Caiado diz que reajuste do Bolsa Família antes de eleição é “o maior golpe”

O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) fez nesta sexta-feira, 18, crítica contundente ao reajuste anunciado pelo governo federal para o Bolsa Família, a menos de três semanas do primeiro turno das eleições. Em declaração após reunião com conselheiros do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o postulante classificou a medida como uma ação direcionada ao eleitorado, em vez de ajuste técnico. “Esse aumento representa a maior manobra feita junto à população, ao buscar influenciar o voto com um acréscimo de R$ 91”, afirmou o governador de Goiás.
O governo formalizou na quinta-feira, 17, o reajuste de 15,04% nos valores do programa social. Com a alteração, o piso do benefício passa de R$ 600 para R$ 691 por família, a ser aplicado já no pagamento de outubro. O valor médio recebido pelas famílias deverá subir de R$ 675 para R$ 777. A gestão federal justifica o percentual como reposição da inflação acumulada no período, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), mas a oposição questiona o momento e a forma de divulgação do aumento.
Caiado questionou a origem dos recursos destinados à ampliação do programa. “Anuncia-se um acréscimo de R$ 5,8 bilhões sem que haja correspondência clara de fonte orçamentária”, assinalou. Para ele, a ausência de indicação de receita equivalente sinaliza que o custo será repassado à sociedade por meio de nova carga tributária. O candidato citou especificamente a discussão sobre o imposto seletivo, previsto na reforma tributária, como um dos instrumentos que poderá onerar ainda mais o orçamento das famílias.
Na avaliação do candidato, o impacto será sentido de forma difusa, por meio de preços mais elevados de produtos e serviços. “O cidadão vai perceber que sobra menos dinheiro no fim do mês, mas nem sempre identificará de onde vem o aumento de custo”, observou. Segundo ele, a população pode não associar diretamente a elevação de despesas ao incremento do programa, o que, no entanto, não afasta a responsabilidade do governo pela gestão equilibrada dos recursos públicos.
O debate sobre a legitimidade de reajustes em véspera de eleição ganha força no cenário nacional. Enquanto o governo defende a medida como cumprimento de compromisso social e manutenção do poder de compra das famílias mais vulneráveis, opositores veem nela uso da máquina pública para favorecer a própria candidatura. O tema já foi levado ao Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a legalidade do reajuste, mas recomendou clareza e previsibilidade em futuras revisões de valores.
A população acompanha esses desdobramentos buscando compreender os dois lados da questão: a garantia de renda essencial para milhões de brasileiros e a sustentabilidade fiscal que assegure estabilidade econômica a todos. O eleitor terá nas mãos a decisão sobre quais prioridades devem nortear o país nos próximos anos. Os candidatos seguem apresentando suas propostas, e o confronto de ideias deverá aprofundar-se nas semanas que antecedem o pleito, com foco em como conciliar proteção social e responsabilidade com os recursos do Estado.





