Apoiadores homenageiam André Mendonça em ato feito por Flávio na Paulista

A Avenida Paulista, em São Paulo, ganhou nesta segunda-feira (7) um novo capítulo da movimentação política que antecede a disputa eleitoral. O local foi escolhido para uma manifestação organizada pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), reunindo apoiadores, parlamentares, lideranças políticas e representantes do campo conservador. Com grande expectativa em torno do número de participantes, o evento passou a ser acompanhado também como uma espécie de termômetro sobre a capacidade de mobilização do bolsonarismo. Entre bandeiras, discursos e mensagens direcionadas ao governo federal e ao Supremo Tribunal Federal (STF), um elemento em particular chamou a atenção: um grande boneco inflável do ministro André Mendonça, apresentado pelos participantes como uma homenagem ao magistrado.
A escolha de Mendonça como uma das figuras simbólicas da manifestação está relacionada à maior aproximação do ministro com setores da direita após decisões recentes que repercutiram no ambiente político. Entre elas está a determinação para retirar o sigilo de mensagens atribuídas a conversas envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, também integrante do STF. O assunto ganhou espaço entre os manifestantes e passou a ser associado às críticas feitas por apoiadores de Flávio ao atual cenário institucional. A presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), além de candidatos e lideranças que disputam espaço no Congresso, ampliou o peso político do encontro e mostrou que a estratégia vai além da corrida presidencial.
O momento escolhido para a mobilização também aumenta a atenção sobre Flávio Bolsonaro. O candidato tenta transformar a presença de apoiadores nas ruas em demonstração de força política justamente em um período marcado pela repercussão de mensagens atribuídas a ele e a Daniel Vorcaro, além de diálogos relacionados a Alexandre de Moraes. Vorcaro, que aparece nas investigações envolvendo o Banco Master, teria questionado Moraes sobre a possibilidade de deixar o país pouco antes de sua prisão, em novembro de 2025. As conversas passaram a integrar o debate político e são utilizadas por aliados de Flávio para reforçar questionamentos sobre acontecimentos envolvendo instituições brasileiras. Nesse contexto, cada detalhe do ato na Paulista passou a ser observado não apenas como manifestação pública, mas também como parte da construção da campanha.
Com o lema “Fora, Lula, Fora, Moraes” e a mensagem “É agora ou nunca”, os organizadores buscaram criar uma atmosfera de forte participação entre os apoiadores. O Partido Liberal também divulgou o chamado “Vamos juntos resgatar o Brasil”, reforçando a ideia de união do eleitorado de direita. A organização trabalhava com a expectativa de reunir pelo menos 100 mil pessoas, número que ganhou relevância diante da importância atribuída ao evento. A mobilização também tem uma dimensão parlamentar, já que diferentes nomes do campo conservador disputam vagas no Senado e na Câmara dos Deputados. Em São Paulo, candidatos como André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP) aparecem entre os aliados que defendem pautas relacionadas à atuação do Legislativo e a pedidos de impeachment.
O interesse pelo alcance do ato cresce ainda mais quando colocado ao lado dos números das pesquisas eleitorais. Levantamento do Datafolha divulgado em 3 de setembro aponta Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 38% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 33%. Em uma simulação de segundo turno entre os dois, Lula registra 46%, contra 44% de Flávio. Embora a vantagem permaneça com o atual presidente, a diferença apresentada pelo levantamento é menor do que a registrada anteriormente pelo mesmo instituto. Na pesquisa divulgada em 21 de agosto, Lula tinha 47% e Flávio aparecia com 43% em uma eventual disputa direta. Os números ajudam a explicar por que demonstrações públicas de apoio passaram a receber atenção especial no início da corrida eleitoral.
Nesse cenário, a manifestação da Avenida Paulista representa uma oportunidade para Flávio Bolsonaro consolidar sua presença entre os eleitores de direita e ampliar a visibilidade de sua candidatura. A participação de figuras conhecidas do grupo político, a presença de candidatos ao Legislativo e os discursos voltados ao governo federal e ao Supremo formaram uma programação com forte conteúdo eleitoral. Para aliados do candidato, a capacidade de mobilizar apoiadores neste 7 de Setembro pode funcionar como um sinal importante para as próximas etapas da campanha. A questão central, porém, permanece: até que ponto a presença nas ruas conseguirá se transformar em crescimento nas pesquisas? A resposta deverá aparecer nos próximos levantamentos e, principalmente, na capacidade de cada candidatura de manter o eleitorado mobilizado durante toda a disputa.





