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Partido de Flávio Bolsonaro recorreu a influenciadores para tentar tira rdo ar o canal criado por André Janones no WhatsApp

A ação chamou atenção porque, de acordo com a reportagem, algumas das denúncias feitas na plataforma utilizaram informações falsas para tentar justificar a retirada do canal. Uma das alegações apresentadas pelo grupo dizia que Flávio Bolsonaro proibiria o voto feminino, afirmação que é falsa. O próprio conteúdo do “Exército do Lula” foi analisado na reportagem e não foi identificada publicação com essa afirmação atribuída ao canal.

O episódio ocorreu em meio à disputa pelo segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro e mostrou como as redes sociais passaram a ocupar espaço central na estratégia dos dois grupos políticos. Criado originalmente em abril, o canal de Janones tinha cerca de 50 mil participantes antes do primeiro turno e ganhou mais de 1 milhão de novos inscritos em poucos dias. A estrutura passou a ser usada para orientar apoiadores, ampliar a divulgação de conteúdos e organizar a militância digital em favor da campanha petista.

PL reage ao crescimento do Exército do Lula

O crescimento do canal foi acompanhado de perto pelo grupo político de Flávio Bolsonaro porque Janones passou a tratá-lo como uma espécie de central de mobilização digital. Mensagens de texto e áudio foram utilizadas para orientar os participantes a convidar novos integrantes e ampliar rapidamente o número de inscritos. A meta anunciada pelo deputado chegou a ser de entre 2 milhões e 3 milhões de seguidores no WhatsApp.

A estratégia de Janones também incluiu a participação de influenciadores, políticos e produtores de conteúdo com grande número de seguidores. A intenção era fazer com que diferentes perfis publicassem mensagens coordenadas sobre Lula e a campanha, ampliando a circulação das informações em ambientes digitais distintos. O deputado afirmou que pretendia construir uma comunicação mais unificada, depois de avaliar que a esquerda não havia conseguido organizar esse tipo de atuação durante os últimos anos.

Foi justamente esse crescimento que passou a ser alvo da reação articulada pelo PL, segundo o Estado de Minas. Depois da reunião virtual, participantes entraram no canal e começaram a registrar denúncias no WhatsApp, utilizando como justificativa conteúdos considerados falsos sobre Flávio. Entre as alegações apresentadas estava a informação falsa sobre uma suposta proibição do voto feminino, que não corresponde à realidade.

Influenciadores usaram informação falsa nas denúncias

A utilização de uma informação falsa nas denúncias acabou se tornando um dos principais pontos do episódio. A reportagem do Estado de Minas informou que o grupo ligado ao PL alegava que o canal divulgava fake news contra Flávio Bolsonaro, mas a acusação sobre a proibição do voto feminino não era verdadeira. Dessa maneira, a tentativa de derrubar o espaço digital passou a envolver também uma disputa sobre a veracidade dos argumentos utilizados para denunciar o conteúdo.

André Janones reagiu publicamente à ofensiva e afirmou que apoiadores de Flávio Bolsonaro estavam fazendo denúncias em massa para tentar retirar o “Exército do Lula” do WhatsApp. Como resposta, o deputado criou uma página no Instagram dedicada à divulgação de conteúdos relacionados à campanha de Lula. A medida foi adotada enquanto o canal alcançava uma dimensão que o próprio Janones disse ter sido maior do que imaginava.

A disputa ocorre em um ambiente digital no qual informações falsas já haviam sido utilizadas pelos dois lados da eleição. Uma checagem do UOL Confere identificou, antes do primeiro turno, conteúdos falsos disseminados em grupos de WhatsApp ligados à campanha de Flávio, enquanto também houve registro de uma informação falsa relacionada ao PL compartilhada por uma plataforma ligada ao PT. O cenário mostra que a circulação de desinformação passou a integrar a disputa eleitoral e vem sendo acompanhada por veículos de checagem e pela Justiça Eleitoral.

Guerra digital ganha força no segundo turno

A tentativa de derrubar o “Exército do Lula” ocorreu, portanto, enquanto os dois campos ampliavam suas estruturas de comunicação pela internet. De um lado, Janones transformou o canal em uma ferramenta para organizar apoiadores e distribuir orientações sobre a campanha de Lula; de outro, o PL mobilizou influenciadores para reagir ao crescimento desse espaço. A disputa deixou de envolver apenas a produção de mensagens e passou também a atingir a própria permanência dos canais utilizados para disseminá-las.

O caso também coloca em evidência a importância das denúncias feitas diretamente às plataformas durante o período eleitoral. Quando uma reclamação é baseada em uma informação falsa, como ocorreu na alegação sobre o voto feminino citada pelo Estado de Minas, a própria ferramenta criada para combater conteúdos irregulares pode ser utilizada em uma disputa política. Com a campanha do segundo turno em andamento, a atuação de partidos, influenciadores e militantes nas redes deverá continuar sendo acompanhada diante do impacto que essas estruturas podem ter na circulação de informações entre os eleitores.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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