan Dallagnol afirmou que sua função será verificar a “completude” dos documentos apresentados pela campanha de Lula, incluindo informações relacionadas ao Instituto Lula e a aliados históricos do presidente. O ex-procurador declarou que pretende examinar o material para entender se os documentos permitem esclarecer aspectos da trajetória patrimonial e financeira do petista. Em uma etapa posterior, segundo Dallagnol, a análise poderá procurar eventuais indícios de enriquecimento ilícito ou ocultação patrimonial, sem que isso signifique a existência comprovada dessas irregularidades.

A participação de Dallagnol acrescentou um componente político ao confronto em torno da abertura dos sigilos, já que ele ganhou projeção nacional como integrante da Operação Lava Jato. A campanha de Flávio justificou sua escolha justamente pela experiência acumulada pelo senador eleito em investigações envolvendo documentos financeiros e estruturas patrimoniais. A presença dele no TSE também reforçou a intenção do grupo de examinar os dados antes de considerar cumprida a parte de Lula no acordo.

Maria Cláudia Bucchianeri afirmou que a campanha de Flávio deseja uma “transparência real” e que não pretende entregar seus documentos sem antes verificar o conteúdo recebido do adversário. A advogada reiterou que, caso Lula tenha apresentado efetivamente tudo o que foi solicitado, a documentação de Flávio será entregue de maneira rápida. As duas campanhas também chegaram a um entendimento sobre a abertura total e simultânea dos respectivos sigilos, com divulgação dos dados em um site de acesso público.

Entenda o acordo entre Lula e Flávio

O chamado “desafio dos sigilos” começou durante o debate realizado pela Band no domingo, 18 de outubro, quando Lula propôs que os dois candidatos autorizassem a abertura de seus dados. Na terça-feira, 20, o presidente apresentou ao TSE e ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma autorização para a abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dele e de familiares referentes aos últimos oito anos. A iniciativa foi condicionada à adoção de medida equivalente por Flávio Bolsonaro.

Flávio respondeu ao desafio apresentando uma série de exigências adicionais para a abertura das informações, incluindo dados de pessoas ligadas ao entorno político e administrativo de Lula. O candidato do PL autorizou a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos, além dos registros de empresas das quais é sócio ou administrador, e afirmou não se opor à divulgação de mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Entre as condições apresentadas estavam ainda os sigilos de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e documentos sobre relações do governo com Vorcaro e com a lobista Roberta Luchsinger.

A lista de exigências também incluiu informações sobre gastos do cartão corporativo da Presidência desde 2023, a agenda de Janja anterior a fevereiro de 2025, visitas dos filhos de Lula ao Palácio da Alvorada, uso de helicóptero e despesas relacionadas ao palácio. A campanha petista afirmou que Lula aceitaria todas as condições apresentadas, desde que Flávio também cumprisse sua parte no acordo. Com a documentação levada ao TSE nesta quinta-feira, o próximo passo ficou condicionado à análise feita pela equipe do candidato do PL.

A disputa em torno dos sigilos ocorre a apenas três dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo, 25 de outubro. O impasse agora está concentrado na conferência dos documentos entregues por Lula, enquanto a equipe de Flávio mantém em mãos os dados que pretende apresentar assim que considerar cumpridas as condições estabelecidas. A definição sobre a entrega simultânea dos sigilos deverá ocorrer depois dessa análise, mantendo o tema no centro da disputa entre os dois candidatos.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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