Últimas Notícias

Flávio Bolsonaro cresce nas pesquisas e a China começa a avaliar como ficará o cenário caso ele vença

A China passou a acompanhar com atenção as posições de Flávio Bolsonaro diante da possibilidade de uma mudança no comando do governo brasileiro após as eleições de 2026. Segundo informações obtidas pela CNN Brasil com fontes em Pequim, autoridades chinesas estão observando as “falas e práticas” do candidato para avaliar como poderiam evoluir as relações entre os dois países. Nesse contexto, temas como comércio, investimentos, minerais críticos, inteligência artificial e participação brasileira no Brics passaram a integrar o acompanhamento feito por Pequim.

De acordo com os relatos publicados pela CNN Brasil, existe preocupação entre autoridades chinesas com uma eventual política externa brasileira mais alinhada aos Estados Unidos e mais crítica à China. Ao mesmo tempo, essas fontes avaliam Flávio como mais pragmático e moderado do que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, cuja gestão foi marcada por episódios de tensão diplomática com Pequim. Assim, a avaliação chinesa não estaria concentrada apenas em declarações de campanha, mas também nas medidas que poderiam ser adotadas por um eventual governo.

A relação entre Brasil e China possui, entretanto, uma dimensão econômica que ultrapassa as mudanças de governo e as diferenças ideológicas. A China é o principal destino de importantes produtos brasileiros, incluindo soja, petróleo, minério de ferro e carnes, enquanto empresas chinesas ampliaram investimentos no país em setores como automóveis, tecnologia, infraestrutura e energia. Por isso, qualquer alteração significativa na política externa brasileira poderá ser acompanhada também sob a perspectiva dos fluxos comerciais e dos investimentos já realizados.

China acompanha as posições de Flávio Bolsonaro

Um dos principais pontos de atenção para Pequim está relacionado à possível aproximação de um governo Flávio Bolsonaro com os Estados Unidos. Segundo a reportagem da CNN Brasil, autoridades chinesas demonstram preocupação com uma postura que seja considerada abertamente favorável a Washington e hostil aos interesses chineses. Essa questão ganhou importância porque o candidato já apresentou posições sobre a relação do Brasil com o Brics e sobre mecanismos financeiros que envolvem parceiros não ocidentais.

O Brics aparece, nesse cenário, como um dos assuntos observados pela China, principalmente porque o grupo reúne importantes economias emergentes e passou por uma expansão nos últimos anos. O programa de governo de Flávio, segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo, não menciona o Brics, enquanto o candidato afirmou em entrevista que pretende avaliar a permanência brasileira no bloco. Dessa forma, a posição brasileira sobre a organização poderá ser acompanhada de perto por Pequim, especialmente diante da importância atribuída ao grupo pelo governo de Xi Jinping.

Além disso, minerais críticos e inteligência artificial foram apontados como áreas consideradas estratégicas pelas autoridades chinesas. A disputa internacional por minerais utilizados em tecnologias avançadas aumentou a relevância de jazidas brasileiras, enquanto a inteligência artificial passou a envolver diferentes iniciativas de cooperação entre China, Estados Unidos e outros países. Nesse ambiente, decisões brasileiras sobre investimentos, transferência de tecnologia e parcerias internacionais poderão produzir impactos econômicos e diplomáticos.

Relação entre Brasil e China envolve comércio e investimentos

Apesar das preocupações relatadas, as fontes consultadas pela CNN Brasil afirmam que Pequim não considera que uma eventual postura mais favorável aos Estados Unidos necessariamente provocaria uma ruptura comercial entre Brasil e China. O comércio bilateral possui bases econômicas consolidadas, e o país asiático continua sendo um dos principais compradores de produtos brasileiros. Em 2025, por exemplo, a China adquiriu 87 milhões de toneladas de soja brasileira, segundo os dados apresentados na reportagem.

O cenário relacionado aos investimentos, contudo, é apresentado de maneira diferente. De acordo com os interlocutores ouvidos pela CNN Brasil, projetos chineses instalados ou em desenvolvimento no Brasil dependem de condições políticas, diplomáticas e econômicas que ofereçam previsibilidade aos investidores. Entre os empreendimentos citados estão a fábrica da BYD na Bahia, projetos da GWM, a atuação da CRRC em São Paulo e um grande centro de dados da ByteDance no Ceará.

A relação econômica também envolve empresas de tecnologia, infraestrutura e serviços digitais, ampliando o número de setores nos quais interesses brasileiros e chineses estão conectados. Ao mesmo tempo, a aproximação entre Brasília e Washington poderá colocar o governo brasileiro diante de decisões envolvendo cadeias de fornecimento, tecnologia e minerais estratégicos. Por isso, a política externa de um eventual novo governo será acompanhada não apenas por governos estrangeiros, mas também por empresas interessadas no mercado brasileiro.

China monitora cenário eleitoral brasileiro

O acompanhamento chinês ocorre depois de um período em que as relações entre Brasil e China foram marcadas por diferentes momentos de aproximação e tensão. Durante parte do governo Jair Bolsonaro, declarações de integrantes da administração provocaram atritos com Pequim, embora o comércio bilateral tenha continuado crescendo e a China tenha permanecido como principal parceiro comercial brasileiro. Posteriormente, mudanças na política externa contribuíram para reduzir parte das divergências diplomáticas registradas naquele período.

Agora, segundo a reportagem da CNN Brasil, o embaixador chinês no Brasil, Zhu Qingqiao, deverá manter uma postura discreta durante a campanha eleitoral e evitar envolvimento que possa ser interpretado como apoio a qualquer candidato. Paralelamente, Pequim pretende acompanhar as posições apresentadas por Flávio sobre China, Estados Unidos, Brics, minerais críticos e inteligência artificial. Assim, as declarações feitas durante a campanha passam a ser observadas dentro de um contexto mais amplo de interesses econômicos e estratégicos.

O cenário também deve ser analisado considerando que o Brasil possui relações comerciais relevantes tanto com a China quanto com os Estados Unidos, tornando a política externa uma área de impacto direto sobre diferentes setores da economia. Enquanto Flávio tem defendido uma avaliação sobre a permanência brasileira no Brics e sinalizado aproximação com os Estados Unidos, a China mantém interesse na continuidade de projetos comerciais e de investimentos no país. Dessa forma, as escolhas de política externa do próximo governo poderão ser acompanhadas atentamente por Pequim e por empresas dos dois países, especialmente nos setores considerados estratégicos.

Mostrar mais

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *