Augusto Cury deixou a neutralidade de lado e neste segundo turno decidiu apoiar o candidato Flávio Bolsonaro

O escritor e psiquiatra Augusto Cury decidiu deixar a neutralidade e declarar apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, após terminar a primeira etapa da disputa em terceiro lugar. Um dos fatores que pesaram na escolha, segundo informações de bastidores, foi a iniciativa do senador de telefonar pessoalmente para o escritor, sem recorrer a intermediários. O episódio foi revelado por Diego Amorim, em coluna publicada pelo PlatôBR e reproduzida pelo jornal Estado de Minas, na editoria de Política, em 9 de outubro.
Cury recebeu aproximadamente 3,5 milhões de votos no primeiro turno e passou a ser um nome procurado pelas duas campanhas após a definição dos candidatos que avançaram à segunda etapa. Lula (PT) enviou interlocutores para negociar com o candidato do Avante, que havia conquistado uma parcela do eleitorado e poderia declarar apoio a um dos concorrentes. Flávio, por sua vez, optou por entrar em contato diretamente com o escritor, atitude que, segundo a coluna, teve importância para a decisão.
Além da forma como ocorreu a aproximação, Cury afirmou publicamente que o apoio foi condicionado ao compromisso de Flávio com propostas defendidas por ele durante a campanha. O escritor declarou que não pretende se tornar subordinado ao candidato e que continuará cobrando o cumprimento dos pontos apresentados. A decisão, portanto, foi anunciada como um apoio político acompanhado de compromissos, e não como uma adesão sem condições à candidatura do PL.
Compromisso inclui propostas defendidas por Augusto Cury
Após a conversa entre os dois, Flávio assinou um documento com compromissos relacionados a temas que Cury considera prioritários. Entre os pontos mencionados estão melhorias na educação, valorização dos professores, ampliação da telemedicina, proteção às mulheres e fortalecimento do cooperativismo e das micro e pequenas empresas. O texto também inclui a proposta de pacificação nacional, apresentada como uma das metas para um eventual governo.
O documento estabelece compromissos políticos, mas não prevê troca de cargos ou vantagens pessoais em contrapartida ao apoio. Cury afirmou que não pretende integrar um eventual governo e que deseja manter independência para cobrar as medidas prometidas. Dessa forma, o escritor procurou apresentar sua decisão como uma escolha baseada em propostas e compromissos que poderão ser acompanhados posteriormente.
A lista de reivindicações também inclui mudanças institucionais, como o fim da reeleição presidencial, além de iniciativas voltadas à produção sustentável de alimentos. Esses temas fazem parte das propostas que Cury levou à negociação com Flávio e que foram incorporadas ao documento assinado pelo candidato do PL. O compromisso, porém, não significa que todas as medidas serão automaticamente implementadas, já que sua execução dependerá das decisões de um eventual governo e, quando necessário, da aprovação do Congresso Nacional.
Diferença na abordagem das duas campanhas
Segundo Diego Amorim, a diferença na forma de aproximação foi determinante para a escolha de Cury. Enquanto Lula enviou representantes para conversar com o candidato do Avante, Flávio fez uma ligação direta e conversou com o escritor por mais de uma hora. A iniciativa pessoal do senador foi apontada nos bastidores como um fator que ajudou a definir o posicionamento de Cury no segundo turno.
O contato ocorreu em um momento em que as campanhas buscavam ampliar suas alianças e conquistar o apoio de eleitores que votaram em candidatos derrotados na primeira rodada. A declaração de Cury ganhou relevância por ele ter recebido milhões de votos, embora o apoio de um candidato não implique necessariamente que todos os seus eleitores seguirão a mesma orientação. A decisão pode influenciar o debate político, mas cada eleitor mantém autonomia para definir seu voto.
Cury também afirmou que o apoio não representa um cheque em branco e que espera respeito aos direitos humanos, às minorias, à liberdade de pensamento e ao papel da oposição. Essas condições foram apresentadas como parte de sua preocupação com a condução de um eventual governo. O escritor sinalizou, assim, que pretende manter uma posição independente mesmo após declarar apoio ao candidato do PL.
Apoio ocorre na reta decisiva da eleição presidencial
A escolha de Augusto Cury foi anunciada em 8 de outubro, poucos dias depois do primeiro turno das eleições presidenciais, realizado em 4 de outubro. Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva avançaram para a disputa final, marcada para 25 de outubro. Nesse cenário, o apoio de lideranças e candidatos que ficaram fora do segundo turno tornou-se parte das negociações políticas das duas campanhas.
Cury terminou a primeira etapa da eleição com cerca de 3,45 milhões de votos, correspondentes a 2,89% do total, segundo os resultados divulgados. Embora tenha ficado distante dos dois primeiros colocados, sua votação transformou o escritor em um dos nomes procurados durante a reorganização das alianças. O posicionamento público também permitiu que ele apresentasse suas propostas e estabelecesse condições para o apoio.
A reportagem de Diego Amorim, publicada pelo PlatôBR e reproduzida pelo Estado de Minas, destacou que a ligação pessoal de Flávio foi um diferencial na decisão de Cury, ao lado dos compromissos assumidos pelo candidato. O escritor declarou apoio ao senador, mas afirmou que manterá autonomia para cobrar as medidas acordadas e não pretende ocupar cargo em um eventual governo. A aliança passa a integrar a disputa do segundo turno, enquanto as duas campanhas continuam buscando apoio político e eleitoral.





