Candidato do Missão, Renan Santos, não conseguiu autorização da Justiça para ir ao debate da Globo

O candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, criticou a organização do debate da Globo marcado para esta quinta-feira, 1º de outubro. Em declaração publicada pelo PlatôBR, o candidato afirmou que “A Globo armou um circo para o Flávio Bolsonaro” e acusou a emissora de promover uma suposta manipulação eleitoral. As declarações ocorreram após Renan não conseguir, até aquele momento, uma decisão judicial que garantisse sua participação no encontro.
Renan havia recorrido à Justiça Eleitoral para tentar participar do debate, especialmente depois da confirmação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não estaria presente. O pedido foi analisado inicialmente pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, mas não resultou na inclusão do candidato no programa. A situação também envolveu a discussão sobre os critérios utilizados pela emissora para definir os participantes.
Segundo Renan Santos, a realização do debate às vésperas do primeiro turno criaria uma situação favorável a Flávio Bolsonaro. “A Globo armou um debate às vésperas do primeiro turno para beneficiar Flávio Bolsonaro”, afirmou o candidato ao jornalista Diego Amorim, do PlatôBR. Renan classificou a situação como uma manipulação eleitoral e fez referência ao debate presidencial de 1989, que posteriormente foi reconhecido pela própria Globo como tendo tido uma edição considerada tendenciosa.
Debate da Globo tem participação definida
A Globo havia convidado inicialmente Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury para o debate presidencial. O critério utilizado pela emissora considerava partidos que haviam elegido pelo menos cinco parlamentares nas eleições de 2022, conforme a regra prevista na legislação eleitoral.
Romeu Zema foi incluído posteriormente após uma decisão do TSE relacionada à representação atual do partido Novo na Câmara dos Deputados. Nunes Marques entendeu que deveria ser considerada a composição atual da bancada, e não apenas o resultado das eleições de 2022. Com a ausência confirmada de Lula, os candidatos previstos para o encontro passaram a ser Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema.
Renan Santos, por sua vez, não atendia ao critério de representação partidária utilizado inicialmente pela Globo. A campanha do Missão argumentou na Justiça que contatos anteriores com a emissora, incluindo participações em sabatinas, poderiam ter criado uma expectativa de presença no debate. O pedido de liminar apresentado pelo candidato buscava obrigar a emissora a incluí-lo no encontro.
Candidato anuncia protesto em frente à emissora
Na avaliação apresentada por Renan, a ausência de Lula modificou o cenário inicialmente previsto para o debate. O candidato afirmou que, sem a presença do presidente, a programação permitiria a Flávio Bolsonaro ocupar um espaço de aproximadamente duas horas em horário nobre da televisão aberta. Renan também questionou quais assuntos seriam abordados durante o encontro e citou as relações de Flávio com Willer Tomaz e Daniel Vorcaro, apresentando essas questões como temas que, segundo ele, deveriam ser discutidos.
A acusação de Renan Santos contra a Globo foi apresentada como uma manifestação do próprio candidato, e não como uma conclusão independente sobre a atuação da emissora. Até a publicação da reportagem do PlatôBR, não havia decisão judicial garantindo a participação de Renan no debate. O veículo registrou que o candidato pretendia manter a mobilização política diante da situação.
Renan afirmou ainda que faria um protesto em frente aos estúdios da Globo, no Rio de Janeiro, caso não conseguisse uma liminar para participar do programa. A manifestação seria acompanhada por apoiadores e ocorreria durante o horário do debate, marcado para começar às 21h30. O encontro seria realizado nos Estúdios Globo e teria mediação do jornalista César Tralli.
Disputa judicial ocorre na reta final da campanha
A controvérsia sobre a participação de Renan aconteceu três dias antes do primeiro turno das eleições de 2026. A legislação eleitoral garante a participação em debates aos candidatos de partidos que atendam ao requisito mínimo de representação parlamentar, enquanto a participação de outros candidatos pode ser definida pelas emissoras segundo critérios objetivos.
A discussão também ganhou importância porque a ausência de um candidato convidado não impede necessariamente a realização do debate, desde que sejam cumpridas as exigências previstas nas regras eleitorais. No caso de Renan, a questão central apresentada pela campanha envolvia os contatos anteriores com a Globo e a interpretação sobre eventual convite para participação. Até aquele momento, porém, não havia decisão que garantisse sua presença no palco.
Enquanto a disputa judicial seguia, Renan Santos manteve as críticas públicas à organização do encontro e afirmou que a Globo estaria criando um cenário favorável a Flávio Bolsonaro. A emissora, por sua vez, havia definido os participantes com base nos critérios informados para o debate, que contaria com Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema. O episódio colocou a participação de Renan no centro da discussão sobre o último debate presidencial antes da votação do primeiro turno.





