Campanha de Lula tenta convencer seus eleitores a comparar preços atuais dos produtos com os da época de Jair Bolsonaro

A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende retomar, na reta final do primeiro turno, uma estratégia inspirada nos chamados “Fiscais do Sarney”. Segundo informações da CNN Brasil, a orientação é estimular eleitores ligados ao petismo a registrar preços em supermercados e estabelecimentos comerciais para fazer comparações com os valores praticados durante o governo de Jair Bolsonaro. A iniciativa foi apresentada como uma tentativa de responder ao discurso de Flávio Bolsonaro (PL), que tem concentrado parte de sua campanha na questão do custo de vida.
A ideia é que os registros sejam utilizados pela campanha em vídeos para as redes sociais e também em materiais de comunicação eleitoral. A estratégia deverá ser colocada em prática na próxima semana, quando os apoiadores de Lula seriam orientados a mostrar os preços encontrados nos estabelecimentos. Com isso, a campanha pretende levar para o debate eleitoral uma comparação direta sobre o comportamento dos preços em diferentes períodos de governo.
O nome da estratégia faz referência a uma mobilização ocorrida durante o governo de José Sarney, após o lançamento do Plano Cruzado, em 1986. Naquele período, cidadãos passaram a fiscalizar preços congelados e denunciar estabelecimentos que descumprissem as regras estabelecidas pelo governo, movimento que ficou conhecido como “Fiscais do Sarney”.
Campanha de Lula mira o debate sobre preços
A iniciativa da campanha petista foi associada ao discurso que Flávio Bolsonaro vem adotando durante a disputa presidencial. Segundo a CNN Brasil, o candidato do PL tem utilizado o encarecimento do custo de vida como um dos principais pontos de sua comunicação e defendido a necessidade de mudança no governo federal. A campanha de Lula pretende responder a essa narrativa apresentando dados e registros feitos diretamente por eleitores em estabelecimentos comerciais.
A inflação também aparece no contexto econômico utilizado pelas campanhas durante a reta final do primeiro turno. O relatório Focus divulgado pelo Banco Central em setembro registrou projeções de mercado para o IPCA de 4,92% em 2026, 4,30% em 2027 e 3,80% em 2028, sendo importante observar que esses números são expectativas coletadas junto ao mercado financeiro e não previsões produzidas pelo próprio Banco Central.
No caso da proposta atribuída à campanha de Lula, a intenção é transformar a experiência cotidiana dos consumidores em conteúdo eleitoral. Os eleitores seriam estimulados a fotografar ou gravar os preços encontrados e, posteriormente, esses materiais poderiam ser utilizados nos canais oficiais e nas redes sociais da campanha. A estratégia busca relacionar o debate sobre inflação às despesas que atingem diretamente o orçamento das famílias.
Estratégia busca recuperar eleitores de menor renda
A movimentação ocorre em meio à disputa das campanhas pelo eleitorado de menor renda. Segundo a reportagem da CNN Brasil, dirigentes petistas e bolsonaristas avaliam que o discurso relacionado ao custo de vida passou a ter maior repercussão entre eleitores da base da pirâmide social. Nesse cenário, a campanha de Lula pretende ampliar a comunicação com esse público por meio de exemplos concretos relacionados às compras do dia a dia.
O Nordeste aparece como uma das regiões mencionadas nesse contexto eleitoral. A reportagem afirma que a campanha petista acompanha mudanças na preferência de eleitores nordestinos e pretende utilizar novas ações para dialogar com segmentos de menor renda. A estratégia dos preços, portanto, foi planejada como parte de uma comunicação voltada a questões econômicas percebidas diretamente pelos consumidores.
A comparação entre diferentes períodos, entretanto, envolve produtos, datas e condições econômicas distintas, o que deve ser considerado na interpretação dos registros. Os preços observados individualmente em supermercados e lojas não correspondem, por si só, à medição oficial da inflação, que utiliza metodologias e conjuntos específicos de produtos e serviços. O próprio relatório Focus, por sua vez, reúne expectativas de instituições do mercado para indicadores econômicos futuros, e não levantamentos individuais de preços feitos por consumidores.
Preços devem virar conteúdo de campanha
A orientação aos apoiadores é que os registros feitos em mercados e lojas sejam transformados em vídeos e outros conteúdos para circulação na próxima semana. A campanha petista pretende utilizar essas imagens nos chamados palanques eletrônicos e nas redes sociais para reforçar sua comunicação sobre o custo de vida. A medida deverá colocar novamente os preços dos produtos no centro da disputa eleitoral entre Lula e Flávio Bolsonaro.
A referência aos “Fiscais do Sarney” recupera uma experiência histórica que esteve ligada ao congelamento de preços do Plano Cruzado. Na época, o próprio governo estimulava a participação dos cidadãos na fiscalização dos valores praticados no comércio, enquanto a legislação estabelecia o congelamento dos preços nos níveis registrados em 27 de fevereiro de 1986.
A nova estratégia apresentada pela campanha de Lula, porém, não prevê a reprodução das medidas econômicas adotadas durante o Plano Cruzado, mas a utilização de registros de preços como instrumento de comunicação eleitoral. A proposta deverá ser testada nas redes sociais e nos programas de campanha durante os últimos dias antes da votação do primeiro turno.





