Últimas Notícias

Augusto Cury disse que é a favor de investir mais em IA, até mesmo para substituir funcionários públicos

Augusto Cury propôs uma mudança profunda na estrutura do serviço público brasileiro ao defender a substituição de parte dos funcionários públicos por sistemas de inteligência artificial. A ideia foi apresentada durante a entrevista do candidato à Presidência pelo Avante no Jornal Nacional, da TV Globo, realizada em 29 de agosto de 2026. Segundo Cury, a medida faria parte de um projeto de modernização do Estado, com redução de custos e utilização de tecnologia para executar tarefas atualmente realizadas por servidores.

A proposta foi apresentada em meio a uma série de ideias defendidas pelo candidato para reformular a administração pública. Cury afirmou que pretende criar um Ministério da Inteligência Artificial e utilizar a tecnologia para ampliar a eficiência dos serviços oferecidos pelo governo. Nesse contexto, a substituição de servidores por sistemas automatizados passou a ser apresentada como uma das medidas mais radicais de seu programa eleitoral.

O candidato também relacionou a inteligência artificial à necessidade de reduzir o tamanho da máquina pública. Para Cury, atividades repetitivas e burocráticas poderiam ser executadas por sistemas tecnológicos, enquanto os recursos economizados seriam direcionados para outras áreas consideradas prioritárias. A proposta, contudo, abriu um debate sobre os limites da automação, os impactos sobre o funcionalismo e a necessidade de preservar serviços que dependem de decisões humanas.

Augusto Cury defendeu inteligência artificial no serviço público

Durante a entrevista, Augusto Cury afirmou que pretende utilizar a inteligência artificial para substituir determinadas funções exercidas atualmente por funcionários públicos. A ideia não seria retirar completamente a participação humana da administração, mas automatizar tarefas que, na avaliação do candidato, poderiam ser realizadas com maior rapidez e menor custo por sistemas tecnológicos. Dessa maneira, a tecnologia seria transformada em uma ferramenta central para reorganizar a estrutura do governo federal.

A proposta também foi associada à promessa de redução das despesas administrativas. Segundo Cury, a inteligência artificial poderia assumir funções burocráticas e repetitivas, permitindo que o Estado diminuísse gastos com determinadas atividades. Entretanto, a implementação de uma medida dessa dimensão exigiria estudos sobre legislação, estabilidade dos servidores, atribuições dos cargos e impactos financeiros de curto e longo prazo.

O candidato defendeu ainda a criação de um Ministério da Inteligência Artificial para coordenar políticas relacionadas ao setor. A estrutura teria como objetivo acompanhar o avanço tecnológico e estabelecer diretrizes para o uso de sistemas inteligentes dentro do governo. Assim, a proposta de substituir parte dos funcionários públicos estaria inserida em um projeto mais amplo de transformação digital da administração brasileira.

Proposta de Augusto Cury levantou debate sobre servidores

A substituição de trabalhadores por inteligência artificial é um tema que ultrapassa a política eleitoral e envolve mudanças que já estão sendo discutidas em empresas e governos de diferentes países. Sistemas automatizados conseguem executar determinadas tarefas administrativas, analisar grandes volumes de informações e auxiliar na tomada de decisões. Porém, a transferência de atividades para máquinas também exige mecanismos de supervisão, transparência e responsabilização.

No setor público, a discussão é ainda mais complexa devido à diversidade de funções desempenhadas pelos servidores. Algumas atividades são essencialmente burocráticas, enquanto outras dependem de atendimento direto à população, análise técnica, fiscalização e decisões que envolvem direitos individuais. Por isso, uma eventual substituição precisaria ser delimitada de acordo com cada carreira e não poderia ser aplicada de maneira uniforme a todo o funcionalismo.

Além disso, a proposta de Augusto Cury poderia provocar questionamentos sobre o destino dos servidores cujas funções fossem automatizadas. Seria necessário definir se esses trabalhadores seriam remanejados para outras áreas, treinados para novas funções ou submetidos a mudanças nas carreiras. Portanto, a viabilidade da medida dependeria não apenas da capacidade tecnológica, mas também de um plano administrativo e jurídico detalhado.

Augusto Cury colocou tecnologia no centro de seu programa

A defesa da inteligência artificial apareceu associada a outras propostas apresentadas por Cury durante a campanha presidencial. O candidato afirmou que pretende utilizar novas tecnologias em setores como saúde, educação e segurança pública, buscando acelerar atendimentos e melhorar a prestação de serviços. Nesse modelo, a digitalização seria tratada como uma das principais ferramentas para modificar a relação entre Estado e cidadão.

Na segurança pública, por exemplo, Cury defendeu o uso de aplicativos e recursos tecnológicos para ampliar a velocidade de resposta diante de situações de violência. Na saúde, também apresentou propostas envolvendo telemedicina e utilização de tecnologia para ampliar o acesso aos serviços. Dessa forma, a inteligência artificial não foi apresentada como uma medida isolada, mas como parte de uma estratégia que pretende levar automação e ferramentas digitais para diferentes áreas do governo.

A proposta, entretanto, também foi questionada durante a entrevista concedida à TV Globo. Os jornalistas buscaram saber como determinadas ideias poderiam ser implementadas em um país marcado por diferenças de infraestrutura, acesso à internet e capacidade administrativa entre regiões. Cury respondeu defendendo que a tecnologia deveria ser utilizada justamente para superar parte dessas limitações e tornar o Estado mais eficiente.

Inteligência artificial seria usada para reduzir a máquina pública

A ideia de substituir parte dos funcionários públicos por inteligência artificial colocou Cury diante de uma das discussões mais sensíveis de sua candidatura. De um lado, a automação pode reduzir tarefas repetitivas e acelerar processos que atualmente dependem de procedimentos burocráticos; de outro, mudanças profundas no funcionalismo exigiriam regras claras para evitar perda de qualidade no atendimento à população. Por isso, a proposta precisaria ser acompanhada de critérios técnicos capazes de indicar quais atividades poderiam ser automatizadas.

A discussão também deverá ganhar importância caso a inteligência artificial continue avançando no setor público brasileiro. Para transformar a proposta em política de governo, seria necessário definir quais funções poderiam ser substituídas, quais permaneceriam sob responsabilidade humana e como seriam protegidos dados e informações dos cidadãos. Assim, a ideia apresentada por Augusto Cury colocou a modernização tecnológica e a redução da máquina pública no centro de seu discurso eleitoral, mas sua eventual execução dependeria de uma ampla reorganização administrativa, jurídica e profissional do Estado.

Mostrar mais

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *