Crise no STF pesa mais sobre Lula? Nova pesquisa revela percepção dos eleitores

Atlas: 52,3% dizem que crise no STF prejudica Lula; 20,8%, Flávio
Atlas: 52,3% dizem que crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal prejudica mais eleitoralmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que o senador Flávio Bolsonaro (PL), de acordo com pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira (23). Segundo o levantamento, 52,3% dos entrevistados apontaram Lula como o candidato mais afetado pelas turbulências recentes relacionadas à Corte, enquanto 20,8% indicaram Flávio Bolsonaro. Outros 15,5% disseram acreditar que os dois são prejudicados igualmente, ao passo que 7,5% avaliaram que nenhum deles sofre impacto. Por fim, 3,9% não souberam responder. É importante destacar, entretanto, que a pesquisa registra a percepção dos eleitores no momento das entrevistas e não estabelece uma relação comprovada de causa e efeito entre a crise institucional e eventuais mudanças nas intenções de voto dos candidatos.
Atlas: 52,3% dizem que crise pesa mais sobre Lula na percepção dos entrevistados
O resultado chama atenção porque amplia numericamente uma tendência observada na rodada anterior da AtlasIntel/Bloomberg. Na pesquisa divulgada em 17 de setembro, realizada entre os dias 11 e 16, 49,5% dos entrevistados afirmavam que a crise no STF prejudicava mais Lula, enquanto 20,9% apontavam Flávio Bolsonaro. Naquele levantamento, 14,4% acreditavam que ambos eram atingidos da mesma maneira e 6,7% diziam que nenhum dos dois era prejudicado. Portanto, na comparação entre as duas rodadas, a parcela que associa o maior desgaste ao presidente passou de 49,5% para 52,3%, enquanto a referente a Flávio permaneceu praticamente estável. Ainda assim, as pesquisas possuem amostras e períodos distintos, razão pela qual pequenas variações precisam ser analisadas levando em conta suas respectivas margens de erro e o contexto político de cada coleta.
Crise no Supremo e caso Master entram no debate da campanha presidencial
A percepção medida pela pesquisa ocorre em meio à repercussão das investigações relacionadas ao Banco Master e às disputas internas surgidas no STF durante a análise de procedimentos envolvendo o caso. Nas últimas semanas, mensagens, documentos e decisões judiciais passaram a envolver ou mencionar diferentes autoridades, aumentando a exposição política da Corte justamente na reta final da eleição presidencial. Entretanto, é necessário distinguir suspeitas, investigações e responsabilizações efetivamente comprovadas. A existência de referências a determinada autoridade em mensagens ou documentos não significa, isoladamente, participação em irregularidades. Além disso, Lula e Flávio Bolsonaro têm buscado reagir politicamente às controvérsias de maneiras distintas, enquanto aliados de ambos tentam associar os problemas do caso ao campo adversário. Por isso, a resposta captada pela AtlasIntel expressa como os entrevistados estão interpretando essa disputa, e não uma conclusão jurídica sobre os fatos examinados pelas autoridades.
Pesquisa mostra diferença entre Lula e Flávio, mas não mede transferência automática de votos
Embora Atlas: 52,3% dizem que crise prejudica mais Lula, o resultado não significa que 52,3% dos eleitores deixariam de votar no presidente por causa das controvérsias no Supremo. A pergunta apresentada pelo levantamento trata de percepção de prejuízo político, uma variável diferente da intenção de voto. Essa diferença é especialmente relevante porque pesquisas eleitorais divulgadas em setembro vêm mostrando uma disputa apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro, com oscilações dependendo do instituto, do cenário e da modalidade de primeiro ou segundo turno. Na rodada AtlasIntel/Bloomberg anterior, por exemplo, Lula aparecia numericamente com 44,1% no primeiro turno e Flávio com 41,7%, enquanto uma simulação de segundo turno registrava 46,8% para Lula e 47,2% para Flávio, números tecnicamente muito próximos dentro da margem daquele levantamento. Portanto, percepção de desgaste e decisão efetiva de voto precisam ser analisadas separadamente.
Polarização ajuda a explicar por que efeitos políticos podem ser limitados
Outro elemento relevante é o elevado grau de consolidação das preferências eleitorais. Lula e Flávio Bolsonaro apresentam, simultaneamente, bases expressivas de apoio e índices altos de rejeição, característica que limita a capacidade de acontecimentos isolados transformarem radicalmente a corrida. Uma pesquisa Datafolha divulgada em 17 de setembro, por exemplo, registrou rejeição de 47% para cada um dos dois principais candidatos. Dessa maneira, mesmo quando determinado episódio é percebido como negativo para um concorrente, isso não significa necessariamente que os eleitores migrarão para o adversário. Parte pode manter sua preferência, optar por outro candidato, declarar voto branco ou nulo ou permanecer indecisa. Além disso, segurança pública, situação econômica, renda, programas sociais e avaliações sobre o governo continuam concorrendo com a crise institucional pela atenção do eleitorado. Consequentemente, o efeito político do STF precisa ser compreendido dentro de um conjunto muito mais amplo de fatores que influenciam a campanha.
AtlasIntel/Bloomberg ouviu mais de 5 mil pessoas antes da divulgação
A rodada divulgada nesta quarta-feira ouviu 5.015 eleitores entre 17 e 22 de setembro, por meio da metodologia de recrutamento digital aleatório conhecida como Atlas RDR. Na publicação consultada, a margem de erro informada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi financiado pela Bloomberg e registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-04739/2026. O registro havia sido divulgado previamente como referente a uma pesquisa nacional realizada justamente entre os dias 17 e 22, com publicação prevista para 23 de setembro. A metodologia é importante porque toda pesquisa eleitoral representa uma estimativa baseada em uma amostra, e não a opinião individual de todos os brasileiros. Por isso, percentuais próximos devem ser interpretados com atenção à margem de erro, ao período da coleta e à maneira como cada pergunta foi apresentada aos participantes.
Atlas: 52,3% dizem que crise prejudica Lula, mas cenário continua sujeito a novos fatos
Por fim, Atlas: 52,3% dizem que crise no Supremo prejudica mais Lula, enquanto 20,8% apontam Flávio Bolsonaro, consolidando uma percepção que já aparecia na rodada anterior da mesma parceria AtlasIntel/Bloomberg. Entretanto, o levantamento não permite concluir que a crise decidirá a eleição nem quantificar quantos votos serão efetivamente ganhos ou perdidos por cada candidato em razão dela. As entrevistas terminaram em 22 de setembro, e novas decisões do STF, desdobramentos das investigações do Banco Master, acontecimentos econômicos e estratégias das campanhas ainda podem modificar a agenda pública. Além disso, diferentes institutos empregam metodologias próprias e podem registrar resultados distintos. Assim, o dado mais seguro extraído desta rodada é específico: naquele período, a maioria dos entrevistados que respondeu à pergunta enxergava Lula como o candidato politicamente mais prejudicado pela crise envolvendo a Corte. O impacto eleitoral efetivo, porém, somente poderá ser avaliado em conjunto com outros indicadores e, posteriormente, com o resultado das urnas.





