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Cury fala em taxar big techs e cita ministro de Lula para seu governo

O candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) apresentou nesta sexta-feira (28) uma proposta que combina liberdade nas redes sociais com uma política mais rigorosa de tributação sobre grandes plataformas digitais. Em entrevista concedida aos veículos O Globo, CBN e Valor Econômico, o presidenciável afirmou ser contrário à criação de mecanismos de controle sobre o conteúdo publicado nas redes, defendendo que esses espaços devem permanecer como ambientes de liberdade. Ao mesmo tempo, Cury propôs elevar significativamente a cobrança de impostos sobre empresas de tecnologia e plataformas digitais, especialmente aquelas que, segundo sua avaliação, utilizam modelos capazes de estimular o uso excessivo dos serviços. A ideia coloca as chamadas big techs no centro de uma discussão que envolve liberdade de expressão, saúde digital, arrecadação e responsabilidade das empresas.

Ao explicar sua proposta, Cury comparou o efeito que determinadas plataformas podem produzir com o potencial de dependência associado ao cigarro e às apostas esportivas on-line, conhecidas como bets. O candidato defendeu que a tributação seja direcionada às empresas responsáveis pelas plataformas, e não aos influenciadores que produzem conteúdo. Na avaliação dele, parte dos recursos gerados por empresas como TikTok e Meta deveria receber uma tributação elevada, principalmente quando os serviços apresentarem características que favoreçam o uso compulsivo. Para o presidenciável, a mesma lógica poderia ser aplicada às casas de apostas, que também deveriam contribuir de maneira mais significativa. A proposta ainda precisaria ser transformada em legislação e detalhada em relação a alíquotas, critérios e mecanismos de fiscalização caso venha a integrar um programa de governo.

Apesar de defender uma cobrança maior sobre as plataformas, Cury fez questão de diferenciar sua proposta tributária de uma política de controle das redes. O candidato afirmou que não pretende restringir a atuação dos influenciadores e, inclusive, apresentou uma ideia pouco convencional para utilizar esse segmento em sua política externa. Em um eventual governo, segundo ele, influenciadores digitais poderiam ser aproveitados em determinadas embaixadas consideradas estratégicas para promover a imagem brasileira no exterior. A intenção seria ampliar a capacidade de comunicação do país com públicos estrangeiros e utilizar a popularidade dessas personalidades como ferramenta de divulgação cultural, econômica e institucional. A proposta sinaliza que, para Cury, o problema estaria menos na existência dos influenciadores e mais no modelo de funcionamento das plataformas que concentram grande parte da audiência digital.

Médico de formação, Cury também relacionou sua posição sobre as redes sociais aos efeitos do uso excessivo das plataformas entre crianças e adolescentes. Durante a entrevista, o candidato afirmou que esses serviços podem provocar níveis elevados de dependência psicológica e defendeu que as famílias adotem medidas para reduzir o tempo de exposição dos jovens. Entre as sugestões apresentadas está uma espécie de “detox digital” aos finais de semana, com os pais estabelecendo períodos nos quais os filhos não tenham acesso às redes. A proposta transfere parte da responsabilidade para o ambiente familiar e busca estimular uma relação mais equilibrada com a tecnologia. O tema, que envolve educação, hábitos familiares e uso responsável de dispositivos, também vem ganhando espaço no debate público à medida que aumenta a presença das redes no cotidiano de crianças e adolescentes.

Na mesma entrevista, o presidenciável apresentou uma de suas principais propostas para a estrutura administrativa do governo federal. Caso seja eleito, Cury afirmou que pretende reduzir a Esplanada dos Ministérios para apenas nove pastas, número inferior a metade da estrutura atualmente utilizada pelo governo Lula. O candidato não detalhou quais ministérios seriam mantidos ou incorporados, mas citou nomes que considera relevantes para uma eventual equipe. Entre eles estão o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), e o atual ministro da Defesa, José Múcio. Segundo Cury, ambos são figuras que admira e poderiam ter espaço em sua administração, apesar de suas diferenças políticas e trajetórias distintas.

As declarações de Augusto Cury mostram que sua campanha busca apresentar uma combinação de redução da estrutura federal, mudanças na política tributária e uma abordagem específica para o uso das redes sociais. Ao mesmo tempo em que rejeita uma política de controle das plataformas, o candidato defende uma tributação mais elevada sobre empresas digitais e sites de apostas, associando a medida à necessidade de enfrentar possíveis efeitos do uso excessivo desses serviços. Na área internacional, aposta no alcance de influenciadores para ampliar a divulgação da imagem brasileira, enquanto, na administração pública, propõe uma forte redução no número de ministérios. As ideias ainda deverão ser detalhadas pela campanha e submetidas ao debate eleitoral, especialmente em relação à viabilidade econômica, jurídica e administrativa de cada medida. Com isso, Cury tenta consolidar uma identidade própria na corrida presidencial, apresentando propostas que dialogam diretamente com temas presentes no cotidiano dos brasileiros.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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