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Aliados de Flávio estão animados com a ida do senador à sabatina da Globo

A campanha de Flávio Bolsonaro se preparava, nesta sexta-feira (28), para uma entrevista considerada especialmente delicada na TV Globo, diante da expectativa de uma sabatina marcada por perguntas sobre temas controversos da trajetória política do candidato. Nos bastidores, um aliado do senador classificou o cenário como de “tiro, porrada e bomba”, indicando que a equipe esperava uma abordagem bastante rigorosa dos entrevistadores durante a conversa prevista para o Jornal Nacional. A avaliação ocorreu em um momento decisivo da corrida presidencial de 2026, quando Flávio buscava consolidar sua posição como principal nome da direita bolsonarista na disputa pela Presidência da República.

A entrevista estava prevista para ocorrer na noite desta sexta-feira, após o horário eleitoral gratuito, dentro da série de sabatinas promovida pela Globo com os principais candidatos à Presidência. Renata Vasconcellos e César Tralli haviam sido escalados para conduzir a conversa, seguindo o modelo adotado nas entrevistas anteriores, nas quais assuntos políticos, econômicos e questões envolvendo os candidatos foram explorados de maneira direta. Dessa forma, a expectativa de Flávio Bolsonaro e de seus aliados era de que a exposição pudesse representar tanto uma oportunidade para apresentar propostas quanto um risco caso respostas consideradas frágeis fossem apresentadas ao público.

O principal motivo para a apreensão da campanha estava relacionado ao conjunto de questionamentos que poderia ser levado à entrevista, especialmente aqueles envolvendo o caso conhecido como Dark Horse e a relação de Flávio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Áudios atribuídos ao senador haviam provocado repercussão depois que foi relatada uma negociação envolvendo recursos para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro, e o episódio passou a ser explorado politicamente pelos adversários. Por isso, respostas sobre a origem dos recursos, a finalidade do dinheiro e a relação com Vorcaro estavam entre os assuntos que poderiam ser colocados no centro da sabatina.

Aliado de Flávio esperava perguntas duras sobre Dark Horse

Segundo a avaliação divulgada pela jornalista Fabíola Cidral, um aliado de Flávio Bolsonaro afirmou que a campanha estava se preparando para uma entrevista bastante difícil na Globo, resumida pela expressão “tiro, porrada e bomba”. A declaração refletia a percepção interna de que o candidato seria confrontado principalmente com assuntos que já vinham sendo discutidos durante a campanha eleitoral. Assim, o caso Dark Horse aparecia como um dos pontos mais sensíveis, justamente por envolver valores elevados e uma relação que passou a ser questionada publicamente.

O episódio ganhou ainda mais relevância porque a produtora responsável pelo filme havia sido envolvida em investigações relacionadas a contratos públicos e à possível utilização irregular de recursos, enquanto a Polícia Federal também passou a ter acesso a elementos da apuração realizada em São Paulo. A investigação não significava, por si só, uma conclusão sobre eventual responsabilidade criminal de Flávio, mas colocou o financiamento do longa sob forte escrutínio público. Enquanto isso, o senador havia sustentado que a prestação de contas sobre a produção já tinha sido realizada e passou a cobrar que os adversários apresentassem explicações sobre outros casos envolvendo o governo Lula.

Além disso, o ambiente eleitoral tornava qualquer pergunta sobre o episódio potencialmente relevante para a imagem do candidato, sobretudo porque Flávio disputava uma eleição polarizada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pesquisa Datafolha divulgada dias antes mostrava Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio, enquanto a rejeição dos dois candidatos permanecia elevada. Nesse contexto, uma entrevista televisionada poderia ser usada para ampliar a exposição positiva de Flávio, mas também poderia produzir desgaste caso questões controversas dominassem a maior parte do tempo.

Flávio Bolsonaro também seria cobrado por outros temas

A expectativa de uma sabatina dura não estava restrita ao caso Dark Horse, pois outros episódios associados à trajetória política de Flávio poderiam ser recuperados durante a entrevista. Entre os assuntos mencionados por analistas estavam suspeitas relacionadas às chamadas rachadinhas, declarações e relações políticas envolvendo milícias e posições defendidas pelo candidato em relação à anistia de condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Portanto, a campanha precisava preparar respostas para uma série de temas capazes de deslocar a conversa das propostas eleitorais para questões envolvendo o passado político do senador.

Outro ponto considerado sensível era a relação do grupo político de Flávio com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, especialmente diante das discussões sobre soberania nacional e da atuação de Eduardo Bolsonaro em território norte-americano. A jornalista Patrícia Campos Mello avaliou que esse vínculo poderia representar uma dificuldade eleitoral, pois uma parcela do eleitorado poderia interpretar eventual influência externa de maneira negativa. Ao mesmo tempo, a aproximação com Trump continuava sendo valorizada por setores do bolsonarismo, criando uma situação em que uma estratégia considerada positiva para a base poderia gerar resistência entre eleitores mais moderados.

A participação de Eduardo Bolsonaro também ganhou importância no contexto da campanha porque o deputado havia permanecido nos Estados Unidos e se tornado uma figura associada às pressões políticas feitas contra o Brasil durante o período anterior. Paralelamente, o debate sobre tarifas norte-americanas e soberania passou a fazer parte da disputa eleitoral, obrigando Flávio a administrar uma questão que ultrapassava os limites da política doméstica. Desse modo, a sabatina poderia exigir do candidato uma postura cuidadosa para diferenciar sua própria estratégia eleitoral das ações e declarações de integrantes de sua família.

Entrevista na Globo era vista como teste eleitoral

A expectativa em torno da participação de Flávio Bolsonaro na Globo também precisava ser compreendida dentro de uma disputa eleitoral que havia entrado em uma fase mais intensa com o início do horário eleitoral gratuito. No mesmo dia, a campanha de Lula passou a utilizar peças de rádio para explorar acusações e episódios envolvendo Flávio, incluindo referências ao caso Dark Horse e às rachadinhas, enquanto o candidato do PL buscava ampliar sua comunicação com segmentos do eleitorado nos quais enfrentava maior resistência.

Nesse cenário, a entrevista poderia se transformar em um dos momentos mais importantes da campanha de Flávio Bolsonaro naquele início oficial da propaganda eleitoral, porque milhões de eleitores poderiam acompanhar não apenas suas propostas, mas também sua capacidade de responder a questionamentos difíceis. A preparação mencionada pelos aliados demonstrava que o risco havia sido reconhecido internamente e que respostas sobre temas controversos estavam sendo consideradas fundamentais para evitar novos desgastes. Por outro lado, caso o candidato conseguisse responder de maneira objetiva e apresentar sua visão sobre os episódios questionados, a sabatina poderia ser transformada em uma oportunidade para tentar recuperar espaço político.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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