João Amoêdo ironizou a ida de Romeu Zema à sabatina no Jornal Nacional, na TV Globo

Amoêdo ironiza partido Novo depois da sabatina de Romeu Zema na Globo e reacende uma antiga discussão sobre os rumos da legenda que ajudou a fundar. O empresário João Amoêdo reagiu à participação do candidato à Presidência na entrevista exibida pela TV Globo na segunda-feira, 24 de agosto, e avaliou que o desempenho do ex-governador de Minas Gerais expôs uma queda na qualidade dos quadros do partido. Para resumir sua crítica, Amoêdo afirmou que o Novo teria mudado tanto e ficado tão ruim que, atualmente, “não aparecer” seria a melhor coisa que poderia acontecer à legenda.
A declaração foi publicada nas redes sociais depois de Zema responder a perguntas sobre economia, segurança pública, saúde, corrupção e a situação financeira de Minas Gerais. Entretanto, um dos momentos de maior repercussão ocorreu quando o candidato tentou falar sobre políticas voltadas às mulheres e afirmou que possuía uma série de “programas contra as mulheres” que havia levado adiante. A frase foi interpretada como uma gafe durante a sabatina e acabou se tornando um dos principais elementos da repercussão da entrevista.
A crítica de Amoêdo, portanto, não se limitou a uma avaliação pontual sobre Zema, mas atingiu diretamente a identidade atual do Partido Novo. Segundo o fundador, no início da legenda, em 2011, o principal desafio era conquistar espaço na imprensa para apresentar as ideias defendidas pelo grupo, enquanto agora a exposição pública poderia produzir o efeito oposto. A comparação mostra o tamanho da insatisfação de Amoêdo com a transformação política do partido ao longo dos anos.
Amoêdo ironiza partido Novo e critica a mudança de rumo da legenda
Ao dizer que “não aparecer” seria melhor para o Novo, Amoêdo fez uma crítica especialmente dura à legenda que ajudou a construir. A declaração foi apresentada em tom irônico, mas também revelou uma avaliação política bastante clara sobre a distância entre o partido de sua origem e a organização que hoje sustenta a candidatura presidencial de Zema. Assim, a frase acabou funcionando como uma espécie de diagnóstico feito por um dos principais nomes da história do Novo sobre a situação atual da sigla.
A relação entre Amoêdo e o partido já vinha sendo marcada por divergências antes mesmo da eleição de 2026. O empresário passou a criticar a mudança ideológica de integrantes da legenda durante o governo de Jair Bolsonaro, especialmente à medida que setores do Novo se aproximaram do bolsonarismo e se afastaram do liberalismo clássico defendido em sua fase inicial. Posteriormente, o conflito se aprofundou e Amoêdo deixou a legenda em 2022, depois de também se posicionar de maneira contrária à orientação adotada por parte do partido na eleição presidencial daquele ano.
Nesse contexto, a sabatina de Zema serviu como gatilho para que uma antiga divergência voltasse ao centro do debate político. Amoêdo não apenas considerou ruim a participação do candidato, mas utilizou o episódio para sustentar a tese de que a qualidade dos representantes do Novo teria caído desde a fundação da legenda. Dessa maneira, a crítica ganhou um significado maior, porque questiona não apenas uma resposta de Zema, mas o próprio caminho político escolhido pelo partido ao longo de sua trajetória.
Sabatina de Zema na Globo amplia desgaste político
A participação de Zema na Globo ocorreu em um momento importante da campanha presidencial, já que o candidato buscava apresentar suas propostas a um público nacional. Durante aproximadamente 40 minutos, o ex-governador foi questionado sobre assuntos relacionados à administração de Minas Gerais e também sobre temas nacionais que fazem parte da disputa pelo Palácio do Planalto. Entretanto, a repercussão acabou concentrada em algumas respostas específicas, principalmente na declaração sobre os programas voltados às mulheres.
A entrevista também colocou Zema diante de questões sensíveis sobre seu período à frente do governo mineiro, incluindo os déficits financeiros e um escândalo de corrupção relacionado à administração estadual. Ao mesmo tempo, o candidato procurou defender sua gestão, apresentar críticas ao governo federal e sustentar posições alinhadas ao eleitorado de direita. Mesmo assim, os trechos considerados mais controversos passaram a circular nas redes sociais, fazendo com que o desempenho do presidenciável fosse discutido para além das propostas apresentadas durante a sabatina.
Por isso, a reação de Amoêdo ganhou força justamente quando a campanha de Zema precisava transformar a exposição nacional em uma oportunidade eleitoral. O candidato do Novo já havia sido alvo de críticas pela decisão de não participar de um debate promovido pela Band, enquanto a entrevista na Globo era considerada uma oportunidade para ampliar sua visibilidade. Nesse cenário, a avaliação negativa feita por um dos fundadores da legenda acrescentou uma dificuldade política inesperada à repercussão da sabatina.
Amoêdo e Zema simbolizam duas fases do Partido Novo
A trajetória dos dois ajuda a explicar por que a declaração teve tanta repercussão. Amoêdo foi um dos fundadores do Partido Novo e disputou a Presidência pela legenda em 2018, quando recebeu 2,5% dos votos válidos, mesmo com pouco espaço de propaganda e sem participação em debates. Zema, por sua vez, tornou-se uma das principais figuras eleitorais do partido depois de ser eleito governador de Minas Gerais em 2018 e reeleito em 2022, chegando agora à disputa presidencial.
A diferença entre os dois está também na maneira como cada um enxerga a evolução política do Novo. Enquanto Amoêdo sustenta que a legenda se afastou de suas características originais e perdeu qualidade em seus quadros, Zema representa atualmente uma das principais apostas eleitorais do partido e tenta levar sua experiência administrativa de Minas Gerais para uma campanha nacional. Portanto, a crítica feita após a sabatina revela um conflito entre duas visões sobre o que o Novo deveria representar no cenário político brasileiro.
A declaração de Amoêdo, por fim, mostra que a candidatura de Zema não será analisada apenas por seus adversários tradicionais, mas também por antigos integrantes que conhecem a história e as propostas originais do partido. A frase “melhor não aparecer” acabou se tornando o resumo de uma crítica muito mais ampla sobre mudança ideológica, qualidade dos candidatos e identidade política da legenda. Assim, enquanto Zema tenta transformar a exposição na Globo em espaço para fortalecer sua candidatura, Amoêdo aproveitou a repercussão da entrevista para questionar publicamente o caminho escolhido pelo Novo.





