Alckmin critica André Mendonça e cobra fim do sigilo no caso Master

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) aumentou a pressão por transparência nas investigações relacionadas ao Banco Master e defendeu que os processos que envolvem a instituição tenham o sigilo levantado, respeitados os limites legais. Sem mencionar diretamente o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Alckmin afirmou que o país não pode depender de informações divulgadas de maneira parcial e que a sociedade precisa ter acesso aos fatos apurados pelas autoridades. A manifestação ocorre em meio a uma crescente discussão sobre a condução das investigações e sobre a necessidade de preservar a credibilidade das instituições responsáveis pelo caso.
Um dos pontos destacados pelo vice-presidente envolve os R$ 130 milhões que, segundo as informações apresentadas nas investigações, teriam sido destinados pelo empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, ao senador Flávio Bolsonaro para financiar o projeto cinematográfico “Dark Horse”, produção que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Alckmin questionou publicamente a destinação dos recursos e afirmou que ainda não foram apresentados esclarecimentos suficientes sobre a utilização do dinheiro. Segundo ele, o fato de os recursos terem seguido para os Estados Unidos após a captação no Brasil aumenta a necessidade de informações claras sobre contratos, despesas e demais documentos relacionados ao projeto.
A declaração do vice-presidente ocorre paralelamente à divulgação de um relatório de inteligência da Polícia Federal que apresenta questionamentos sobre a atuação de André Mendonça em diferentes etapas das apurações relacionadas ao Banco Master. Conforme o documento encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, investigadores levantaram dúvidas sobre o acesso antecipado a informações de possíveis acordos de colaboração premiada, além do compartilhamento de dados obtidos em aparelhos eletrônicos antes da conclusão da análise técnica. A PF avalia que procedimentos dessa natureza podem gerar questionamentos sobre a regularidade das investigações e sobre a preservação da cadeia de custódia dos elementos reunidos.
O relatório também faz referência a precedentes jurídicos associados à Operação Lava Jato, especialmente em situações nas quais procedimentos adotados durante investigações acabaram sendo posteriormente questionados nos tribunais. Outro aspecto apontado pelos investigadores é a diferença de tratamento atribuída a Mendonça em episódios envolvendo ministros do próprio Supremo. O documento menciona Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques e sustenta que a postura adotada pelo ministro teria sido diferente daquela observada em relação a Alexandre de Moraes. As conclusões apresentadas, contudo, fazem parte de um documento de investigação e ainda estão inseridas em um contexto de disputa institucional, o que exige análise das manifestações de todas as partes envolvidas.
A crise ganhou dimensão dentro do STF depois que informações de uma investigação envolvendo contratos do Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, foram divulgadas por Mendonça. A partir daí, a Procuradoria-Geral da República (PGR) passou a questionar aspectos do relatório elaborado pela Polícia Federal e pediu que o documento fosse considerado inválido, alegando que determinadas iniciativas teriam ultrapassado os limites esperados para a atuação judicial durante a fase inicial das apurações. Moraes, por sua vez, solicitou a abertura de investigação sobre a conduta de Mendonça, com questionamentos relacionados à atuação do ministro.
Diante do impasse, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, determinou que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, apresentem explicações por escrito. O prazo estabelecido é de cinco dias úteis, e a medida busca reunir diferentes versões antes de uma eventual avaliação pelo plenário da Corte. Enquanto o caso avança, a cobrança por transparência feita por Alckmin coloca novamente o Banco Master no centro do debate político e institucional. O episódio agora reúne questões financeiras, jurídicas e políticas que poderão influenciar a percepção pública sobre a condução das investigações e sobre a atuação das instituições responsáveis por esclarecer os fatos.





