AtlasIntel aponta apoio popular ao impeachment de Toffoli e Moraes

Levantamento realizado pelo instituto AtlasIntel em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo e o portal A TARDE, divulgado nesta terça-feira, 22, revela que parcela expressiva dos brasileiros é favorável ao afastamento dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Os resultados foram apresentados em meio à divulgação de novos detalhes das investigações ligadas ao Banco Master e ao ex-proprietário da instituição, Daniel Vorcaro. O levantamento ouviu 1.852 pessoas entre os dias 17 e 21 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
No caso do ministro Dias Toffoli, 60,5% dos entrevistados defendem o afastamento imediato de suas funções. Outros 26,1% entendem que se deve aguardar o desenrolar das apurações, mas se manifestam favoráveis ao processo de impedimento caso se confirme seu envolvimento nos fatos investigados. Apenas 6,5% dos ouvidos são contrários à abertura de qualquer procedimento. Em comparação com pesquisa realizada em março deste ano, a proporção de pessoas que defendem o afastamento cresceu 11,2 pontos percentuais, indicando aumento expressivo da desconfiança da população.
Já em relação ao ministro Alexandre de Moraes, 49,8% dos respondentes apoiam seu afastamento imediato. Outros 31,9% defendem que o processo deve ser iniciado apenas caso haja prova concreta de participação no esquema ligado ao Banco Master. Os números demonstram que a opinião pública está dividida, mas com peso significativo a favor da adoção de medidas preventivas enquanto as investigações seguem em andamento. O tema tem ganhado repercussão nacional e acompanha o desenrolar de desdobramentos na própria Corte.
As suspeitas que envolvem Alexandre de Moraes recaem sobre contratos firmados entre o Banco Master e o escritório de advocacia Barci de Moraes, de propriedade de Viviane Barci de Moraes, sua esposa. O primeiro acordo, de janeiro de 2024, previa 36 pagamentos mensais de R$ 3 milhões. Um segundo, firmado em maio de 2025, envolveu R$ 50 milhões e cessão de participação em duas aeronaves. Segundo relatório da Polícia Federal, há indícios de que o próprio ministro realizou alterações em arquivos relacionados ao primeiro contrato. Ele nega qualquer irregularidade ou favorecimento.
No caso de Dias Toffoli, os elementos apurados dizem respeito ao fundo de investimento Arleen e ao empreendimento turístico Tayayá, localizado no Paraná. Conforme documento da Polícia Federal divulgado pela Revista Piauí, Daniel Vorcaro teria repassado R$ 35 milhões ao fundo, que detinha participação no resort ligado à família do ministro. Os detalhes reforçam a percepção de que as relações entre integrantes da Corte e o meio empresarial vêm sendo alvo de escrutínio cada vez mais amplo pela sociedade.
A pesquisa reflete o clima de atenção intensa com que o país acompanha cada passo das investigações. A credibilidade do Poder Judiciário depende da clareza, da celeridade e da imparcialidade com que os casos serão tratados. Os dados apresentados mostram que a população espera que as apurações avancem e que os fatos sejam esclarecidos de forma transparente, sem favorecimento a nenhum nome. Cabe às instituições competentes conduzir os processos com isenção, de modo que a verdade seja estabelecida e a confiança nas instituições possa ser restaurada.





