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Alta desaprovação de Lula deixa o partido preocupado e aliados já falam em mudança

A alta desaprovação de Lula passou a preocupar diretamente integrantes da campanha do presidente, especialmente após a divulgação da mais recente pesquisa Quaest. O levantamento mostrou que 50% dos entrevistados desaprovam o governo, enquanto 43% afirmam aprová-lo, em um cenário que acendeu um novo alerta entre dirigentes petistas. A pesquisa também apontou empate de 41% entre Lula e Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno, aumentando a pressão sobre a estratégia eleitoral do presidente.

O resultado chamou atenção porque a avaliação negativa do governo avançou justamente em regiões consideradas importantes para o desempenho eleitoral de Lula. No Nordeste, a desaprovação passou de 29% para 35%, enquanto no Sudeste subiu de 50% para 56%, segundo os dados apresentados pela Quaest. Para aliados, a combinação entre a piora na avaliação do governo e a proximidade da eleição tornou mais urgente a necessidade de rever a comunicação e a condução da campanha.

Dentro do PT, o diagnóstico não é unânime, mas ganhou espaço a percepção de que a campanha precisa mudar de direção para recuperar eleitores que não fazem parte do núcleo mais fiel do presidente. Integrantes do partido também demonstraram insatisfação com o isolamento de Lula e fizeram críticas à forma como algumas decisões de comunicação vêm sendo tomadas. Nesse contexto, nomes ligados à campanha passaram a defender uma atuação mais coordenada e uma mensagem eleitoral capaz de disputar o eleitor indeciso.

Pesquisa Quaest aumentou preocupação dentro do PT

A pesquisa Quaest divulgada em 7 de setembro mostrou que a desaprovação do governo chegou a 50%, contra 48% no levantamento anterior, realizado no começo do mês. A aprovação, por sua vez, caiu de 45% para 43%, embora as duas oscilações estejam dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Mesmo assim, integrantes do PT avaliam que a tendência merece atenção porque ocorreu em uma fase decisiva da disputa presidencial.

O desempenho regional também contribuiu para aumentar a preocupação entre os aliados de Lula. O Nordeste, tradicionalmente favorável ao presidente, registrou crescimento da desaprovação de 29% para 35%, enquanto o Sudeste apresentou alta de 50% para 56%, justamente em uma região que concentra três dos maiores colégios eleitorais do país. A deterioração desses indicadores foi interpretada internamente como um sinal de que a campanha precisa ampliar sua capacidade de diálogo com diferentes grupos de eleitores.

A situação ganhou ainda mais peso porque a pesquisa mostrou Lula empatado numericamente com Flávio Bolsonaro em uma eventual disputa de segundo turno. Os dois apareceram com 41% das intenções de voto, cenário que reforçou a percepção de que a eleição poderá ser mais apertada do que parte do grupo governista esperava. Em outra rodada divulgada pelo BTG/Nexus nesta terça-feira, Lula também apareceu tecnicamente empatado com Flávio no segundo turno, com 45% contra 46%, respectivamente.

Aliados de Lula cobram mudança na campanha

Nos bastidores, uma das principais reclamações envolve o que petistas classificam como isolamento de Lula na tomada de decisões. Segundo a CNN Brasil, aliados avaliam que o presidente tem ouvido poucos conselheiros e também passaram a questionar a atuação do ministro Sidônio Palmeira, responsável pela Secretaria de Comunicação Social. A primeira-dama Janja também foi citada nas críticas internas por participar de discussões relacionadas à estratégia de comunicação do governo e da campanha.

A equipe de Lula esperava que uma semana de intensa articulação no Congresso ajudasse a melhorar a percepção sobre o governo. Entre as pautas consideradas importantes estavam o fim da chamada taxa das blusinhas, a discussão sobre a escala de trabalho 6×1 e a PEC da Segurança, temas escolhidos por terem potencial de gerar identificação com setores mais amplos do eleitorado. A avaliação de uma ala petista, porém, foi de que essas iniciativas ainda não produziram o efeito político esperado.

O cenário também foi prejudicado por crises políticas que desviaram a atenção da agenda positiva pretendida pelo governo. As investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e a crise no Supremo Tribunal Federal passaram a ocupar espaço relevante no debate público durante o período. Para aliados, a sucessão de episódios negativos dificultou a tentativa de apresentar realizações do governo e manter a campanha concentrada em temas de interesse eleitoral.

Estratégia pode apostar na comparação com Bolsonaro

Diante das dificuldades, aliados passaram a defender uma mudança de rota capaz de ampliar o alcance eleitoral de Lula. Uma das possibilidades discutidas é intensificar a comparação entre o atual governo e a gestão de Jair Bolsonaro, transformando o contraste entre os dois campos políticos em um dos principais argumentos da campanha. A estratégia também pretende explorar as diferenças entre Lula e Flávio Bolsonaro, que hoje aparece como seu principal adversário nas simulações de segundo turno.

O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, adotou uma postura mais otimista diante dos números e afirmou que Lula ainda possui espaço para crescer durante a campanha. Segundo ele, 42% dos entrevistados na pesquisa não apontaram um candidato no primeiro turno, o que representa uma parcela relevante do eleitorado ainda disponível para ser conquistada. Na avaliação do dirigente, a comparação entre propostas, governos e trajetórias poderá ser utilizada para tentar ampliar a vantagem de Lula entre os eleitores que ainda não definiram seu voto.

Com menos de um mês para a eleição, a alta desaprovação de Lula colocou a campanha diante de uma decisão estratégica importante. O desafio será transformar a liderança no primeiro turno em uma vantagem mais consistente, recuperar a avaliação do governo e impedir que Flávio Bolsonaro avance entre os eleitores que podem decidir a disputa. Por isso, a pressão por mudanças na campanha tende a aumentar, principalmente se as próximas pesquisas confirmarem o crescimento da rejeição ao governo e a aproximação entre os principais candidatos.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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