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“Cuide de não encher meu saco”, diz Fux ao ser cobrado por Gilmar no “Zap”

Troca de mensagens no WhatsApp entre integrantes do Supremo Tribunal Federal expõe publicamente o clima de forte desentendimento que tomou conta da Corte. As conversas, reveladas pela imprensa, mostram o ministro Gilmar Mendes cobrando postura institucional do ministro Luiz Fux, ao apontar um suposto acordo entre ele, André Mendonça e Kassio Nunes Marques para pedir o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. “Isto revela qualquer coisa menos postura institucional. Espero que não se repita”, escreveu Gilmar. A resposta de Fux foi igualmente direta: “Você deve dizer isso a quem quiser. Para cima de mim não. Ninguém me diz como agir”.

O confronto prosseguiu com trocas incisivas. “Cuide de atuar como presidente da turma”, devolveu Gilmar. Fux encerrou a conversa com tom ríspido: “Bom dia. Cuide de não encher meu saco”. Os desentendimentos não se restringiram a esse diálogo. Gilmar Mendes também trocou mensagens com Kassio Nunes Marques, que chegou a bloqueá-lo posteriormente. “Assumam que estão em situação difícil e saiam dos processos. Abram as contas”, escreveu Gilmar. Kassio respondeu pedindo respeito e classificou a abordagem como inadequada.

A troca com Nunes Marques ganhou contornos ainda mais sérios. Gilmar insistiu: “Não julguem se não houver condições. Você tem de sair do TSE também”. O ministro retrucou dizendo que não falaria com quem não o respeita e afirmou prestar contas de tudo há 15 anos. Gilmar acrescentou: “Verdade! E de sua família”. A menção abriu caminho para questionamentos sobre possíveis vínculos de parentes com pessoas envolvidas nas investigações, tema que já havia surgido durante a sessão desta terça-feira.

O cerne das acusações recai sobre a conduta do ministro André Mendonça. Segundo relatório de inteligência da Polícia Federal, ele teria deixado de lado indícios que envolveriam outros ministros, como Dias Toffoli e o filho de Kassio Nunes Marques, ao mesmo tempo em que determinou à corporação a busca ágil por conversas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. O prazo dado foi de apenas 72 horas, ritmo bem diferente do adotado em outras situações, segundo os registros.

O documento aponta ainda diferença de celeridade na análise de pedidos. Mendonça teria decidido com maior rapidez sobre solicitações envolvendo aliados do governo, como o senador Jaques Wagner, enquanto processos relacionados a nomes da oposição, como o governador Cláudio Castro, ligado ao grupo de Jair Bolsonaro, tramitariam em ritmo mais lento. A percepção de tratamento desigual reforça suspeitas de que a relatoria poderia estar sendo conduzida com critérios que não apenas jurídicos.

A sociedade acompanha com preocupação estes desdobramentos, pois a confiança no Judiciário depende da percepção de igualdade e imparcialidade. As mensagens tornam público o que antes se desenrolava nos bastidores e mostram que a crise vai além de divergências processuais: envolve questionamentos sobre a lisura com que cada ministro conduz sua parte. O que se espera é que as apurações prossigam com isenção, que cada um tenha oportunidade de se explicar e que as decisões sejam baseadas em provas, de forma a restabelecer a credibilidade da instituição perante o país.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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