Augusto Cury reagiu a questionamento feito por César Tralli durante sabatina na Globo

Augusto Cury perdeu a paciência em alguns momentos da entrevista concedida à TV Globo e protagonizou um dos episódios mais comentados da sabatina ao responder a uma pergunta de César Tralli. O candidato do Avante à Presidência da República foi questionado sobre sua proposta de ampliar o uso da telemedicina no Sistema Único de Saúde e reagiu afirmando que era médico e que o jornalista havia se esquecido disso. A resposta aconteceu durante a última entrevista da série realizada pela emissora com os candidatos mais bem posicionados na pesquisa da Quaest.
A discussão ocorreu quando Cury defendia que até 80% das consultas básicas do SUS poderiam ser realizadas por meio de teleatendimento. Tralli questionou a viabilidade da proposta e lembrou que existem regras profissionais e limitações para a substituição de consultas presenciais por atendimentos remotos. Diante da observação, Cury citou sua formação médica e afirmou que vivia a medicina, além de defender uma atualização das normas diante do avanço acelerado da tecnologia.
A fala chamou atenção porque ocorreu em uma entrevista que também foi marcada por outros momentos de irritação do candidato. Em outro trecho, Cury rebateu Renata Vasconcellos após ser questionado sobre possíveis conflitos de interesses relacionados a propostas de educação emocional e a atividades empresariais anteriores. Assim, a participação do presidenciável terminou sendo marcada tanto pela apresentação de propostas quanto por respostas mais ríspidas aos jornalistas.
Augusto Cury defendeu telemedicina no SUS
A proposta de Augusto Cury para a saúde pública foi apresentada como parte de um projeto de modernização do SUS baseado em tecnologia e inteligência artificial. O candidato afirmou que atendimentos básicos poderiam ser feitos remotamente, enquanto casos mais complexos seriam direcionados para consultas presenciais. Segundo Cury, a medida poderia ampliar o acesso da população ao atendimento médico, especialmente em regiões onde existe dificuldade de deslocamento ou escassez de profissionais.
Durante a entrevista, porém, a proposta foi confrontada com as regras atualmente estabelecidas para a prática da telemedicina no país. Cury reconheceu a existência das normas, mas defendeu que o Conselho Federal de Medicina precisaria acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas. Dessa maneira, o candidato sustentou que novas ferramentas digitais deveriam ser incorporadas à medicina sem que isso significasse, em sua avaliação, abandonar a qualidade do atendimento aos pacientes.
Outro ponto que provocou questionamentos foi a relação anterior de Cury com uma empresa de telemedicina. O candidato foi questionado sobre ter sido sócio da companhia até 2023 e posteriormente ter atuado como embaixador, enquanto defendia uma política nacional de expansão desse tipo de atendimento. Cury negou qualquer conflito de interesses e afirmou que não mantinha relação empresarial com a empresa, sustentando que sua experiência anterior apenas demonstrava conhecimento sobre o funcionamento da tecnologia.
Augusto Cury rebateu questionamentos durante a sabatina
A reação a César Tralli não foi o único momento de tensão protagonizado por Augusto Cury durante a entrevista. Ao ser questionado por Renata Vasconcellos sobre uma proposta relacionada à educação emocional de professores, o candidato interrompeu a abordagem e pediu que a jornalista explicasse onde havia encontrado a informação mencionada. O episódio reforçou a percepção de que Cury demonstrou dificuldade para lidar com algumas perguntas mais críticas feitas durante a sabatina.
Apesar dos momentos de tensão, Cury apresentou uma série de propostas para diferentes áreas do governo federal. O candidato defendeu a redução de oito a dez ministérios, a criação de uma estrutura dedicada à inteligência artificial e à robótica, o aumento da tributação sobre empresas de apostas e a digitalização da máquina pública. Ele também afirmou que pretendia utilizar tecnologia para aumentar a eficiência administrativa e combater desperdícios e irregularidades.
Na área de segurança pública, o candidato apresentou propostas voltadas ao uso de drones e de aplicativos para acelerar o atendimento a mulheres vítimas de violência. Cury afirmou que drones poderiam ser acionados a partir das delegacias para chegar rapidamente aos locais de ocorrências, enquanto um aplicativo permitiria que vítimas acionassem as autoridades por meio de um botão de alerta. As medidas foram apresentadas como parte de uma estratégia de prevenção ao feminicídio baseada em tecnologia e resposta rápida.
Augusto Cury encerrou série de entrevistas da Globo
A entrevista de Augusto Cury encerrou a rodada de sabatinas da TV Globo com seis candidatos à Presidência da República. A sequência havia começado com Romeu Zema, seguido por Ronaldo Caiado, Renan Santos, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, antes da participação do candidato do Avante no sábado, 29 de agosto. As conversas foram conduzidas por Renata Vasconcellos e César Tralli e transmitidas após o Jornal Nacional.
O desempenho de Cury colocou em evidência uma campanha que tenta se diferenciar pela defesa de tecnologia, inteligência artificial, empreendedorismo e mudanças na estrutura do Estado. Ao mesmo tempo, os momentos de irritação diante dos questionamentos dos jornalistas passaram a fazer parte da repercussão política da entrevista. Agora, a campanha precisará transformar as propostas apresentadas e a exposição conquistada na televisão em confiança eleitoral, especialmente em uma disputa presidencial marcada pela forte presença de candidatos já conhecidos do público.





