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Cury critica Lula sobre bets e faz proposta que chama atenção

Cury critica Lula sobre bets e defende aumento da taxação do setor

Cury critica Lula sobre bets após decisão do governo

O candidato à Presidência pelo Avante, Augusto Cury, criticou nesta segunda-feira (28) a decisão do governo Luiz Inácio Lula da Silva de proibir as apostas de quota fixa no Brasil e apresentou uma alternativa caso o mercado não seja completamente encerrado. Durante uma agenda em São Paulo, depois de uma reunião fechada com a diretoria do Bradesco, na região da Faria Lima, o presidenciável afirmou que as bets deveriam ser eliminadas ou submetidas a uma tributação muito mais elevada. A manifestação ocorreu poucos dias antes do primeiro turno e colocou novamente as apostas no centro do debate eleitoral. Segundo Cury, a medida adotada pelo governo não seria suficiente para enfrentar os problemas associados ao setor. Além disso, o candidato questionou o momento escolhido para a mudança e atribuiu à decisão uma motivação eleitoral, interpretação que representa sua avaliação política sobre a iniciativa de Lula.

Cury critica Lula sobre bets e propõe tributação elevada

A principal alternativa apresentada por Cury foi a criação de uma carga tributária de 50% a 60% para as empresas de apostas, caso a atividade não seja completamente proibida. O candidato comparou o tratamento que defende para as bets ao modelo aplicado a produtos considerados prejudiciais à saúde e associados à dependência. Dessa maneira, sua proposta combina duas possibilidades: a eliminação das apostas de quota fixa ou a imposição de uma tributação considerada, por ele, suficientemente elevada para desestimular a atividade e compensar seus possíveis impactos sociais. É importante destacar, contudo, que esse percentual representa uma proposta de campanha de Cury e não uma alíquota estabelecida pela legislação brasileira. Atualmente, o debate sobre a tributação do setor está inserido em um cenário diferente, porque a Medida Provisória nº 1.394/2026 determinou a proibição da exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa.

O que muda com a MP das bets

A medida provisória foi publicada em 25 de setembro e entrou em vigor na própria data. O texto alcança apostas sobre eventos esportivos e jogos on-line classificados como apostas de quota fixa, além de estabelecer regras para o encerramento das operações autorizadas. Ao mesmo tempo, a norma criou mecanismos de fiscalização e determinou que as autorizações existentes sejam encerradas dentro do período previsto no próprio texto. Entretanto, por se tratar de uma medida provisória, a decisão ainda precisa passar pelo Congresso Nacional para permanecer em vigor dentro do modelo constitucional. Portanto, o fim das bets anunciado pelo governo não representa, por si só, uma legislação definitiva aprovada pelo Legislativo. A medida também já provocou reação jurídica do setor, que questiona diferentes aspectos da decisão. Nesse contexto, a crítica de Cury ocorre enquanto o governo tenta sustentar uma mudança que poderá ser examinada tanto politicamente pelo Congresso quanto juridicamente pelo Judiciário.

Cury questiona regulamentação anterior das apostas

Outro ponto central da manifestação do candidato foi a crítica à trajetória regulatória das apostas no Brasil. Cury argumentou que o governo Lula primeiro permitiu a regulamentação do mercado e, posteriormente, decidiu pelo encerramento das operações. A afirmação, porém, precisa ser contextualizada. As apostas esportivas de quota fixa foram legalizadas em 2018, durante o governo Michel Temer, por meio da Lei nº 13.756. Já em 2023, durante o terceiro mandato de Lula, a Lei nº 14.790 ampliou o marco legal para incluir os jogos on-line e estabeleceu novas regras para o funcionamento do setor. Em 2024, o Ministério da Fazenda criou normas complementares, incluindo requisitos para autorização, fiscalização, prevenção à lavagem de dinheiro e medidas de jogo responsável. Assim, embora Cury atribua responsabilidade política ao governo Lula pela regulamentação mais recente, a origem jurídica das apostas esportivas é anterior à atual administração. Essa distinção é relevante para que o debate eleitoral não seja confundido com a sequência real das normas.

