Ala do alto escalão já trabalha com derrota de Lula no 2º turno

A menos de três semanas do segundo turno, a equipe de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trabalha com a realidade de uma disputa extremamente acirrada, na qual a vitória não está garantida. O senador Flávio Bolsonaro (PL) encerrou a primeira etapa com 47,03% dos votos válidos, o que corresponde a 56.104.503 sufrágios, enquanto o petista obteve 45,16%, ou seja, 53.879.538 votos. A diferença de aproximadamente 2 pontos percentuais é a menor registrada desde 1989 em disputas que seguem para o segundo turno, e membros do primeiro escalão avaliam que reverter esse quadro exigirá esforço sem precedentes na história eleitoral brasileira.
A busca por caminhos para alcançar a virada levou a campanha a voltar sua atenção para os eleitores que não compareceram às urnas no domingo (4). A abstenção atingiu 21,08% do eleitorado, o maior índice desde 1998, com 33.469.244 pessoas ausentes. Mesmo no Nordeste, região historicamente mais favorável ao petismo, a taxa de falta foi de 18,36%, inferior à média nacional, mas ainda assim expressiva. Mobilizar esse público é uma das estratégias em estudo, embora não haja garantia de que os ausentes se somem às intenções de voto do candidato.
No entorno da campanha, há reconhecimento de que aproximar-se de lideranças de partidos de direita será tarefa complexa. Nomes como Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) foram citados como possíveis interlocutores, mas a avaliação interna é de que a conquista de apoios nesse espectro político é de difícil concretização. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, sinalizou na sexta-feira (2) a intenção de dialogar com setores que classifica como “direita democrática”, mas a resposta a essa iniciativa ainda não se materializou de forma visível.
Após a divulgação dos resultados, Edinho Silva procurou minimizar a vantagem obtida pelo adversário. “São apenas 2 pontos”, assinalou, ao reafirmar que a campanha manterá portas abertas para todas as lideranças dispostas a colaborar. “Vamos conversar com todos que queiram construir um Brasil que não se afaste do caminho democrático e que discuta o futuro do país”, declarou. Os números, porém, mostram que a votação de Lula recuou em comparação com o primeiro turno de 2022: foram 3,4 milhões de votos a menos do que na eleição anterior.
A reação imediata da campanha foi convocar uma reunião estratégica realizada nesta segunda-feira (5), em Brasília. O encontro ocorreu no Hotel San Marco, na Asa Sul, e reuniu aliados-chave para realinhar a trajetória rumo ao dia 25 de outubro. Vários nomes desembarcaram na capital federal para participar da discussão, entre eles o governador eleito da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP), o governador reeleito da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), e os senadores Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT), também reeleito. O ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, acompanhou a chegada de lideranças no aeroporto, demonstrando a importância dada ao encontro.
João Campos (PSB), candidato derrotado ao governo de Pernambuco, também integrou o grupo. A presença de representantes de estados e partidos aliados reforça a intenção de consolidar a base de apoio conhecida, antes de buscar ampliações em outros campos. A avaliação entre os participantes é de que a disputa se reinicia do zero no segundo turno, mas também não se descarta a possibilidade de Flávio Bolsonaro ampliar sua margem de vantagem caso conquite novos apoios ou mantenha a mobilização atual.
A jornada até o dia 25 promete ser uma das mais intensas e disputadas da história recente do Brasil. A diferença estreita coloca os dois candidatos em condições de igualdade de atenção e pressão, e cada decisão estratégica pode alterar o rumo da campanha. O eleitorado definirá nas urnas o caminho a seguir, e a soberania do voto será, como sempre, a instância final que dará a resposta definitiva sobre os destinos do país.





