Autoridades estão preocupadas com os problemas que o Super El Niño poderá causar na saúde dos brasileiros

O Super El Niño acendeu um alerta para a possibilidade de uma nova epidemia de dengue em Minas Gerais em 2027, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG). O secretário estadual de Saúde, Fábio Baccheretti, afirmou que existe a expectativa de que todas as regiões mineiras sejam atingidas pela doença, em um cenário que pode ser agravado pelo aumento das temperaturas e pelas alterações no regime de chuvas. A preocupação foi apresentada durante a Jornada Mineira de Arboviroses 2026, realizada nos dias 27 e 28 de outubro, na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte.
A avaliação das autoridades sanitárias considera a possibilidade de repetição de condições climáticas observadas antes da grande epidemia registrada em 2024, quando Minas Gerais contabilizou mais de 1,6 milhão de casos prováveis de dengue. O fenômeno El Niño provoca mudanças na circulação atmosférica e pode favorecer períodos de calor intenso e alterações nas chuvas, criando condições propícias à reprodução do mosquito Aedes aegypti. Diante desse cenário, o governo estadual pretende intensificar as medidas de prevenção, ampliar o monitoramento de possíveis criadouros e preparar os serviços de saúde para atender a um eventual aumento de pacientes.
Os números registrados em 2026 mostram que a dengue continua representando um desafio para a saúde pública mineira, mesmo com a redução expressiva em comparação com o período epidêmico anterior. Até outubro, o estado contabilizou 65.005 casos prováveis, dos quais 48.403 foram confirmados, além de 52 mortes pela doença. A Secretaria de Saúde também acompanha a chikungunya e a zika, outras arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti, e considera necessário antecipar as ações para reduzir o risco de novos surtos.
Super El Niño pode favorecer nova epidemia de dengue em Minas
Fábio Baccheretti afirmou que o comportamento climático observado em 2026 apresenta semelhanças com o período que antecedeu a epidemia de dengue de 2024, o que reforça a necessidade de preparação antecipada. Naquele ano, Minas Gerais registrou 1.668.718 casos prováveis, um dos maiores números já observados no estado, além de uma forte pressão sobre os serviços de atendimento médico. Embora o histórico não permita afirmar que uma nova epidemia ocorrerá com a mesma intensidade, as autoridades consideram importante utilizar os dados anteriores para organizar a resposta sanitária.
O calor pode acelerar o ciclo de desenvolvimento do mosquito e favorecer sua reprodução, enquanto as chuvas podem criar novos locais de acúmulo de água, especialmente em recipientes e espaços sem manutenção adequada. A combinação desses fatores aumenta a preocupação com a formação de criadouros em áreas urbanas e residenciais, onde o vetor encontra condições favoráveis para se multiplicar. O secretário, entretanto, ressaltou que nem todo mosquito observado é necessariamente da espécie transmissora ou está infectado por algum vírus, motivo pelo qual o monitoramento precisa ser acompanhado de ações específicas de controle.
Um dos principais pontos de atenção está dentro das próprias residências, onde, segundo a Secretaria de Saúde, aproximadamente 85% dos focos de reprodução do mosquito são encontrados. Caixas-d’água destampadas, vasos, garrafas, pneus, calhas entupidas e outros recipientes capazes de acumular água podem se transformar em criadouros quando não recebem os cuidados necessários. Por isso, o enfrentamento da dengue dependerá tanto das ações governamentais quanto da participação dos moradores na eliminação de focos e na manutenção dos quintais e demais espaços domésticos.
Governo aposta em drones e reforço no combate ao mosquito
Entre as estratégias preparadas pelo governo mineiro está a Política VigiDrones, que utiliza equipamentos aéreos para identificar e mapear possíveis criadouros do Aedes aegypti. A iniciativa recebeu aproximadamente R$ 30,5 milhões em investimentos e permite localizar terrenos com entulho, caixas-d’água desprotegidas e outros pontos que podem favorecer a proliferação do vetor. Até maio de 2026, após a conclusão de um segundo ciclo de monitoramento, os sobrevoos haviam abrangido cerca de 497 mil hectares de áreas urbanas e identificado mais de 334 mil pontos de interesse.
A tecnologia também pode auxiliar na aplicação de larvicidas em pequenos depósitos de água situados em locais de difícil acesso, mas não substitui o trabalho presencial dos agentes de combate às endemias. As equipes municipais continuam responsáveis por realizar visitas, orientar os moradores e atuar nos locais identificados durante as inspeções, enquanto as informações dos drones ajudam a direcionar as ações. O governo também prevê reforçar a limpeza urbana, retirar entulhos e ampliar a utilização de equipamentos de controle vetorial conforme a necessidade de cada município.
Outra frente envolve a preparação dos profissionais de saúde para reconhecer os sinais de agravamento da doença e iniciar o tratamento adequado sem demora. Desde 2023, o governo de Minas Gerais investiu aproximadamente R$ 300 milhões no enfrentamento das arboviroses, com recursos destinados à vigilância epidemiológica, à aquisição de insumos, ao controle do mosquito e ao apoio às administrações municipais. A capacitação das equipes busca reduzir complicações e mortes, especialmente em períodos nos quais o aumento dos casos pode elevar a procura por unidades de saúde.
Vacinação e atendimento médico são prioridades para 2027
A vacinação também integra o planejamento para reduzir o impacto de uma possível epidemia em Minas Gerais, principalmente entre crianças e adolescentes que fazem parte do público elegível para a vacina Qdenga pelo Sistema Único de Saúde. O imunizante é aplicado em duas doses para pessoas de 10 a 14 anos, e a Secretaria de Saúde alerta para a importância de completar o esquema vacinal recomendado. Em 2025, foram aplicadas 441.433 doses nesse público no estado, enquanto, entre janeiro e outubro de 2026, foram administradas 612.997 doses considerando os públicos elegíveis.
O governo estadual também acompanha a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, cuja ampliação de uso depende das avaliações e decisões das autoridades sanitárias competentes. A expectativa é que novas possibilidades de imunização contribuam para aumentar a proteção da população, caso as condições técnicas e regulatórias permitam a expansão da estratégia. Enquanto isso, as autoridades reforçam que a vacinação disponível deve seguir as recomendações oficiais e precisa ser combinada com a eliminação de criadouros e o monitoramento epidemiológico.
O período de maior incidência da dengue em Minas Gerais costuma ocorrer durante os meses mais quentes e chuvosos, e a Secretaria de Saúde trabalha com a possibilidade de aumento da transmissão entre fevereiro e março de 2027. Além de prevenir a reprodução do mosquito, o governo pretende fortalecer o atendimento para que os pacientes recebam assistência rápida, com atenção especial à hidratação e aos sinais de agravamento. Embora o Super El Niño represente um fator adicional de preocupação, a dimensão de uma eventual epidemia dependerá das condições climáticas, da circulação do vírus, das medidas de controle e da colaboração da população.





