Carlos Bolsonaro faz campanha se associando ao irmão candidato à Presidência do Brasil

Carlos Bolsonaro (PL) chegou à reta final da campanha ao Senado por Santa Catarina apresentando a possibilidade de uma relação direta com o governo federal caso seu irmão, Flávio Bolsonaro, seja eleito presidente da República. Em vídeos publicados durante a campanha, o ex-vereador do Rio de Janeiro afirmou que, com acesso direto ao futuro presidente, Santa Catarina receberia a atenção que, segundo sua mensagem eleitoral, merece. A estratégia passou a associar a candidatura ao Senado à disputa presidencial e às propostas defendidas por Flávio.
Em uma das gravações, Carlos afirmou que ele e a deputada federal Carol de Toni, que também concorre ao Senado pelo PL em Santa Catarina, poderiam entrar na sala do presidente. A declaração foi utilizada para apresentar a dupla como uma ponte entre o estado e uma eventual administração federal comandada por Flávio. O argumento também aparece em materiais nos quais Carlos relaciona sua candidatura a investimentos, infraestrutura e mudanças na relação entre Santa Catarina e a União.
A campanha ocorre sem que Carlos tenha participado de debates ou sabatinas com os demais candidatos ao Senado, segundo a reportagem da Folha de S.Paulo. A ausência passou a ser questionada por adversários e também gerou manifestações de aliados, enquanto o candidato concentrou parte da estratégia em vídeos, visitas a municípios catarinenses e na associação de sua imagem à família Bolsonaro. Dessa forma, a comunicação eleitoral foi estruturada principalmente em torno do sobrenome, de pautas conservadoras e da ligação com a candidatura presidencial do irmão.
Carlos Bolsonaro aposta na ligação com o governo federal
Um dos principais temas apresentados por Carlos durante a campanha é a necessidade de ampliar a interlocução de Santa Catarina com o governo federal. A estratégia dialoga com uma reivindicação frequentemente apresentada por lideranças políticas catarinenses sobre a relação entre os recursos enviados pelo estado a Brasília e o retorno obtido em investimentos e políticas públicas. O discurso também se aproxima de uma bandeira defendida pelo governador Jorginho Mello, que costuma cobrar mudanças no pacto federativo.
Durante encontros com pequenos empresários e lojistas, Carlos passou a repetir propostas atribuídas à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Entre elas estão a ideia de congelar por um ano a reforma tributária para ampliar as discussões, reduzir impostos e diminuir a burocracia para atividades econômicas. Essas propostas foram apresentadas pelo candidato ao Senado como parte de uma agenda que, em sua estratégia, poderia beneficiar Santa Catarina caso o irmão chegasse à Presidência.
A infraestrutura catarinense também entrou no discurso da campanha. Carlos passou a relacionar eventuais gargalos do estado à possibilidade de uma atuação articulada entre representantes catarinenses e o governo federal, caso sua chapa e a candidatura presidencial de Flávio obtivessem vitória. A proposta foi apresentada em meio à tentativa de transformar a proximidade familiar com o candidato ao Planalto em um argumento eleitoral para a disputa pelas duas vagas do Senado em Santa Catarina.
Origem carioca entra no centro da disputa
A candidatura de Carlos também é marcada pelo fato de ele ter construído toda a sua trajetória política no Rio de Janeiro antes de disputar uma vaga por Santa Catarina. O político exerceu sete mandatos consecutivos como vereador carioca e transferiu seu domicílio eleitoral para o estado catarinense antes de ser lançado pelo PL para a eleição ao Senado de 2026. A mudança fez com que sua origem fosse incorporada ao debate eleitoral por adversários que questionam sua ligação com o estado.
Adversários passaram a chamar Carlos de “paraquedista”, em referência à sua chegada à disputa catarinense depois de uma longa carreira política no Rio. A cientista política Cíntia de Souza, da Universidade Federal de Santa Catarina, afirmou à Folha que a questão sobre a origem do candidato já era esperada e que a campanha procurou construir uma imagem de parceria entre Carlos e Carol de Toni. A deputada é uma liderança política de Santa Catarina e foi a candidata mais votada para a Câmara dos Deputados no estado em 2022.
Para responder às críticas relacionadas à origem, Carlos passou a publicar vídeos mostrando sua presença em diferentes cidades catarinenses. Ele apareceu em Blumenau durante a Oktoberfest e também divulgou imagens de um percurso de motocicleta pela Serra do Rio do Rastro, uma das regiões turísticas conhecidas do estado. A campanha também passou a explorar com mais frequência referências a Santa Catarina e à identificação do candidato com valores que ele atribui ao eleitorado local.
Sobrenome Bolsonaro é usado como principal credencial
Outra parte importante da estratégia de Carlos é a utilização de sua ligação com Jair Bolsonaro e com a família Bolsonaro. Nos materiais eleitorais, o candidato apresenta sua participação na comunicação digital do pai como parte de sua trajetória política e procura associar essa experiência à disputa atual pelo Senado. O sobrenome também é utilizado para aproximar sua candidatura da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
Santa Catarina possui um histórico recente de forte votação em Jair Bolsonaro, que recebeu quase 70% dos votos válidos no segundo turno presidencial de 2022 no estado, segundo os dados citados pela Folha. Esse histórico passou a ser considerado pela campanha de Carlos como parte do ambiente eleitoral no qual sua candidatura está inserida. Ao mesmo tempo, outros candidatos ligados ao campo político de direita também disputam espaço entre eleitores catarinenses, criando uma disputa interna dentro desse segmento.
A corrida pelo Senado também envolve o senador Esperidião Amin (PP), que busca a reeleição, e Carol de Toni, do PL, além de outros candidatos. Pesquisa Quaest divulgada em 24 de setembro registrou Carol com 17%, Carlos com 16% e Amin com 15% das intenções de voto, enquanto Décio Lima (PT) apareceu com 10%; a margem de erro era de três pontos percentuais. Esses números representam as intenções de voto registradas naquele levantamento, realizado antes da votação, e não o resultado da eleição.
Ausência em debates marca campanha ao Senado
A participação de Carlos em debates e sabatinas tornou-se um dos pontos de discussão da campanha em Santa Catarina. Segundo levantamento do UOL, o candidato havia faltado a debates realizados em agosto e também não comparecido a sabatinas promovidas por veículos locais, enquanto sua assessoria apresentou justificativas relacionadas à agenda. A ausência foi questionada publicamente por adversários, que defenderam que o candidato apresentasse suas propostas diretamente nos confrontos eleitorais.
A estratégia adotada por Carlos priorizou, em vez disso, vídeos publicados nas redes sociais e agendas presenciais em municípios catarinenses. Nesses conteúdos, o candidato enfatizou a possibilidade de acesso ao governo federal, a defesa de pautas associadas ao bolsonarismo e a atuação conjunta com Carol de Toni. O modelo de campanha também permitiu que a imagem do candidato permanecesse diretamente vinculada à família Bolsonaro e à candidatura presidencial de Flávio.
A disputa catarinense ainda foi marcada por troca de críticas entre Carlos e Esperidião Amin durante a reta final. Amin questionou a ausência de Carlos em debates e reforçou sua própria identificação com Santa Catarina, enquanto Carlos criticou posições anteriores do senador em temas políticos e partidários. Com isso, a campanha para as duas vagas ao Senado passou a reunir a disputa entre diferentes nomes da direita, a presença de candidatos de outros campos políticos e a discussão sobre a relação de cada concorrente com o estado.





