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Daniel Vorcaro estava em um grupo de WhatsApp onde os participantes poderiam combinar encontros e até viagens

Um grupo de WhatsApp criado em abril de 2024 reunia o banqueiro Daniel Vorcaro, o senador Ciro Nogueira, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria. Segundo reportagem do UOL, as mensagens encontradas no celular de Vorcaro mostram que o grupo era utilizado principalmente para combinar encontros, viagens e compromissos entre os integrantes. Os diálogos também registraram conversas sobre assuntos relacionados a investigações da Polícia Federal.

O grupo foi criado por Ciro Nogueira e recebeu o nome Ciro Daniel Fábio Hugo, segundo a reportagem. O senador também ativou uma configuração para que as mensagens fossem apagadas automaticamente depois de 90 dias, o que dificulta a reconstrução completa das conversas realizadas ao longo do período. As mensagens recuperadas pela Polícia Federal e obtidas pelo UOL estão concentradas entre agosto e novembro de 2025, período que terminou com a prisão de Vorcaro.

Em uma das conversas, registrada em 28 de agosto de 2025, Ciro Nogueira compartilhou uma notícia sobre a Operação Carbono Oculto, que investigava a atuação do crime organizado no setor de combustíveis e no mercado financeiro. Na sequência, o senador fez uma referência a Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, apontado nas investigações como suspeito de participar de um esquema de lavagem de dinheiro e fraude. No mesmo dia, os integrantes também conversaram sobre uma viagem em uma aeronave de Vorcaro, conforme os registros analisados pela reportagem.

Encontros e viagens entre os integrantes

As mensagens também mostram tentativas de organizar encontros entre os quatro integrantes do grupo. Em setembro de 2025, Fábio Faria tentou marcar um jantar de aniversário com familiares e os amigos Ciro Nogueira, Hugo Motta e Daniel Vorcaro, seguido de uma viagem para Trancoso. A programação, entretanto, acabou sendo alterada depois que Ciro lembrou que teria compromisso relacionado à posse de Carlos Brandão no Superior Tribunal de Justiça.

Os diálogos indicam que o grupo continuou sendo utilizado para combinar encontros durante os meses que antecederam a prisão de Vorcaro. Como parte das mensagens havia sido configurada para desaparecer depois de 90 dias, não é possível determinar, segundo o UOL, quantos encontros foram organizados durante todo o período de funcionamento do grupo. As últimas mensagens foram enviadas na noite de 17 de novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

Naquela noite, Fábio Faria compartilhou no grupo uma reportagem sobre a proposta do grupo Fictor para comprar o Banco Master, apresentada como uma tentativa de evitar a liquidação da instituição. Faria escreveu uma mensagem parabenizando Vorcaro, enquanto Ciro Nogueira respondeu com uma figurinha. Cerca de três horas depois, o banqueiro foi abordado pelos agentes da Polícia Federal, segundo a reportagem do UOL.

Relações de Vorcaro com os políticos

A reportagem também descreve relações comerciais e pessoais que Vorcaro manteve individualmente com os integrantes do grupo. Segundo o UOL, a aproximação com Fábio Faria ocorreu em 2023, após a saída do político do Ministério das Comunicações, e os dois participaram de uma negociação envolvendo um projeto de usina eólica no Rio Grande do Norte. O negócio foi avaliado em R$ 67,5 milhões, com parte do pagamento realizada por meio de um imóvel em São Paulo e o restante em transferências bancárias, conforme os dados publicados.

Ciro Nogueira também teria se aproximado de Vorcaro em 2023, e documentos analisados pela Polícia Federal apontaram suspeitas sobre benefícios financeiros e outros pagamentos relacionados ao senador. A investigação citada pelo UOL afirma ainda que Vorcaro teria ordenado o envio de R$ 350 mil mensais em espécie para Ciro, além de custear viagens internacionais e despesas relacionadas a cartões de crédito. Essas informações fazem parte das apurações policiais e não equivalem, por si só, a uma decisão judicial definitiva sobre eventual responsabilidade.

Hugo Motta teria conhecido Vorcaro por intermédio de Ciro Nogueira, em uma aproximação ocorrida no início de 2024. De acordo com as mensagens obtidas pelo UOL, Motta pediu que Vorcaro participasse como sócio de uma negociação para compra de um terreno em João Pessoa, enquanto o banqueiro buscava apoio em relação a um projeto de lei sobre o mercado de carbono. A reportagem também relata que Motta utilizava a casa de Vorcaro em Brasília quando o banqueiro não estava na cidade, mediante autorização prévia.

Investigações e manifestações dos envolvidos

As mensagens do grupo passaram a integrar o conjunto de informações analisadas pela Polícia Federal nas investigações relacionadas ao Banco Master. A reportagem afirma que os diálogos anteriores a agosto de 2025 ainda podem ser recuperados pelas autoridades, justamente porque parte das mensagens foi configurada para ser apagada automaticamente. O conteúdo obtido também é utilizado para reconstruir relações, encontros e possíveis negócios mantidos por Vorcaro com integrantes da classe política.

Ciro Nogueira, Hugo Motta e Fábio Faria foram procurados pelo UOL para comentar o conteúdo das conversas e as relações descritas na reportagem. Segundo o veículo, os três não responderam aos questionamentos apresentados pela equipe responsável pela apuração. A defesa de Daniel Vorcaro também não se manifestou sobre as informações publicadas.

O material divulgado pelo UOL apresenta, portanto, registros de conversas realizadas em um grupo privado e informações provenientes das investigações sobre o Banco Master. Os diálogos mostram a organização de encontros e viagens e também fazem referência a questões relacionadas a operações policiais e interesses comerciais. As eventuais consequências jurídicas das informações dependem da continuidade das investigações e das decisões das autoridades responsáveis pelo caso.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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