A questão do endividamento das famílias

Cury também relacionou as apostas ao endividamento das famílias brasileiras. Na avaliação apresentada pelo candidato, parte dos recursos direcionados às plataformas deixa de ser utilizada na compra de produtos e serviços e, consequentemente, reduz o dinheiro disponível para outras atividades econômicas. Ele ainda afirmou que as famílias brasileiras pagariam cerca de R$ 1,2 trilhão por ano em juros. Como se trata de uma declaração feita pelo candidato, o número deve ser entendido como uma estimativa ou argumento utilizado por sua campanha, e não como uma estatística independente confirmada no discurso. Ainda assim, o endividamento e o custo do crédito são temas relevantes no debate econômico nacional. Nesse sentido, Cury conectou sua crítica às bets a uma agenda mais ampla de redução dos juros e de controle das contas públicas. Segundo sua proposta, um eventual governo deveria revisar despesas e buscar diminuir o déficit para criar condições que permitissem a redução da taxa básica de juros.

Cury relaciona bets, juros e responsabilidade fiscal

A agenda econômica apresentada pelo candidato vai, portanto, além da discussão sobre apostas. Depois da reunião com executivos do Bradesco, Cury voltou a defender uma revisão ampla das despesas públicas, descrita por ele como uma espécie de “pente-fino” nos gastos governamentais. O objetivo declarado seria reduzir o déficit e criar condições para que o Banco Central pudesse diminuir a taxa básica de juros. Cury afirmou que gostaria de levar a Selic para níveis próximos de 7% ou 8% em um prazo estimado de um ano a um ano e meio. Essa é uma meta defendida pelo candidato e não uma projeção oficial do Banco Central. Além disso, a redução da taxa básica depende de uma série de fatores, incluindo inflação, expectativas econômicas, atividade e condições fiscais. Dessa forma, a proposta de Cury sobre as bets foi apresentada dentro de uma visão econômica mais ampla, na qual responsabilidade fiscal e custo do crédito ocupam posição central.

Decisão sobre bets entra na reta final da eleição

O momento escolhido para a decisão do governo também passou a fazer parte da disputa eleitoral. Cury acusou Lula de ter adotado a medida às vésperas do primeiro turno com objetivo político, mas essa interpretação deve ser atribuída ao candidato, já que a justificativa oficial da MP está relacionada ao encerramento das apostas de quota fixa e à criação de mecanismos de fiscalização. Paralelamente, a pesquisa Quaest divulgada em 28 de setembro mostrou Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, Flávio Bolsonaro com 34%, Augusto Cury e Ronaldo Caiado com 4% cada, Renan Santos com 3% e Romeu Zema com 1%. O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre 24 e 27 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e registro BR-06520/2026 no Tribunal Superior Eleitoral. Portanto, a declaração de Cury sobre as bets acontece em uma campanha na qual sua candidatura também disputa espaço no eleitorado, enquanto a nova política de apostas se transforma em tema econômico, social e eleitoral.

O que está em disputa após a crítica de Cury

A posição apresentada por Cury coloca duas alternativas no centro do debate: proibir as apostas de quota fixa ou mantê-las sob regras mais rígidas e tributação elevada. Já o governo Lula optou, por meio da MP 1.394/2026, pela proibição da exploração, oferta, intermediação e publicidade desse mercado, deixando a continuidade da medida sujeita à análise do Congresso e aos questionamentos que poderão ser feitos no Judiciário. Ao mesmo tempo, a discussão sobre os efeitos econômicos e sociais das bets continuará sendo influenciada pela implementação da norma, pela reação das empresas e pelas decisões das instituições responsáveis. Assim, a crítica de Cury não representa uma mudança na legislação, mas apresenta uma alternativa política para o tratamento do setor. O episódio mostra, ainda, como as apostas passaram de um mercado regulado recentemente estruturado para um dos principais temas econômicos da reta final da eleição de 2026, envolvendo arrecadação, endividamento, proteção dos consumidores, fiscalização e responsabilidade fiscal.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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