Confiança no STF despenca em nova Quaest; veja o que mudou em apenas um mês

Quaest: desconfiança do brasileiro no STF cresce dez pontos em meio à crise
A Quaest: desconfiança do brasileiro no Supremo Tribunal Federal (STF) aumentou de maneira expressiva em setembro, justamente durante uma das fases mais delicadas da crise interna da Corte. Segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira (14), 56% dos entrevistados afirmaram não confiar no Supremo, contra 46% registrados em agosto — uma diferença de dez pontos percentuais. Ao mesmo tempo, o grupo que declarou “confiar muito” caiu pela metade, passando de 18% para 9%, enquanto 30% disseram confiar pouco, ante 33% anteriormente. Outros 5% não souberam ou preferiram não responder. Os números foram coletados entre 10 e 13 de setembro, período marcado pela repercussão do embate entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça sobre investigações relacionadas ao Banco Master. Entretanto, embora a coincidência temporal seja relevante, a pesquisa mede percepção e não demonstra que toda a mudança tenha sido causada exclusivamente pela crise entre os ministros.
Quaest: desconfiança do brasileiro no STF avança durante crise da Corte
O movimento chama atenção principalmente quando as diferentes categorias de confiança são analisadas em conjunto. Em apenas um mês, a parcela que declara confiança elevada no STF recuou nove pontos, enquanto a rejeição direta à instituição aumentou dez. Como a margem de erro geral é de dois pontos percentuais, a diferença observada entre agosto e setembro é maior do que uma simples oscilação dentro dessa margem. Além disso, o resultado surge em um contexto no qual decisões e disputas internas do Supremo passaram a ocupar diariamente o debate político. O caso Banco Master, os questionamentos sobre relatórios policiais e as divergências entre Moraes e Mendonça aumentaram a exposição da Corte. Ainda assim, é importante interpretar corretamente os números: dizer que 56% “não confiam” não significa necessariamente que todos defendam medidas como impeachment, afastamento ou mudanças profundas no STF. Confiança institucional e preferência por determinada consequência jurídica são questões diferentes e precisam ser avaliadas separadamente.
Mendonça aparece à frente de Moraes na avaliação sobre o embate
A Quaest também perguntou aos entrevistados como avaliam a atuação dos dois principais personagens da crise. Segundo o levantamento, 37% consideram que André Mendonça age corretamente no embate, enquanto 16% atribuem essa avaliação a Alexandre de Moraes. A diferença mostra que Mendonça possui, neste recorte específico, uma percepção mais favorável entre os entrevistados. Contudo, o resultado não deve ser interpretado como aprovação geral ao ministro nem como condenação da conduta de Moraes. Outra pesquisa recente, realizada pelo Datafolha entre 8 e 10 de setembro, mostrou que 37% defendiam o afastamento temporário de Mendonça, enquanto 34% defendiam o afastamento de Moraes, demonstrando que as opiniões são mais complexas do que uma divisão simples entre apoio a um e rejeição ao outro. Consequentemente, formulação das perguntas, momento das entrevistas e alternativas apresentadas influenciam o significado de cada levantamento. Além disso, nenhuma pesquisa substitui a análise jurídica dos fatos que envolvem os dois ministros.
Caso Master amplia desgaste e coloca STF no centro das atenções
O pano de fundo da deterioração da confiança é uma sequência de controvérsias relacionadas às investigações do Banco Master. O confronto público entre Moraes e Mendonça aumentou depois da divulgação de informações provenientes de procedimentos sob responsabilidade do Supremo. Desde então, Edson Fachin, presidente da Corte, passou a atuar diretamente para organizar institucionalmente a crise e estabeleceu medidas relacionadas ao acesso e à publicidade de documentos. Paralelamente, a Quaest identificou crescimento da parcela que considera o STF o Poder mais atingido pelo caso Master, embora a percepção predominante continue sendo a de que os efeitos alcançam diferentes Poderes da República. Portanto, o desgaste não está restrito à imagem individual de determinado ministro. A pesquisa sugere um problema mais amplo de confiança institucional. Por outro lado, suspeitas, mensagens ou informações presentes em investigações não podem ser confundidas automaticamente com comprovação de irregularidades. As responsabilidades eventualmente existentes precisam ser individualizadas e analisadas segundo as regras do devido processo legal.
Independentes apresentam forte aumento da desconfiança no Supremo
Talvez um dos dados politicamente mais importantes esteja entre os eleitores classificados como independentes. Nesse segmento, 65% disseram não confiar no STF, contra 50% em agosto, o que representa aumento de 15 pontos percentuais. Entre os bolsonaristas, por outro lado, a desconfiança continua elevada, porém recuou: passou de 73% para 69%. Esse percentual havia alcançado 83% em março. Já entre os lulistas, houve oscilação de 27% para 30% na parcela que não confia na Corte. Entretanto, ocorreu uma mudança mais expressiva na confiança elevada desse grupo: aqueles que declaravam confiar muito no Supremo eram 41% em agosto e agora são 23%. Dessa forma, o desgaste identificado pela pesquisa não aparece exclusivamente entre eleitores alinhados à direita ou críticos históricos da Corte. Embora em intensidades diferentes, mudanças foram registradas também entre independentes e governistas, elemento que ajuda a explicar por que a percepção institucional ganhou importância política durante a reta final da campanha presidencial.
Desconfiança no STF entra no cálculo eleitoral de Lula e Flávio
Ao mesmo tempo, a crise passou a ser incorporada às estratégias eleitorais. Flávio Bolsonaro (PL) procura se apresentar como crítico de Moraes e tem adotado posições favoráveis a Mendonça em momentos da disputa. Lula (PT), por sua vez, tenta administrar o desgaste provocado pela proximidade política que adversários procuram atribuir ao governo em relação ao Supremo. Entretanto, transformar a queda de confiança na Corte em votos é uma tarefa muito mais complexa. Em outro recorte recente da própria Quaest, apenas 2% apontaram ser crítico ao STF como característica mais importante para escolher o próximo presidente; temas como ausência de envolvimento em escândalos e defesa da democracia tiveram peso muito maior. Além disso, o levantamento presidencial divulgado nesta segunda mostra Flávio com 42% e Lula com 40% em eventual segundo turno, uma diferença que configura empate técnico considerando a margem de erro. Portanto, seria incorreto concluir que o desgaste do Supremo, isoladamente, explica a movimentação eleitoral observada.
Quaest: desconfiança do brasileiro no STF revela desafio institucional
Por fim, a Quaest: desconfiança do brasileiro no STF mostra um sinal relevante para a principal Corte constitucional do país, mas os resultados precisam ser interpretados dentro dos limites metodológicos de pesquisas de opinião. Foram entrevistadas presencialmente 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em todo o território nacional entre 10 e 13 de setembro. A margem de erro informada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%, e o levantamento, contratado pela Globo, foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-03607/2026. Assim, os números representam uma fotografia da percepção dos brasileiros no período das entrevistas, e não uma previsão sobre como essa confiança evoluirá depois do julgamento e dos próximos capítulos do caso Master. Contudo, a queda simultânea da confiança elevada e o crescimento da desconfiança indicam um desafio concreto para o Supremo: decisões juridicamente fundamentadas continuam essenciais, porém transparência, coerência institucional e capacidade de explicar suas decisões também terão peso na reconstrução de sua credibilidade perante a sociedade.




